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Quotidianos

Reconfiguração da cidade industrial: O caso do BarreiroPor Filipa Varela Valadeiro

Com efeito, relativamente a esta questão, é visível que continuam a ser poucos os canais de atravessamento e de articulação da cidade situada a Norte com a do Sul. De facto, a Avenida Miguel Bombarda, existente há já muitas décadas, continua a ser o principal ponto de encontro das duas zonas urbanas, permitindo esse mesmo atravessamento. Importa relevar que esta Avenida, devido a essa função, acumulou desde logo um uso comercial relevante. Foi sobre esta constatação que se construiu a problemática central desta tese e que vai no sentido de implementar mais amarrações e pontos de continuidade entre as duas áreas urbanas.

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Reconfiguração da cidade industrial: O caso do Barreiro Por Filipa Varela Valadeiro

Por Jornal Rostos

No seguimento da Investigação de Mestrado com o tema: Reconfiguração da cidade industrial: O caso do Barreiro, chega o momento de escrever um pequeno texto, a dar a conhecer aos Barreirenses e população em geral um assunto que, elegeu com a máxima atenção a cidade industrial, que se vê impelida a reconfigurar-se na sequência dos desafios próprios do século XXI.

O principal objectivo assentou desde o início no estudo desta cidade, que dado o seu colapso industrial, coloca agora a cidade perante um processo de reconfiguração urbana. Este processo de reconfiguração justifica-se pelo facto de a crise industrial ter acarretado consigo o desmantelamento e progressivo encerramento quer do complexo fabril, quer do percurso urbano da linha férrea. Esta forte marca industrial que dominou a cidade do Barreiro durante mais de um século originou uma cidade dividida e separada em duas zonas urbanas pela linha férrea (marco que se considerou como um dos pontos mais fulcrais existentes no território). Como consequência, a cidade tornou-se descontínua, adquirindo com o tempo um carácter de heterogeneidade, ruptura e divisão, onde por sua vez, os atravessamentos e contactos ficaram reduzidos.
Foi de acordo com esta constatação que se procurou saber que tipos de políticas urbanísticas seriam adoptadas e implementadas futuramente, de acordo com as prementes respostas que terão de ser dadas face aos desafios que a cidade vai enfrentar na próxima década.
A busca de uma resposta a esta questão assentou em primeira hipótese na cidade como uma totalidade composta por espaços múltiplos de encontro e de funções, onde a vida urbana quotidiana flui e reflui com intensidade variável, assim como na hipótese da continuidade urbana como via a seguir no processo de reconfiguração da cidade.
Neste novo contexto, outras perspectivas do tratamento do território são colocadas, como é exemplo a proposta do Plano de Urbanização do Território da Quimiparque e zonas envolventes. Contudo, apesar desta nova filosofia que subjaz à futura reorganização da cidade, nem por isso o problema da descontinuidade e desarticulação urbanas, resultantes da presença secular da linha férrea que dividiu e separou a meio (zona urbana a Norte e a zona urbana a Sul) encontra aí uma resposta cabal.

Na verdade, a nova proposta do PU, vem proclamar a permeabilidade de cidade (outrora dividida) como princípio orientador, mas nem por isso deixa de constatar-se que as novas intervenções esquecem um pouco a cidade a Sul. A proposta de uma Alameda verde, sugerida no Plano, pretende favorecer esta estruturação ao fazer com que a cidade, através desta Alameda Central com vocação rodoviária, comunique e se articule, reduzindo os problemas de acessibilidade entre as diferentes zonas e o acesso ao centro da cidade.
Pelas pesquisas e análises que foram efectuadas, chegou-se à conclusão de que independentemente das novas centralidades propostas e das políticas de reorganização do território apresentadas, a zona a Sul da cidade continua a ser colocada à margem do processo de reestruturação e de reconfiguração que abrangerá sobretudo a zona a Norte, em consequência das novas centralidades que serão impostas naquele local.
Com efeito, relativamente a esta questão, é visível que continuam a ser poucos os canais de atravessamento e de articulação da cidade situada a Norte com a do Sul. De facto, a Avenida Miguel Bombarda, existente há já muitas décadas, continua a ser o principal ponto de encontro das duas zonas urbanas, permitindo esse mesmo atravessamento. Importa relevar que esta Avenida, devido a essa função, acumulou desde logo um uso comercial relevante. Foi sobre esta constatação que se construiu a problemática central desta tese e que vai no sentido de implementar mais amarrações e pontos de continuidade entre as duas áreas urbanas. O objectivo focou-se então, na criação de uma frente de continuidade e articulação entre as zonas urbanas, da Alameda Central Verde proposta pelo PU, através da Avenida Afonso Dom Henriques.

Independentemente da articulação urbana ser a fundamental preocupação, a proposta apresentada, pretendeu também, dar valor ao espaço público, no sentido de promover espaços exteriores acessíveis aos moradores, funcionando automaticamente como pontos de chamariz e de convivência onde o privilegiar do peão implica que a cidade deva ser construída para ser acessível a todos, garantindo o fácil acesso da população aos seus diversos usos (comércio, serviços e equipamentos), sempre em condições de segurança e acessibilidade. Deste modo, propôs-se a reformulação do esquema viário e respectivos quarteirões, criação de bolsas de estacionamento e zonas de estar arborizadas – uma proposta que poderá ser encarada neste local e repensada noutras zonas da cidade.

Concluída esta investigação, não quero deixar de fazer algumas considerações em torno da importância que tudo isto representou e as marcas que imprimiram e vão constituir sementes de um novo futuro.
Em primeiro lugar, como barreirense, este trabalho constituiu um momento fulcral de tomada de consciência e de desejo de apreender o “ser” (Spengler, nos finais de do século XIX, falou de “alma”) que habita e anima esta cidade. Em particular, estimulou-me, intensa e permanentemente, a descobrir a totalidade anímica que exige pontos de encontro e de confluências, onde o “direito à cidade” (expressão de Lefebvre) se exerce de forma plena e sem descontinuidade. Foram estas preocupações que me levaram a percorrer este longo caminho, onde o interesse pela reconfiguração de uma cidade em crise tem de ser encarado de forma atenta.
Em segundo lugar, este trabalho também representou um fundamental e precioso instrumento de análise e de reflexão em torno de uma temática paradigmática e de muito interesse para a actualidade e que espero retomar, agora em novo contexto. É que os processos de reestruturação e de reconfiguração urbanos que as cidades vão conhecendo exigem amadurecimento, empenho e investigação. É por este mundo de problemáticas que nos iremos apaixonar, esperando poder assim contribuir com ideias e propostas para a cidade cujo processo de reconfiguração se avizinha.






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