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Quotidianos

Pensar o futuro de MontijoPor José Bastos

A história de Aldeia Galega/Montijo, mostra que os montijenses, nos momentos difíceis são capazes de transformar crises em oportunidades, como aconteceu no século XIX, quando apareceu o comboio e o movimento para Lisboa se deixou de fazer por aqui.

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Pensar o futuro de Montijo Por José Bastos

Por Jornal Rostos

Com a construção da Ponte Vasco da Gama, ligando Montijo a Lisboa, iniciou-se um novo ciclo na vida colectiva dos montijenses.
Na ultima década a vida no Montijo mudou muito e a população residente cresceu 30%, isto é passou de 39.000 habitantes (censos de 2001), para 51.000 (censos de 2011). A maior parte destas 12.000 pessoas que representa o crescimento da população residente no Montijo nos últimos dez anos, as que trabalham, exercem a sua a sua actividade noutros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa.
As populações originárias de Aldeia Galega e os descendentes dos imigrantes que para aqui vieram residir e trabalhar, na primeira metade do século XX, são pessoas que se interessam muito por tudo o que diz respeito ao nosso viver colectivo e por isso a nossa Terra é segura,ordeira, limpa e sustentável em termos ambientais.
As pessoas têm consideração umas pelas outras, por isso existem pouco conflitos. Na zona mais antiga na cidade e nas freguesias as pessoas conhecem-se quase todas e apoiam o trabalho que a câmara tem feito nos bairros sociais com políticas de integração que contribuem para a coesão social.
Integrámos com facilidade as pessoas que chegaram na primeira metade do século XX, por isso temos que ser imaginativos e arranjar forma dos 12.000 habitantes que aqui chegaram participem na nossa vida colectiva.
Bem sei que as pessoas que para aqui vieram no século passado eram de mais fácil integração, pois trabalhavam todos no Montijo, mas hoje existem meios de comunicação que nos permitem comunicar em rede na internet e discutir os nossos problemas colectivos. E os novos residentes são pessoas evoluídos e quase todos têm internet em casa.
O Montijo tem hoje boas vias de acesso, está perto de Lisboa por terra, tem um urbanismo de qualidade, escolas novas e outras recuperadas, edifícios culturais, todo o nosso património cultural edificado reconstruido, a zona ribeirinha requalificada, zonas verdes e uma arborização de excelência na cidade. A quase totalidade dos alunos do concelho frequenta a escola pública e as famílias sentem que as crianças e os jovens se sentem seguros na escola.
Temos todas as infra-estruturas completas: uma rede viária muito completa com circulares à volta da cidade e avenidas com quatro faixas de rodagem onde o trânsito circula com facilidade, recolha e tratamento de lixos, esgotos pluviais e domésticos, tratamento dos esgotos em todo concelho, bacias de retenção de água pluviais para evitar as cheias nas zonas baixas da cidade, iluminação pública de qualidade em todo o concelho com lâmpadas de consumo reduzido, abastecimento de água de qualidade e em quantidade, fornecida pelos SMAS a preço de custo.
Todos sabemos que com a crise financeira, económica e das dívidas soberanas, o mundo mudou e os países da periferia da Europa que estavam muito endividados, entre os quais Portugal, tiveram que pedir ajuda externa para não caírem em incumprimento.
A história de Aldeia Galega/Montijo, mostra que os montijenses, nos momentos difíceis são capazes de transformar crises em oportunidades, como aconteceu no século XIX, quando apareceu o comboio e o movimento para Lisboa se deixou de fazer por aqui.
Ainda existe aqui indústria, comércio, agricultura e pecuária, o que resta de uma Terra que foi muito pujante na actividade económica. Na última década instalaram-se aqui algumas indústrias, muito comércio e serviços mais modernos que no seu conjunto não compensaram aquilo que foi fechando em termos de actividade económica e de emprego..
O concelho tem um vasto potencial agrícola com cerca de 30.000 hectares de terra, parte dela abandonada que precisa de ser desenvolvido com culturas rentáveis. Temos um aquífero com água em quantidade e milhões de consumidores na Área Metropolitana de Lisboa da qual fazemos parte. Ao custo a que estão os transportes temos obrigação de ser competitivos nos preços de produtos agrícolas na zona onde vivemos.
Temos um grande problema para resolver, mas penso que a crise nos vai ajudar. A zona urbana da cidade está numa grande decadência. Tem centenas de habitações degradadas e outras devolutas, mas tem também os antigos edifícios de uma grande actividade industrial e comercial que estão abandonados e muitos em estado de degradação à espera de serem vendidos para construção de habitações. Julgo que os proprietários já perceberam que estes prédios nos próximos anos só vão ter menos valias e um aumento significativo de impostos de harmonia com o acordo da troika.
Se este grave problema não for resolvido a tempo e com bom senso a zona velha da cidade terá cada vez mais prédios emparedados e com menos valor, arrastando nos preços aqueles que continuam de pé. Ninguém gosta de residir numa rua que metade dos prédios estão degradados e outros devolutos. Vejam o que está a acontecer à Rua José Joaquim Marques .Aquela que foi a estrada nova cada vez está mais velha.
As pessoas não se preocupavam com as suas propriedades, porque pensavam que elas com a passagem do tempo valiam mais e tinham razão por que tinha sido sempre assim no tempo dos pais e dos avós, mas isso hoje mudou e muito, existem casas a mais e a população não cresce e a tendência é para diminuir, acabou o crédito bancário fácil e barato, pelo que ninguém está interessado, em comprar casas por metade do preço do que já valeram e a mim parece-me que a solução é arrendar (as que estão em condições) ou vender, pelo preço do mercado que nos últimos anos baixou, mas que vai continuar a baixar. Acham que quem ganha 1.000 euros por mês poupa dinheiro para comprar uma casa?
A nossa gente é empreendedora e hoje está mais qualificada, por isso precisamos de debater os nossos problemas para continuarmos um concelho interclassista onde dei gosto viver, como até aqui. Têm aparecido empresários interessados em investir no Montijo, mas os preços que pedem pelos terrenos ainda são proibitivos. Espero que os proprietários percebam o que se está a passar e que vendam a um preço razoável, porque mais tarde se podem arrepender.

José Bastos

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