Será que as freguesias do Samouco e de Sarilhos Grandes vão desaparecercom a proposta do Governo para a reforma do poder local?
Por José Bastos
Montijo

Por Jornal Rostos
O documento verde da reforma da administração local, apresentado pelo Primeiro Ministro, Passos Coelho, pretende ser o ponto de partida para um debate alargado a toda a sociedade portuguesa, com o objectivo de no final do 1º semestre de 2012, estarem lançadas as bases para suporte legislativo.
O Governo propõe para debate um conjunto de regras no que se refere à extinção de freguesias que conduz ao desaparecimento de um conjunto de freguesias que considero um ataque ao poder local ,iniciado a partir da revolução do 25 de Abril de 1974. Não percebo esta má vontade contra o poder local exercido por homens que fizeram tanto pelas suas Terra em 35 anos de democracia.
Segundo o livro verde da reforma, são extintas as freguesias com área mariotariamente urbana ou predominantemente urbana que tenham menos de 5.000 habitantes e que fiquem a uma distância de menos de 10 kilómetros da sede do concelho.
A proposta do Governo acaba com uma boa parte das freguesias nascidas depois do 25 de Abril nos concelhos Alcochete, Moita e Montijo, por vontade das populações. Acompanhei os processos da criação de algumas freguesias no concelho de Montijo e sei bem do entusiasmo e da mobilização das populações para que no local territorial onde viviam, pela sua história e pelas vivências colectivas fosse criada a sua freguesia.
O Governo diz que não é uma questão de custos, mas sim de organização territorial. Conheço bem o que se passa nos concelhos de Alcochete e Montijo, sei que as freguesias são aquelas que as populações precisam, não têm dívidas para agravar o deficie e se alguma acabar é um insulto às populações ali residentes.
Se forem extintas, sem razão, freguesias dos concelhos de Alcochete e Montijo, constituirá uma grande desilusão para as pessoas ainda vivas que participaram nos movimentos para a sua criação.
Aliás, penso que se forem extintas as freguesias propostas pelo Governo, são mais uns milhares de pessoas que deixam de participar na vida pública, que hoje fazem parte das Juntas e Assembleias de freguesia.
Se o desaparecimento de alguma freguesia que foi criada depois do 25 Abril me preocupa imenso, não vejo nenhuma razão e sinto uma grande indignação se acontecer o desaparecimento das freguesias do Samouco/Alcochete e Sarilhos Grandes/Montijo.
Escrevo sobre estas duas freguesias, uma por ter nascido nos Pescadores/Montijo a 3 Km do Samouco e a outra Sarilhos Grandes por motivos da minha actividade política durante décadas no concelho de Montijo.
O Samouco tem identidade própria e raízes populares, pois trata-se de um aglomerado populacional conhecido desde o século XII, tem uma banda de Música (Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense), fundada em 1919, considerada de utilidade pública, tem coreto municipal, centro de saúde, escolas, igreja matriz, uma sociedade desportiva, associação de apoio a idosos, farmácia, comércio diverso e festas populares em honra da Nossa Senhora do Carmo e em 2004 foi elevada á categoria de vila.
Sarilhos Grandes tal como o Samouco também tem identidade própria e raízes populares muito fortes, a freguesia foi criada em 1848, tem uma banda de música, Academia Musical União e Trabalho de Sarilhos Grandes, com escola de música, fundada em 1898, tem a igreja de S. Jorge, coreto municipal, farmácia, banco, diversos restaurantes muito conhecidos, escolas básicas, comércio diverso, pequenas indústrias.
A freguesia de Sarilhos Grandes é uma das mais antigas do concelho de Montijo tem tido sempre uma grande actividade política na luta contra a monarquia pela criação da República e contra os regimes de Salazar e Caetano. É a única freguesia no concelho de Montijo onde a CDU tem maioria. É voz corrente que o General Humberto Delgado só não ganhou as eleições presidenciais na freguesia de Sarilhos Grandes, em 1958, porque houve chapelada.
Por tudo isto acho que o Governo, tem que ter um grande cuidado a tratar destas matérias de grande sensibilidade política, para as populações se não se quer arriscar a ter um levantamento popular.
José Bastos














