A crise do imobiliário atinge todos os proprietáriosPor José Bastos
Montijo

Por Jornal Rostos
Em1999, escrevi um artigo de opinião que está publicado em livro, que entre muitas coisas, dizia o seguinte:
“As baixas taxas de juro, deram origem a uma grande procura de habitações, em muitos casos ainda bonificadas, e as facilidades concedidas que conduziu ao crescimento dos preços em percentagem muito superiores à inflação o que originou, por sua vez , uma procura de terrenos para construção a preços de tal maneira especulativos que faz lembrar o que eu ouvia dizer em criança sobre a procura do volfrâmio no tempo da guerra.
A situação que se vive no mundo da construção é de grande euforia. Tudo quanto se constrói está vendido e com grande lucro. Será que esta situação poderá manter-se por muitos anos? Eu não acredito. A especulação e o mercado, seja qual for tem os seus limites. Uma crise num sector económico com a importância da construção civil, poderá trazer graves consequências sociais na área do emprego. Portanto, é necessário que o poder político preste atenção para o que se está a passar, de modo que as consequências não sejam tão gravosas. “É melhor prevenir do que remediar”. “
Quem anda na política por gosto e convicções está sempre a tentar prever o futuro, baseando-se no passado. Era evidente para mim que uma grande parte das famílias que estavam a adquirir casa própria a preços especulativos, mais tarde quando os juros começassem a subir era impossível com ordenados baixos pagar a prestação da casa. E na vida muitas vezes acontecem-nos problemas como doenças, desemprego, divórcios e outros azares da vida e pensava no que aconteceu em 1973 no primeiro choque petrolífero em que a inflação na Europa atingiu 25% e em Portugal os juros em 1974 atingiram os 28%.
Há mais de uma dezena de anos, disse a um Amigo meu, proprietário de uma empresa de construção civil, que a construção de habitação tinha os dias contados que não levaria muito que a oferta de casas seria superior à procura. O homem na altura não quis acreditar, mas hoje diz que fui a única pessoa que o alertou para aquilo que aconteceu.
Também, três ou quatro famílias de Montijo, venderam fazendas no Montijo, por milhões de euros porque eu lhes disse para venderem quando aparecesse um preço razoável e não esperassem muito, porque podiam perder o euromilhões.
E a crise não se ficou só pelos terrenos para urbanizar, prédios em construção, andares novos para venda e em segunda mão, atingiu também o património do casco velho da cidade de Montijo. Qualquer casa vale menos de metade do que já valeu, muitos armazéns estão abandonados e devolutos as instalações das antigas fábricas têm um valor muito inferior aquilo que as pessoas pensam e hoje é muito difícil ajustar um preço entre compradores e vendedores.
Penso que a solução passa por os proprietários arrendarem os prédios se estes estiverem em condições ou venderem quando lhes aparecer um comprador que lhes ofereça um preço razoável e não vale a pena esperar por um preço especulativo que ele não aparecerá nos próximos vinte anos.
Acresce a tudo isto o facto de o memorando assinado entre o Governo Português e a Troika (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu), dizer que o custo fiscal inerente à propriedade de imóveis devolutos ou não arrendados será aumentado significativamente.
Por toda a cidade de Montijo existem prédios para habitação, comércio. Indústria e serviços abandonados há anos. Uns por motivos de dificuldades na partilha de heranças e outros que os proprietários estavam sempre à espera de melhor preço, uma vez que desde sempre a propriedade urbano tinha um aumento superior à inflação.
O mundo mudou e se esta situação não for resolvida a curto prazo será sempre mais dispendiosa para os proprietários no futuro.
José Bastos














