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Reformados lutam pelos seus direitos e pela sua dignidadePor Armando Morais
Moita

É importante conhecer o conteúdo da Constituição da República para perceber as obrigações do Estado para com os cidadãos e o país. E, também, para perceber a diferença entre os direitos e dádivas dos governos, como a oferta de medicamentos em fim de prazo e os restos de comida para os pobres.

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Reformados lutam pelos seus direitos e pela sua dignidade Por Armando Morais Moita

Por Jornal Rostos

No passado sábado, dia 22 de Outubro, realizou-se o Encontro Nacional das Associações de Reformados - MURPI na Baixa da Banheira, onde três centenas de participantes de quase todos os distritos do país debateram os problemas dos reformados, pensionistas e idosos. Assisti aos trabalhos, em representação do grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República,

O debate centrou-se nas mistificações do Governo sobre aquilo que considera “as pensões elevadas”, situações que nada têm a ver com o direito à reforma após uma vida de trabalho. Além de que essas reformas douradas atribuídas aos políticos, são um legado dos partidos que subscreveram a Troika e que ocultam que a generalidade dos reformados e pensionistas tem reformas baixas como resultado directo dos baixos salários e da desvalorização anual das mesmas.

O debate foi muito claro ao rejeitar os cortes nos valores das reformas e no subsídio de natal de 2011 e do roubo aos subsídios de natal e de férias em 2012 e 2013 aos reformados da Administração Pública. E também foi enérgica a recusa do aumento de impostos, directos e indirectos, sobre os reformados e o aumento dos preços dos bens e serviços essenciais (habitação, transportes, medicamentos, taxas moderadoras).

A carta dos avós aos netos, aprovada por aclamação, é um autêntico testamento de valores morais e éticos, como mostram estas passagens:

Queridos netos, depois desses tempos de trevas chegaram os dias luminosos do 25 de Abril, fruto de muitas lutas contra aquilo que parecia, como hoje, inalterável, ou como nos diziam “tem que ser assim, sempre foi assim…” Era uma maneira de dizer, como hoje - “não há alternativas”.

É importante conhecer o conteúdo da Constituição da República para perceber as obrigações do Estado para com os cidadãos e o país. E, também, para perceber a diferença entre os direitos e dádivas dos governos, como a oferta de medicamentos em fim de prazo e os restos de comida para os pobres. Nós sabemos bem a diferença entre direitos e medidas assistencialistas e, sabemos ainda melhor o conteúdo da palavra dignidade.

Queridos netos. Muitos de nós não temos heranças materiais para vos deixar. Temos um legado de saber e experiência, que nalguns casos levou a perdas de postos de trabalho, ou mesmo à prisão. (…) A juventude é a idade dos sonhos. É possível sonhar e alcançar sonhos que pareceriam inatingíveis, sonhos arrojados. Foi o que conseguimos na nossa juventude com a Revolução do 25 de Abril - o maior legado que deixamos aos nossos filhos e netos – a luta e os seus resultados!

O Encontro foi mais um dia de luta para estes homens e mulheres cheios de generosidade e capacidade de lutar pelos seus direitos e pelos direitos das futuras gerações. Obrigado.

Armando Morais
Membro da DORS do PCP

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