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Quotidianos

As Novas Oportunidades e o Oportunismo SocialistaPor Cláudia Oliveira
Seixal

Este facilitismo na certificação e acreditação das capacidades, competências e valores destas pessoas no mercado laboral pode fazer milagres estatísticos, no entanto, torna-se contra-producente porque os formandos não adquiriram novas competências ou skills, mas o dinheiro foi gasto. Somos estatisticamente melhores e mais qualificados do que antes, mas estamos desempregados e desprovidos de novas valências.

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As Novas Oportunidades e o Oportunismo Socialista Por Cláudia Oliveira Seixal

Por Jornal Rostos

Nos últimos anos, temos sido "bombardeados" com a mais pura propaganda sobre as Novas Oportunidades (NO) e com o sucesso estatístico que temos vindo a alcançar.
É certo que nada tem sido dito sobre os resultados reais de aumento de skills ou empregabilidade dos formandos. Será um sucesso? Ou tratou-se de mais uma "bandeira" fraudulenta com que o Governo Socrático nos acenava?

Segundo dados estatísticos, a taxa de aproveitamento escolar no ensino regular manteve-se. Não houve melhorias. Mas se verificarmos o programa Novas Oportunidades, este tem resultados muito positivos. Estranhamente positivos. Estes resultados podem traduzir vários cenários:

I – O Ensino Regular está aquém das necessidades dos alunos, é contra-producente e está desgastado. No futuro todos os alunos vão para as NO, onde alegadamente em menos tempo obtêm melhores resultados;

II – Os formandos NO são pequenos génios muito agradecidos por esta oportunidade de regresso aos livros e os números espelham esse mesmo empenho e dedicação (com isto não pretendo dizer que não existem. Existem e ainda bem);

III – Por último, e bem à portuguesa, andamos a oferecer certificados em troca de composições de três parágrafos onde contamos a nossa vida.

É uma fraude, uma farsa, um mito criado para conquistar votos e não empregos ou competências.
Além de todas as implicações óbvias de todo este engodo, existem as pessoas, aquelas a quem deram nova esperança de arranjar emprego, aquelas a quem disseram que iam aprender a utilizar um computador e ter possibilidade de ter um emprego melhor, um vencimento melhor, uma VIDA melhor. Uma Nova Oportunidade!
Mas onde estão essas pessoas? Estão melhores? Estão mais capazes? Não sabemos.
A nível profissional, falei com muitos desses formandos, no âmbito do Programa E-escolas e E-oportunidades, e o feedback que tive não foi o melhor; ou pelos relatos que faziam ou pelo desconhecimento e ignorância que demonstravam ao utilizar um PC portátil, em tarefas tão simples como ligar ou ir ao menu "Iniciar", ou saber identificar o rato.
Lamentavelmente, não me pareceram casos isolados e todos os dias haviam inúmeras histórias destas para contar. Como podem? Como ousam certificar e fazer acreditar estas pessoas que tinham capacidade e competências para reentrar no mundo laboral, no mundo laboral computorizado? E outros, aqueles que relatavam a obrigatoriedade de aquisição do PC Portátil para poderem terminar o curso, até mesmo para aqueles que já tinham computador, e assim tinham mais este encargo, um encargo de uma fidelização por um ano. Isto é muito grave e a culpa mora sozinha.
Este facilitismo na certificação e acreditação das capacidades, competências e valores destas pessoas no mercado laboral pode fazer milagres estatísticos, no entanto, torna-se contra-producente porque os formandos não adquiriram novas competências ou skills, mas o dinheiro foi gasto. Somos estatisticamente melhores e mais qualificados do que antes, mas estamos desempregados e desprovidos de novas valências.
Porém, não sou contra este programa, muito pelo contrário. Necessitamos de construir, mas para isso necessitamos de ter o conhecimento e não só a certificação. Acredito, desde que a matriz programática seja cumprida com rigor e nas situações de acesso ao Ensino Superior o grau de dificuldade seja igual ao do Ensino Regular.
Ao existir esta “Igualdade” no processo de candidatura ao Ensino Superior nos dois métodos de Ensino, encontramos uma problemática: os formandos NO em grande número já trabalham e recorrem ao pós-laboral, o que gera um maior cansaço e exaustão nesses formandos. Ao existir um método rigoroso e mais “difícil” pode criar desmotivação nesses formandos levando à sua desistência. Não pretendemos isso. Em Portugal, nos últimos anos tem-se registado um grande desenvolvimento no campo da formação, não só técnica como comportamental, com vista a moldar positivamente cada formando, para cada função, sem menosprezar a especificidade da personalidade de cada um. Obviamente não queremos fazer lavagens cerebrais, mas compreendo ser essencial ter em consideração a possível desmotivação do formando e evitá-la sem cair na solução mais fácil: o facilitismo. Infelizmente nada disto foi feito.
Sobre esta questão são vários os argumentos apresentados, mas tenho de confessar o meu cepticismo quanto a esta situação. Sugerem que a origem destas situações anómalas são os formadores ou os Centros de Formação, mas questiono: o que está a ser feito para evitar que sucedam?
É preponderante que este assunto não seja esquecido e não haja receio na mudança e na evolução, de forma a construirmos os meios para atingir um fim essencial: um Portugal melhor!
Por isto, e outras coisas mais, Portugal não deu uma Nova Oportunidade a Sócrates e ao Partido Socialista.

Cláudia Oliveira
Jsd Seixal

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