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Quotidianos

MUDANÇAS NA EDUCAÇÃOPor Ana Monteiro
Seixal

A avaliação nacional é também necessária para equilibrar todos os alunos e escolas, por muito diferenciados que os seus currículos sejam. Esta medida, caso seja bem aplicada, aumentará o nível de exigência pedido aos alunos, levando-os a, não só aumentar o seu conhecimento, mas “aprenderem” a ler, a estudar, a comunicar e a serem cidadãos!

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MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO Por Ana Monteiro Seixal

Por Jornal Rostos

A Educação em Portugal tem vindo, de há uns anos para cá, a ser desvalorizada, quase que como esquecida, posta numa caixa que depois se abrirá quando der jeito.
A maioria dos nossos alunos demonstram pouco interesse pela Escola, não respeitam os professores, nem os assistentes operacionais e, em alguns casos extremos, nem os elementos da direcção. Este clima desmotiva os docentes que, numa sala com aproximadamente 28 alunos, tentam educar – relembrando que têm de estar em silêncio, participando positivamente (e em alguns casos explicando que o seu lugar é sentado e não noutro lugar qualquer) - e ensinar. Os alunos reagem à “educação” com um encolher de ombros, uma resposta desadequada, um “oh s’tor fogo, não ‘tava a fazer nada”. A nível de resultados escolares não costumam ultrapassar o mediano, sentindo-se felizes com esse desfecho. Claro que existem excepções, e ainda se vão vendo muitas, felizmente! A questão é que todos estes jovens vão entrar na nossa sociedade e contribuir para ela, de uma ou outra forma.
Um outro ponto fundamental é o grau de desistência dos nossos alunos. No ensino básico e secundário os valores têm vindo a diminuir ligeiramente com o passar dos anos, mas ainda se encontram nos 7%, segundo o Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação. Este valor é gravíssimo, visto estarmos a falar de crianças e jovens que não terão completa a sua educação a nível básico, a que lhes confere as chamadas competências de cidadania, de cultura científica, de atitudes.
O programa do governo estabelece algumas metas que me parecem interessantes a nível da educação. A aposta numa cultura de disciplina e esforço que envolva alunos e pais pretende garantir que os nossos jovens respeitem toda a comunidade escolar. Dar às escolas e autarquias uma maior autonomia para gerir os casos de abandono escolar poderá, em alguns deles ser uma mais-valia visto muitos destes casos se deverem a condições familiares graves.
O governo propõe ainda a
“revisão do modelo de contratualização da autonomia das escolas, assentando-o em objectivos e incentivos definidos pelo Ministério e pela comunidade escolar, de forma a que as escolas se possam abrir a projectos educativos diferenciados e credíveis”.

É absolutamente necessário e prioritário que esta proposta avance. Actualmente são distinguidas as Escolas inseridas em Territórios Educativos de Intervenção Prioritária, mas é preciso que essas escolas possam modificar e adaptar os currículos à sua situação, caso contrário o que acontecerá é que estas escolas não conseguirão cumprir as metas do programa 10-15, visto os alunos que as frequentam têm características diferentes dos alunos de outras escolas. Se os podemos e conseguimos distinguir, é essencial que essa distinção vá mais fundo para que estes alunos desenvolvam as competências essenciais para a sua vida e não que falhem, mais uma vez, na aquisição de competências exigidas a todos os outros.
A avaliação nacional é também necessária para equilibrar todos os alunos e escolas, por muito diferenciados que os seus currículos sejam. Esta medida, caso seja bem aplicada, aumentará o nível de exigência pedido aos alunos, levando-os a, não só aumentar o seu conhecimento, mas “aprenderem” a ler, a estudar, a comunicar e a serem cidadãos!
Em suma, penso que o programa do governo a nível educacional tem imensos pontos fortes, muitos deles aqui referidos. É preciso aplicá-los com firmeza e sem receios, pois a Educação precisa de mudar…e muito!

Ana Monteiro
Professora do 3º Ciclo e Secundário
Militante da JSD Seixal

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