O debate de ideias melhora sempre a qualidade de vida de uma cidadePor José Bastos
Montijo

Por Jornal Rostos
O debate de ideias é fundamental na vida de uma cidade. Uma grande polémica, numa cidade sobre determinado facto concreto, torna mais viva a vida em comunidade.
Nas últimas duas décadas, houve no Montijo, algumas polémicas que puseram a população a pensar e a interessar-se pelos problemas da nossa Terra, independentemente das posições que tomaram.
O caso da construção das piscinas, a tentativa da implantação de uma estação de abastecimento de combustíveis no Borralhal, a construção de um prédio na Av. João XXIII, a construção de um prédio na Rua Luís Calado Nunes,nas traseiras do cinema, a tentativa da construção de 700 fogos a Norte da circular em frente do Modelo, as áreas de cedência das urbanizações do Borralhal, o desvio do trânsito no sentido Poente Nascente da rua José Joaquim Marques para a marginal Sul, a requalificação da Praça da República e a passagem do cais fluvial para o Seixalinho, contribuíram para grandes debates nos jornais locais e regionais.
Fui parte em todas as polémicas. Sempre defendi o interesse público durante os anos em que fui presidente da Comissão Política do PS de Montijo e vereador da Câmara Municipal. Aliás considero inadmissível que um autarca não ponha sempre, acima de qualquer outro interesse, o interesse público da comunidade.
É fácil discutir e optar na discussão da requalificação da Praça da República e na passagem do cais fluvial para o Seixalinho, ou na alteração do trânsito na Rua José Joaquim Marques, já não é tão fácil discutir assuntos na área do urbanismo onde os interesses públicos e privados chocam frequentemente.
Sei, por experiência própria, que numa terra pequena como é a nossa, em que toda a gente se conhece, um autarca pode perder um amigo de sempre se votar contra um projecto urbanístico ou uma edificação desse amigo.
Hoje, já não se discute o urbanismo porque se construiu mais do que era preciso e já existem casas para todos. Passou a época dos milhões e da especulação imobiliária dos gananciosos em que valia tudo.
A passagem do cais fluvial para o Seixalinho foi aquele que causou mais polémica. Dois abaixo assinados e a tentativa de um referendo.
Passados mais de dez anos sobre a passagem do cais fluvial para o Seixalinho, a experiência diz-nos que a qualidade de vida na cidade melhorou muito e que o PS tinha razão. Estou até convencido que perdíamos o transporte fluvial para Lisboa se os barcos não têm saído do cais dos vapores e se a Transtejo com a crise não tivesse dinheiro para dragar a cala artificial. No Seixalinho a cala é natural e tem 3,5m em baixa-mar.
A Transtejo está sem dinheiro e com muitas dívidas, a Câmara não tem dinheiro para investir em grandes obras nos próximos anos. Acabámos todas as infra-estruturas na cidade e em todas as freguesias do concelho, o urbanismo vai estar em decadência nos próximos anos, mas existem muitas matérias que merecem um grande debate de ideias, para que a vida no concelho continue a melhorar.
O que pensam os proprietários fazer dos terrenos que constituíram as antigas fábricas de Montijo? O que pensam fazer os proprietários das pequenas habitações degradadas e lotes que tiveram construção no cemtro da cidade? O preço dos terrenos para indústria com a aprovação da alteração do PDM? O que pode contribuir para a criação de emprego? Pode a comunidade fomentar o empreendorismo? O que pode a comunidade fazer para melhorar o ensino? Como fomentar a inclusão social? E o que fazer para fomentar o associativismo, a cultura o ambiente e o desporto? O que fazer para trazer ao debate os novos residentes no concelho? Para discutir todos estes assuntos de forma aberta é preciso ter vontade política e não recear inimizades.
Existem no Montijo milhares de fogos por vender novos e usados e tudo indica que o número vai continuar a aumentar com a entrega de andares aos bancos das pessoas que com a crise não têm possibilidade de pagar. O direito à habitação é um direito constitucional. Chegámos a um ponto que temos casas para todos, mas só o mercado não consegue resolver este assunto e o Governo ainda não disse uma palavra sobre esta matéria. Fala muito dos apoios sociais mas não se incomodam com as pessoas que não têm habitação. Uma das piores coisas que pode acontecer a uma família é ter que ficar na rua por não ter casa para morar. Embora seja matéria da competência do Governo este assunto também devia ser discutido na nossa comunidade onde existem muitas casas devolutas.
É necessário perguntar aos proprietários, de muitos milhares de hectares de terra ,de uso agrícola no concelho que não estão a ser cultivados, o que pensam fazer dos seus terrenos, agora que acabou a especulação imobiliária.
Os partidos políticos do concelho, são os primeiros responsáveis por apresentar propostas sobre os temas a discutir, mas todos os munícipes devem participar nestes debates. Hoje, mesmo sem sair de casa através da internet é possível participar nos debates.
O mundo mudou e nós temos que nos adaptar rapidamente.
José Bastos














