Quando menos com menos não dá mais.Por José Assis
Seixal

Por Jornal Rostos
Em torno do OE para 2012 não se debate somente esse ano. Debate-se o futuro muito próximo e o futuro que vem a seguir.
Na verdade o ano de 2012 vai ficar na história como o ano de transição e definição. Transição porque já está visto que o caminho que a globalização está a tomar não é o melhor caminho, antes pelo contrário é o caminho errado e angustiante e, por isso, é preciso concretizar a mudança . De definição porque é importante e imperativo fixar que mudança se quer e que mudança vai ao encontro da satisfação das necessidades de uma sociedade civilizicionalmente moderna e evoluída capaz de aproveitar todas as comodidades inerentes à vertiginosa evolução tecnológica e do conhecimento mas que, paradoxalmente, aparenta estar a regredir em áreas essenciais que suposta e naturalmente deveriam estar em progresso.
O caminho da austeridade somada à austeridade e da corrente negativa associada a esse movimento, que só aproveita o oportunismo de circunstância e não a oportunidade da melhoria da qualidade de vida colectiva e individual, tem de ser interrompido, como impedida deve ser a via da falta de confiança entre os cidadãos e as instituições, incluindo as politicas e seus titulares. O movimento social dos indignados não representa por si só um perfil de pessoas zangadas como se questiona no Nytimes "room for debate " (http://www.nytimes.com/roomfordebate/2011/10/18/the-psychology-of-occupy-wall-street?ref=opinion). Representa, esse movimento social, um sentimento de (in)justiça natural manifestado informalmente e que deve colocar a reflectir e a decidir quem pode decidir.
Mas, com a globalização em crise, que significado pode ter o OE em Portugal ? Nenhum, pois tratam-se de valores irrisórios os do PIB português. Algum, pois trata-se de um país sob resgate financeiro. Muito, pois trata-se de um país da zona euro.
Ora, num momento de viragem, em que Durão Barroso censura um papel da banca que não seja um papel de contributo social, Cavaco Silva aponta as culpas da crise a todos os verdadeiros culpados e enumera as razões concretas com coragem em Florença, Christine Langarde assume que a alternativa é a economia a crescer e não é a austeridade e Belmiro de Azevedo alerta com a sua experiência de vida empresarial, o OE em Portugal torna-se no paradigma de um orçamento do ministério das finanças, por um lado, e por outro num orçamento onde o crescimento económico, assumidamente pelo primeiro ministro, não é uma preocupação, já para não falar no emprego. É um orçamento de emergência mas que lembra uma ambulância que, aflita para salvar o doente, por cada curva que faz em grande velocidade vai atropelando meia dúzia deles.
Um orçamento com uma agenda estritamente financeira. O alfa e o ómega do neoliberalismo. A vanguarda da resistência à mudança, entrincheirados num cantinho da Europa onde a modernidade não deveria chegar com atraso.
Em 2012 já a UE não vai estar assim nesse modo estritamente financeiro e a ambulância portuguesa, nessa altura, vai circular em contra mão. Vamos andar em contra ciclo e depois a sua correcção vai ser impossível.
Aos políticos não se pede que sejam visionários, mas uma certa capacidade de antecipação num caldo de coragem ajuda.
José Assis














