A dama de diamantePor José Assis
Seixal

Por Jornal Rostos
Ainda a receber comentários interessantes sobre o que aqui escrevi - "suspensos com os pés no ar "- acerca do que, apesar de não ser economista mas na base dos sinais, entendia como um novo ciclo que se aproxima de investimento público com um dos pilares da economia real ao nível dos EUA e obrigatoriamente na Europa, baseando a minha opinião na negativa da FED em estimular monetariamente, por ora, a economia norte americana mas deixando para Setembro novidades, e eis que Christine Lagarde, directora-geral do FMI, declarou que a austeridade como prioridade irá dar cabo da retoma económica, deixando subentendida a necessidade do Estado como player na economia real
Lagarde foi logo apelidada de Keynesiana , o que é certo é que a nova chefe do FMI assumiu essa posição, em concomitância com a necessidade da recapitalização da banca. Essas declarações naturalmente originaram reacções, algumas em "pânico" mas a coragem da ex ministra francesa das finanças assinala o inicio desse novo ciclo. Inevitavelmente, e não sendo apologista de inevitabilidades por regra, o investimento público aquecerá a economia e, porventura, a inflação que deve ser controlada. Mas, o problema do desemprego é inconciliável com discursos eternizados de "gorduras e afins " e que só servem, dada a exaustão do seu uso, para dar de comer a meia dúzia de analistas e a pouco mais do que meia dúzia de neoliberais românticos. Naturalmente que a despesa tem de ser reduzida racionalmente, mas a vida tem de dar o salto qualitativo e ao discurso da "gordura do Estado" deve caber a ideia, aplicada em concreto, da despesa pública de investimento.
Num artigo traduzido e publicado no Diário Económico o editor do Financial Times, Wolfgang Munchau , aduziu razões para que o "eurobond" não seja a panaceia da crise . A razão essencial que invoca é a da alegada morosidade no processo de decisão para a criação da "eurobond" e, mais ainda, de aplicação dessas obrigações europeias de responsabilidade conjunta .
Na parte em que invoca esse aspecto, porquanto não se entendem os chefes de Estado e governo da UE, e que isso hoje é uma evidência, estamos de acordo. Todavia, os dois anos que pensa Wolfgang serem adequados para entrar em vigor essas "eurobrigações", pois o processo, segundo a sua opinião, de decisão no mínimo duraria esse tempo, faz perguntar, afinal, para que servem os tratados da UE que estão em vigor. Um novo procedimento, especial e burocrata para curar esta crise com a "eurobond" significaria o fracasso e o tombo do esforço construtivo da UE . Um dos problemas é que há quem prefira a especulação analítica à interpretação da lei comunitária , incluindo os políticos que nela participaram.
José Assis














