Crianças em risco a precisar de coloPor José Bastos
Montijo

Por Jornal Rostos
A Abrigo – Associação Portuguesa de Apoio à Criança, foi fundada em 2002, tem um âmbito regional e sede no concelho de Montijo, o seu objectivo é o apoio às crianças em risco, com acolhimento temporário entre o nascimento e os seis anos. Propõe-se fazer a reinserção das crianças acolhidas na família biológica ou encaminhamento para adopção.
Os padrinhos da associação são os conhecidos desportistas portugueses, naturais de Montijo: Elisabete Jacinto, Paulo Futre e Ricardo Pereira.
São sócios fundadores institucionais as seguintes entidades, todas do concelho de Montijo: Bombeiros Voluntários de Montijo, Associação de Socorros Mútuos Nossa Senhora da Conceição (Montepio), Santa Casa da Misericórdia de Montijo, Clube Desportivo de Montijo (já não existe), Bombeiros Voluntários de Canha e Sociedade Filarmónica 1ª Dezembro. São também sócios fundadores institucionais a Unicef (Comité Português), o Instituto de Apoio à Criança e a APAV Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
O Presidente da direcção é o Dr. Jacinto Pereira, natural e residente em Montijo, advogado, com escritório na cidade de Montijo.
A Abrigo em 9 anos de existência, ainda não prestou qualquer serviço às crianças em risco, nem tem nenhuma experiência ou trabalho feito com provas dadas.
Sonharam com um grande projecto e nunca pensaram iniciar a sua actividade num prédio arrendado ou cedido por empréstimo, com um reduzido número de crianças, para ganharem experiência e com o seu trabalho mostrarem à sociedade civil ao Governo e às Câmaras, que estavam em condições de serem financiados para uma obra nova de raiz.
Mesmo sem nenhum trabalho feito, o fim era tão meritório que a Câmara Municipal de Montijo, cedeu um terreno em direito de superfície em 21/05/2004, uma excepção do Município, pois nunca aconteceu no Montijo, desde sempre, a Câmara ter cedido a uma Associação um terreno para instalações próprias, sem nenhumas provas dadas.
A Abrigo em vez de nestes nove anos se ter dedicado a cuidar das crianças em risco que precisavam de colo, orientou a sua actividade para fóruns com a participação de pessoas muito conhecidas no país pelos lugares que ocupavam ou ocupam nos Governos ou no poder judicial. Enquanto esperavam pela aprovação e financiamento do projecto de construção de um edifício próprio.
A ABRIGO tem um projecto para acolher 109 crianças, num edifício construído de raiz e equipado de novo, num terreno cedido pela Câmara de Montijo que custa milhões de euros. Considero de facto um exagero tão elevado número de crianças, tanto pelos custos de manutenção, como pelo facto dos promotores não terem nenhuma experiência apesar da boa vontade. O Refúgio Aboim Ascensão, uma referência nesta matéria a nível nacional e internacional, foi fundado em 1933, para apoio a crianças, tem esta valência desde 1985 e ainda não atingiu este número.
Os fóruns realizados em Novembro de 2007 e em Novembro de 2009 foram fortemente publicitados com placards publicitários 3mx8m, com isenção de pagamento de taxa, como de uma campanha política se tratasse e o apoio da comunicação social. A publicidade feita até hoje pela Abrigo leva as pessoas a pensar que já existe no Montijo uma associação que acolhe crianças em risco há muitos anos.
O Jornal Diário da Região do dia 9 de Setembro publicitava um novo fórum da Abrigo para o próximo dia 24 de Novembro, com fotografia do primeiro-ministro e com o título “CAVACO SILVA E PASSOS COELHO NA CALHA PARA O III FORUM ABRIGO” e com um subtítulo em que dizem que já têm participação confirmada: Pinto Monteiro, Marco António Costa, António Victorino, Bagão Félix, Manuel Lemos, Laborinho Lúcio e Manuela Ramalho Eanes, entre outros.
É minha convicção que a Abrigo se especializou em fóruns e no marketing para a sua promoção e que se esqueceu que foi criada para acolhimento temporário de crianças em risco entre o nascimento e os seis anos de idade.
A direcção da ABRIGO, em quase 10 anos, no tempo em que havia dinheiro, tanto no Estado como na sociedade civil e ainda com a facilidade com que os bancos emprestavam dinheiro, não conseguiu arranjar umas instalações provisórias para acolher as crianças, enquanto construía um edifício de raiz que nunca conseguiram iniciar, esperam agora que existe uma crise de consequências imprevisíveis a curto médio prazo conseguir milhões de euros para investimento. Não há dinheiro em lado nenhum nos próximos anos nem através do Governo, nem nas Câmaras nem na sociedade civil.
A Associação não fez, nem vai fazer nada pelas crianças nos próximos 10 anos. A não ser que arrendem ou consigam por empréstimo instalações para instalar as crianças.
Todas as Associações do Montijo fundadoras institucionais da ABRIGO nasceram e cresceram em instalações arrendadas e só dezenas de anos depois da sua existência e com trabalho feito tiveram instalações construídas de raiz.
A crise financeira e económica do país, da Europa e dos E.U.A, não apresenta sinais de deixar de nos apoquentar nos próximos anos, ninguém apresenta propostas de crescimento e a economia na Europa está outra vez a abrandar. É previsível que a ABRIGO não encontre forma de financiar um projecto de construção de raiz no valor de milhões de euros.
Penso que no próximo fórum, a realizar do dia 24 de Novembro, devia ser discutido se ABRIGO, actualmente, tem as mínimas condições de financiamento para levar para a frente um projecto de muitos milhões de euros para acolhimento de 109 crianças em risco dos zero aos seis anos.
José Bastos














