Sinfonia IncompletaPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Por Jornal Rostos
Uma das obras mais conhecidas e tocadas do compositor austríaco Franz Schubert é Sinfonia Incompleta, também conhecida por Sinfonia n.º 8. Embora sobre essa numeração, e sobre outras coisas, se continue a especular e a dar origem a profundos estudos e doutas opiniões, a questão de fundo é: por que razão não foi terminada, ficando apenas com dois andamentos?
De obras incompletas parece que vamos ficar bem servidos, e é melhor que se esclareçam desde já os motivos, senão ficamos como a tal sinfonia: quase dois séculos depois, vá-se lá saber porque não foi acabada. E, tal como hoje, não faltarão eruditos para arranjar explicações sobre as razões que levaram a que a ponte tivesse ficado inacabada, a estrada interrompida, a urbanização deserta…
Cabe aqui contar a parábola do pescador (contar, e não recordar, porque não consta dos Evangelhos).
Saiu um pescador de sua casa, e foi comprando todos os utensílios para a sua faina, canas, linhas, anzóis, redes, um banco, balde para o peixe, e outras coisas que achou necessárias, gastando nisso mais de cinquenta dracmas.
Louvou o Senhor por te encontrado quanto queria, e dirigiu-se ao Lago de Tiberíades, para ali pescar, conforme o seu mester.
Deu-se então conta o pescador que não tinha isco, e dirigiu-se a um homem que ali se encontrava e que era disso fornecedor.
Indagou então o preço do isco, tendo o homem pedido dois óbulos. Indignou-se o pescador, recusou o negócio e voltou para casa com todas os seus apetrechos, e não foi pescar, pelo que ele e a sua família passaram fome.
Em verdade vos digo: este é o exemplo dos pobres de espírito, que gastam sem hesitar cinquenta dracmas, e recusam gastar mais dois óbulos para que tudo funcione.
Pois conforme esta parábola (inédita) há por aí casos desses, e pela bitola dos cortes cegos, são de esperar muitos mais, como se a Economia estivesse ao serviço das Finanças, e não o contrário.
Nuno Santa Clara














