A EUROPA EM GUERRA ?Por Armando Teixeira
Barreiro

Por Jornal Rostos
Um título abrangente, que tanto pode implicar o estado grave da economia e das finanças, numa Europa em grise profunda, com graduações contraditórias entre países ricos e pobres ( e o aumento lancinante das dificuldades da maioria dos povos ), como pode caracterizar a aventura imperialista de agressão à Líbia, perpetrada no âmbito da aliança belicista da NATO, apregoada em defesa das populações civis.
Com familiares na geração à rasca, que é obrigada a emigrar para sobreviver, fomos de visita à Bélgica, que, como é sabido, se debate com uma grave crise política, sem governo há mais de um ano.
Impressiona a diferença num país “rico”, ordenado e bem estruturado, com um nível de vida superior ao nosso (rendimentos médios em triplo e custo de vida duplo - embora a gasolina seja mais barata! ), aparentando uma “boa vida”, bem à frente da nossa cada vez mais apagada e vil tristeza, mesmo com uma dívida pública maior que a portuguesa. A luta política na Bélgica está muito acesa, a imprensa diária acusa Bart de Wever, dirigente do partido de direita NVA ( Nova Aliança Flamenga ), de distorcer as contas públicas, com o rei dizendo-se muito preocupado.
Todavia o mais relevante, é termos acordado no segundo dia da visita, com o som reminescente de aviões de guerra a levantar voo consecutivamente, rasgando os céus cinzentos de uma base próxima. veio-nos à memória os tempos já longínquos, dos fins da década de 60 do século XX, com a intensa actividade na Base Aérea do Montijo, em plena guerra fria, ao serviço da Nato e em treino para a guerra Colonial.
A base aérea de Kleine Brogel, em Leopoldsburg, no Nordeste da Bélgica, onde continuam estacionadas ogivas nucleares da política agressiva que não desarma, apesar de há muito ter acabado o Pacto de Varsóvia, estava naquele dia de semana particularmente activa (no fim de semana não podem fazer barulho ! ). Com elevada probabilidade, aquele frenesim de aviões de reacção estava relacionado com a guerra que a Europa e a América do Norte impuseram à Líbia, fazendo relembrar a emoção de um tempo há muito fixado nas memórias de África em Luta de Libertação, com os “ Fiat`s “ portugueses a flagelarem as zonas libertadas.
Quantos milhões e milhões de euros queimados nos bombardeamentos do país africano, que já fizeram centenas de vítimas nos civis que dizem proteger ? E se esse milhões fossem aplicados para ajudar a recuperação e o desenvolvimento da Grécia , de Portugal, da Irlanda e de outros países na mira do capitalismo ultraliberal e especulativo ?
Sonhos de uma manhã de verão, num bosque fresco e verdejante de um país muito bonito, de gente circunspecta, que sofreu muitas guerras ao longo da história e agora colabora noutra. Pois se o sistema capitalista neoliberal que comanda as finanças é o mesmo que comanda a guerra!?!
18/7/2011
Armando Teixeira














