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Quotidianos

Encerramento das Escolas RuraisPor Joel Cerqueira Afonso
Santiago do Cacém

Num país como Portugal com uma taxa actual de abandono escolar de 28,7%, a Ministra da Educação Isabel Alçada afirma a sua posição defendendo que uma das medidas de combater a crise económica do país é “cortar” na educação.

4 min de leitura
Encerramento das Escolas Rurais Por Joel Cerqueira Afonso Santiago do Cacém

Por Jornal Rostos

No passado dia 23 de Março de 2011, Isabel Alçada, Ministra da Educação, confirmou o encerramento de 420 escolas do 1º Ciclo no início do próximo ano lectivo em plena audição da Comissão Parlamentar de Educação. Neste sentido confirma o encerramento de escolas com menos de 21 alunos no próximo ano lectivo.
Esta medida vai afectar todo o sistema de educação de norte a sul do País e em especial o concelho de Santiago do Cacém, que a avançar, compromete o funcionamento dos estabelecimentos de ensino de Abela, Aldeia dos Chãos, Arealão, Brescos, Cruz de João Mendes, Deixa-o-Resto, Relvas Verdes, São Bartolomeu da Serra e Vale de Água.
A Educação vem cada vez mais a ser um factor preponderante na formação dos jovens e na sua inclusão no mercado de trabalho. Torna-se flagrante numa era como esta em que o desemprego está ao rubro, mesmo para quem tem um vasto curriculum académico, serem renegados os direitos das crianças à educação e formação, contribuindo em massa para o abandono escolar precoce.
Segundo a literatura específica sobre Educação, entende-se como abandono precoce em sentido restrito a saída dos adolescentes do sistema de ensino antes da conclusão do ensino básico obrigatório. Em sentido mais lato, entende-se o abandono escolar, como a saída do sistema de ensino antes dos doze anos de escolaridade obrigatória, meta esta que deveria ser fomentada e implementada ao invés de contrariada e negligenciada com medidas como estas.
As taxas de abandono escolar em Portugal, segundo os últimos dados apontam para valores residuais ou mesmo inexistentes ao nível do primeiro ciclo, revelando-se crescentes à medida que se caminha para os níveis de ensino seguintes. Portugal é um dos países da União Europeia com maiores taxas de abandono escolar precoce, segundo o II documento de trabalho anual da Comissão Europeia sobre os progressos registados pelos 25 estados- membros.
A situação apresentada nas declarações da Ministra da Educação demonstra claramente a preocupação da nossa Ministra no que concerne ao abandono precoce do sistema de ensino, assumindo assim ser o que se define por uma estratégia a ser seguida pelo Governo para responder a um dos principais problemas que não só atingem a escola pública em Portugal, como reduzem substancialmente os encargos com a Educação em Portugal.

Para por fim a esta insanidade que esperamos ser momentânea foi criada uma petição online com o apoio de diversas associações, instituições e pessoas singulares do Concelho de Santiago do Cacém.

Para os subscritores, o não encerramento da escola contribui para o efectivo retorno das famílias ao meio rural, enquanto o fecho dos estabelecimentos implica “mais crianças deslocadas, maiores distâncias entre os locais de residência e a escola, maior distância relacional entre as famílias e a escola, o contributo para o despovoamento, envelhecimento, corte da relação inter-geracional e abandono dos lugares e aldeias rurais.”
A petição rejeita, por essa via, “o aumento das assimetrias, agravando o abandono social a que assistimos nos últimos anos”, bem como a “despromoção social das localidades, perda de atractividade das aldeias e desinvestimento nas estruturas e equipamentos colectivos.”

As instituições e entidades do concelho consideram que “as escolas reúnem as condições físicas, de equipamento, de projecto educativo, garantem um ensino de qualidade, que as escolas e os seus professores desenvolvem projectos educativos nos quais toda a comunidade se envolve, as autarquias locais ajudam a consolidar os projectos pedagógicos de todos e de cada um dos professores/educadores, os docentes lutam pela continuidade da Escola e os pais participam activamente na vida desta, a proximidade física e relacional da Escola e dos projectos com a comunidade, desenvolve, estimula e reforça o sentido de pertença e de identidade, o encerramento das Escolas contraria as politicas de fixação dos jovens nas aldeias, a Escola Rural pode ser um pólo de desenvolvimento, um serviço de proximidade, o não encerramento da escola contribui para o efectivo retorno das famílias ao meio rural”.
Vamos ser unidos e solidários com esta causa.
Basta de medidas que instigam a formação de indivíduos pouco preparados em termos de habilitações literárias e profissionais para ingressar no mercado de trabalho. Não vamos compactuar com medidas geradoras de indivíduos mais vulneráveis a fenómenos de exclusão social.
Porque sei que unidos fazemos a diferença, convido-vos a assinar a petição online que se encontra no sítio online disponível em:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoAssinar.aspx?pi=P2011N8602

Porque só unidos conseguimos mudar Portugal.

Joel Cerqueira Afonso
Estudante de Enfermagem
Vogal da Comissão Política Regional da JSD

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