O Novo RumoPor José Assis
Seixal

Por Jornal Rostos
Dois discursos internacionais marcaram o consulado de Obama: no Cairo e em Berlim. Marcantes, porque assinalaram, na atitude, a sua determinação em pacificar o globo, e porque, também, o seu conteúdo é um conteúdo de paz. Poder-se-ia perguntar se hoje, Obama, à luz da realidade actual faria o mesmo ou estaria disposto a ter a mesma atitude. Não tenho dúvidas que Obama é o mesmo e fará o que tiver de fazer pela paz. É o mesmo presidente que se apresentou para executar a mudança num mundo em guerra quando tomou conta do cargo presidencial, mas, acima de tudo, um mundo potencialmente explosivo assente no unilateralismo norte americano levado ao extremo por Bush filho. Foi profícua a coragem de Obama? Naturalmente está a ser. A cidadania global que defendeu em Berlim e a saudação em língua diferente da inglesa que proferiu no Cairo marcarão a história universal.
Mesmo com a guerra politica dos republicanos, que, numa atitude pouco vista nos EUA, intransigiram no aumento do tecto da divida publica americana, o que levou à especulação acerca do eventual incumprimento norte americano ( o que seria o "fim do mundo ") , Obama manteve o seu rumo. Ele sabe que o seu arrojo na reforma dos cuidados de saúde que permite cuidados aos mais desfavorecidos, que as suas criticas a Wall Street, e a sua vontade reformadora, numa Federação de Estados capitalistas e ela própria também, no caminho de uma Federação "Bem Estar" poderá não ser, sequer, bem avaliada pelos próprios beneficiários.
Com o horizonte de 2012 o presidente norte americano não desarma e não se ajusta à popularidade em função do momento eleitoral que se aproxima. Diferente dos lideres europeus, Obama não se deixa influenciar pela conjuntura, adaptando-a ao calendário eleitoral . Bateu com a porta às politicas dos republicanos e mesmo em desvantagem no Congresso assumiu a sua matriz ideológica. Os EUA têm um presidente com ideologia ( felizmente não aquela a que corresponde a tradução livre de "socialista " em inglês "americano" e cujo estranho resultado dá "comunista" ) e que faz prevalecer o primado da politica em face dos mecanismos económicos e sobretudo financeiros.
A ministra dos negócios estrangeiros colombiana Maria Ângela Holguin, à Sociedade das Nações na SICN foi clara quanto à afirmação da América Latina no mundo. Um corpo de países que crescem, os problemas da produção dos psicotrópicos em vias de solução, sobre direitos humanos nada disse, mas em termos de afirmação económica assumiu a unidade dos países ( diferente da União dos Estados) e ofereceu os bons ofícios latino americanos para uma saída da crise europeia. Focou a atenção na Europa lançando a mão a uma interacção económica. A Europa esteve focada na América latina ( recordo a cimeira Ibero americana realizada em Portugal em 2009) mas está agora mais absorvida nos seus pacotes de ajuda interna. Os latino americanos ainda não fazem a diferença entre crescimento e desenvolvimento mas estão a preparar-se para esse salto. Um caminho mais ou menos longo do que o europeu? Um voo do condor que se levanta.
Não tenho qualquer sentimento anti-europeísta. Antes pelo contrário defendo a Europa Unida, federada. Mas, no momento actual europeu, só me vem à memória aquela música do Sérgio Godinho "... cá andamos com a cabeça entre as orelhas.."
José Assis














