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Quotidianos

O Concelho da Barreiro, a região e o Congresso da FIEQUIMETALPor Hélder Loução Guerreiro

No concelho do Barreiro e na região, há propostas, há planos, há projectos ( Plano de urbanização da Quimiparque, Projecto do Arco Ribeirinho do Sul, Terceira Travessia do Tejo, Plano Estratégico Para o Desenvolvimento Económico e Social da Península de Setúbal )são exemplos concretos, havendo necessidade de se alterar as políticas em curso que já provaram não resolver os problemas económicos, financeiros e sociais, dando lugar a políticas que tenham como objectivo os interesses do desenvolvimento sustentado do país.

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O Concelho da Barreiro, a região e o Congresso da FIEQUIMETAL Por Hélder Loução Guerreiro

Por Jornal Rostos

A FIEQUIMETAL – Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Gráficas, Imprensa, Energia e Minas, pela sua constituição e pelo que representa, é sem dúvida uma das federações sindicais mais importantes do nosso País, do sector produtivo e de sectores e empresas estratégicas para o desenvolvimento económico e social do país.
A FIEQUIMETAL decidiu e vai efectuar o seu Congresso no o próximo dia 21 de Outubro, para naturalmente fazer funcionar a sua democracia interna, isto é, eleger a Direcção que vai tomar em mão a coordenação e dinamização do trabalho sindical nos vários subsectores de actividade, mas igualmente para avaliar, discutir e aprovar propostas, com os cerca de 350 activistas que vão estar presentes.
A razão porque pretendo realçar a realização e objectivos deste Congresso, ligando-o ao concelho do Barreiro e à região, prende-se com a avaliação que está presente no documento a apresentar para discussão e as propostas apresentadas, que assentam que nem uma luva, no que se passou e passa no concelho e na região, confirmando e reflectindo o conhecimento real das várias situações e as razões objectivas das propostas que a serem aplicadas teriam consequências positivas a nível dos vários sectores, nas regiões e a nível do País.
Sem pretender desenvolver todo o conteúdo do documento, o que não seria possível, nesta breve referência, tomemos alguns exemplos:
Diz o documento, abordando a política de desenvolvimento industrial, “ Nas últimas duas décadas o país cresceu pouco, sobretudo a partir de 2001,mas o desempenho industrial foi em geral ainda pior”, em relação ao desemprego/emprego afirma “ houve uma redução significativa de postos de trabalho, sobretudo a partir de 1999: menos 157 mil empregos entre este ano e 2008, situação que se agravou nos anos seguintes.”
Em relação ao Concelho do Barreiro, não pretendendo ir muito atrás no tempo, concretamente à década de 80, durante a qual se destruiu o aparelho produtivo e se lançou milhares de trabalhadores no desemprego, mas reflectido tempos recentes no sector produtivo, devemos relembrar algumas situações, por exemplo em 2009 o encerramento da fábrica de amoníaco (ADP) que produzia 1200 T/ dia e que levou ao despedimento de 152 trabalhadores (a partir dessa data importamos amoníaco), a paragem e destruição da CPB – Companhia Petroquímica do Barreiro que produzia resinas e polióis que chegou a empregar mais de uma centena de trabalhadores e no final lançou no desemprego 33, para além das dúvidas que pairam no ar actualmente, relativamente à Fabrequipa e a possibilidade de despedir cerca de 200 trabalhadores, relembrando igualmente as oficinas da EMEF ( sector ferroviário) e os seus cerca de 200 trabalhadores com a ameaça de encerramento e do desemprego.
Deve-se questionar sobre as causas do declínio industrial, se a região e o País precisa ou não de uma política activa e mobilizadora dos recursos nacionais e nomeadamente do saber e da experiencia do trabalhadores, ou como é que vamos responder às dificuldades actuais a nível do desenvolvimento económico e social?
Certamente não haverá dúvidas que são necessárias propostas, projectos, são necessárias políticas que se encaminhem para um efectivo desenvolvimento, que se aumente e se diversifique a produção dando prioridade a produções com maior valor acrescentado, que se substitua as importações com produção nacional nos mais diversos sectores de actividade, que se crie riqueza, mas que se tenha em conta a valorização do trabalho e dos trabalhadores, como parte integrante de uma política industrial activa e consequente, valorização que deve ter em conta a elevação dos níveis de remunerações, a garantia da estabilidade do emprego, melhoria das condições de segurança e saúde no trabalho., a promoção da negociação colectiva e o efectivo diálogo social.
O documento a apresentar no Congresso da FIEQUIMETAL e que vai ser discutido, contemplam propostas nos vários sectores de actividade, desde a industria extractiva à indústria transformadora, nomeadamente para a indústria química, sector farmacêutico, industrias metalúrgicas e metalomecânicas, fabricação de equipamentos eléctricos e de óptica, energia, sector automóvel e indústria gráfica e imprensa, propostas que devem ser levadas a sério pelos responsáveis da governação independentemente da sua cor política, do poder político, no sentido de reorientar as políticas a nível do Estado e do sector privado.
No concelho do Barreiro e na região, há propostas, há planos, há projectos ( Plano de urbanização da Quimiparque, Projecto do Arco Ribeirinho do Sul, Terceira Travessia do Tejo, Plano Estratégico Para o Desenvolvimento Económico e Social da Península de Setúbal )são exemplos concretos, havendo necessidade de se alterar as políticas em curso que já provaram não resolver os problemas económicos, financeiros e sociais, dando lugar a políticas que tenham como objectivo os interesses do desenvolvimento sustentado do país.
No actual quadro de crise do sistema capitalista mundial, com os reflexos comprovadamente negativos a nível da Europa, de Portugal, das regiões e nomeadamente do concelho, é necessário responder com resistência, com luta dos trabalhadores e das populações, cabendo aos Sindicatos desempenhar um papel fundamental e determinante na luta pela defesa das conquistas históricas dos trabalhadores e pela criação de alternativas ao actual sistema.

Barreiro, 13 de Outubro de 2011.

Hélder Loução Guerreiro
Dirigente do SINDICATO DOS TRABALHADORES DAS INDÚSTRIAS TRANSFORMADORAS, ENERGIA E ACTIVIDADES DO AMBIENTE.

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