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Quotidianos

Aritmética eleitoralPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Números dão a imagem da desactualização dos cadernos eleitorais. O caso extremo é o da freguesia do Barreiro, onde, a fazer fé nos números, só haveria 15 residentes não recenseados, ou, por outras palavras, teoricamente haveria apenas 15 menores de 18 anos…

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Aritmética eleitoral Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Os dados, ainda que provisórios, do censo de 2011 trazem resultados surpreendentes.
Em relação ao Concelho do Barreiro, comparando a população residente com a população inscrita nos cadernos eleitorais das eleições legislativas do mesmo ano de 2011, temos:

Freguesias - Residentes 2011

Barreiro - 7.507
Verderena - 10.253
Alto Seixalinho - 19.979
Lavradio - 14.597
S. André - 11.485
S. António - 11.619
Palhais - 1.880
Coina - 1.722

Total - 79.042

Freguesias - Inscritos 2011

Barreiro - 7.492
Verderena - 9.827
Alto Seixalinho - 18.225
Lavradio - 12.361
S. André - 10.045
S. António - 9.747
Palhais - 1.450
Coina - 1.574

Total - 70.721

Freguesias - Diferença entre rsidentes e inscritos

Barreiro - -15
Verderena - -426
Alto Seixalinho - -1.754
Lavradio - -2.236
S. André - -1.440
S. António - -1872
Palhais - -430
Coina - -148

Total - -8.321

Freguesias - % diferença -não inscritos/ residentes

Barreiro - 0,2
Verderena - 4,2
Alto Seixalinho - 8,8
Lavradio - 15,3
S. André - 12,5
S. António - 16,1
Palhais - 22,9
Coina - 8,6

Total 10,5

Estes números dão a imagem da desactualização dos cadernos eleitorais. O caso extremo é o da freguesia do Barreiro, onde, a fazer fé nos números, só haveria 15 residentes não recenseados, ou, por outras palavras, teoricamente haveria apenas 15 menores de 18 anos…
Atente-se também nas variações de percentagem de residentes não inscritos, variando ente 4,2% e 22,9%, quando a média do concelho é de 10,5%.
Quer isto dizer essencialmente que boa parte dos actuais residentes no Concelho do Barreiro não se deu ao trabalho de se inscrever na suas Juntas de Freguesia, de forma a poder exercer o seu direito de voto – esse direito tão arduamente conquistado por anos de Resistência e pela arrancada do 25 de Abril.
Todos temos consciência de que existe um afastamento, que tem vindo a aumentar, entre a população portuguesa e a política. Sabemos também que o fenómeno não é apenas nacional; os números da abstenção nas eleições um pouco por toda a Europa falam por si. Sabemos até que um país pode viver sem governo: a Bélgica está sem governo há mais de ano e meio e – pasme-se! – é dos países menos atingidos pela actual crise.
Países há em que o recenseamento é obrigatório, e não deixam de ser democráticos: países há em que o voto é obrigatório: mais uma vez, a Bélgica é exemplo.
Por cá… tudo bem.
Uma coisa é certa: há muito trabalho para fazer, e não pode ser iniciado a 15 dias das próximas eleições.

Nuno Santa Clara

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