Dúvidas TeológicasPor António José Carvalho Ferreira
Barreiro

Por Jornal Rostos
Se bem que Santo Agostinho tenha propugnado "crede, ut intelligas", a minha filha Leonor com os seus 5 aninhos, menina inteligente, mas afortunadamente não "sobredotada" como diziam dos seus rebentos, muitos dos pais dos seus pequenos colegas de então e estamos a falar de 1993 (felizmente a "moda" passou), sempre achou muito estranho que o Menino Jesus apareça ao colo de Santo António, tendo ela consciência da sua não contemporaneidade. Até porque, como muito bem observou, este "não aparece no Presépio".
Outra das suas perplexidades foi a quantidade de designações de Nossa Senhora - Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Rosário, etc.. Então, afinal, "quantas Nossas Senhoras é que há"?
A Leonor, enredada pela lógica, não tinha ainda os dispositivos para entender que no campo da religiosidade a "lógica" é outra e que o catolicismo popular é uma forma de paganismo politeísta em versão "soft", onde há muitos nomes para o mesmo e em que o tempo pode ser simbolicamente abolido mesmo muito antes da "consumação dos séculos".
Nestas coisas o que interessa é que é feriado e como cantou o malogrado Carlos Paião:
Viva o Santo António, viva o São João!
Viva o 10 de Junho e a Restauração!
Viva até São Bento, se nos arranjar!
Muitos feriados para festejar!
Que é o caso de 15 de Agosto.
A "troika" que nos leve tudo, impostos, subsídios e sei lá mais o quê. Mas livrem-se de nos tocar nas "pontes"!!!
Já há uns anos que ando a pensar fundar uma religião eclética e multicultural, a IEU - Igreja Ecuménica Universal - à sexta somos muçulmanos, ao sábado judeus e ao domingo católicos. Mais um passo, sem dúvida, para o diálogo intercultural e religioso e, consequentemente, para a paz no mundo.
Só pode levantar um tipo de problemas - como somos uma Igreja muito laica (e muito "light") vem-me sempre à memória aquele episódio da "remarkable" série da BBC "Yes, Prime Minister" quando o "Cabinet" de Sua Majestade tratava de, após a vacatura de uma diocese, nomear um bispo (talvez passe despercebido, mas na Europa temos, pelo menos, dois casos de não separação, mesmo formal, do Estado face à Igreja - a Grécia e o Reino Unido em que desde Henrique VIII a esta parte e mais massacre menos massacre, os bispos anglicanos são nomeados pelo Governo).
Grande discussão entre os ministros a propósito dos candidatos.
- Fulano - atira um.
- Esse não, que dizem ter amantes!
- Beltrano - chuta outro.
- Esse parece que tem dívidas ao fisco.
- Sicrano - adianta um terceiro.
- Esse é muito autoritário e nada tolerante.
No meio daquela enorme bagunça, o Primeiro-ministro dá um murro na mesa e grita:
- Meus senhores vejam lá se me arranjam um gajo que, pelo menos, acredite em Deus.
António José Carvalho Ferreira














