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Quotidianos

TRÊS FREGUESIAS DO CONCELHO DE MONTIJO (*)Por José Caria
Montijo

Decidi , com a ajuda do Jornal “Rostos” ,divulgar algumas notas (não exaustivas) sobre estas três das oito Freguesias do Concelho de Montijo .
O mérito vai todo para Joaquim Correia e Francisco Baldrico ilustres historiadores investigadores da história local (que contam,neste trabalho, com a minha vénia) .
Esta publicação fica a dever-se ao que alguém pretende para estas Freguesias com a denominada Reforma da Administração Local.

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TRÊS FREGUESIAS DO CONCELHO DE MONTIJO (*) Por José Caria Montijo

Por Jornal Rostos

Decidi , com a ajuda do Jornal “Rostos” ,divulgar algumas notas (não exaustivas) sobre estas três das oito Freguesias do Concelho de Montijo .
O mérito vai todo para Joaquim Correia e Francisco Baldrico ilustres historiadores investigadores da história local (que contam,neste trabalho, com a minha vénia) .
Esta publicação fica a dever-se ao que alguém pretende para estas Freguesias com a denominada Reforma da Administração Local.
Posteriormente divulgarei algumas notas sobre a Freguesia de Atalaia alvo também da proposta de Reforma.

1. Freguesia de Sarilhos Grandes

Criada por Alvará de 18 de Abril de 1848.
O referido alvará foi assinado por D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, Marquês de Fronteira e d’Alorna, que, à altura, era Governador Civil de Lisboa, dando assim origem à nova área administrativa do concelho, que tinha sido proposta pelo então Administrador do Concelho de Aldeia Galega.
Presume-se que o nome advenha do facto de em tempos ter existido próximo da localidade um moinho de maré, que demarcava a divisão entre as freguesias de Alhos Vedros e Aldeia Galega, pertencendo duas mós a cada, e que ao funcionarem davam a impressão de um sarilho em movimento, porque giravam agrupadas em sentido inverso.
As referências mais antigas a este lugar remontam a 1304, e dizem respeito às suas marinhas de sal e moinhos de maré. Até ao século XVI as notícias sobre o local indicam-no sempre como sendo uma aldeia pertencente à Vila de Aldeia Galega.
Em 1532, as rendas do sal de Sarilhos Grandes pertenciam às Comendadeiras de Santos, que desta forma viam aumentados os seus rendimentos. Os mesmos aparecem adstritos às Comendadeiras de Santiago ou Santos, porque os territórios pertenciam à referida Ordem, que assim assegurava o sustento das mães e irmãs dos cavaleiros espatários.
Atesta também a antiguidade do local a ermida quinhentista de Nossa Senhora da Piedade, actualmente anexa à Igreja de São Jorge, que remonta ao século XVI, mas que, no seu aspecto actual, é uma reconstrução do tempo de D. João V, cujas obras terminaram em 1740.
A ermida é uma obra do reinado de D. Manuel I, de estilo ogival e abobadada, contendo no seu interior um altar em brecha da Arrábida com vestígios de azulejos hispano-árabes. É coberta por um tecto de nervuras com um bocete no fecho e quatro estribos de bases recamadas e boleadas no suporte dos artesãos.
Esta ermida está ligada à família Cotrim, uma vez que no bocete do fecho se encontra o brasão de armas dos mesmos. Poder-se-á então deduzir que terão sido elementos desta família que a instituíram, porque no interior da ermida há uma
lápide sepulcral cujo campo epigrafado em letras góticas ostenta a seguinte legenda “Aqy Las Ruy Cvtrim de Castanheira Fidalgo da Casa de El-Rei Dõ Manvel I”. Existe ainda ao lado desta, uma outra lápide ostentando somente um escudo e uma espada, bem como vestígios de legenda que não permite a sua leitura.
Na Igreja de São Jorge existe também outra lápide sepulcral com a legenda “Aqui Ias Ant.º Cotrin de Mel.º Fidalgo da Caza Del Rei Nosso Sor. 1583” , o que atesta a importância desta família na terra, bem como a antiguidade da igreja.
Em 1786, a freguesia registava 77 fogos para 122 anos mais tarde, em 1890, registar já 174 fogos, o que indicia uma população de 799 pessoas, que, entre outras ocupações, trabalhavam nas várias quintas que rodeavam a povoação, de que se destacavam as do Arce, propriedade do Visconde de Ouguella e do Porto da Hortinha, do Visconde da Lançada.
Em 1910, com o triunfo da República, a pedido da Junta de Paróquia, o nome de diversas artérias foi mudado, pelo que a Avenida de São Jorge se passou a designar por Rua Almirante Cândido dos Reis, a Praça do Mercado por Avenida 5 de Outubro e as ruas da Piedade, Direita e Arieiro foram crismadas com os nomes de Dr. Miguel Bombarda, António José de Almeida e Machado Santos.

2. Freguesia de Alto Estanqueiro/Jardia

A Freguesia de Alto Estanqueiro-Jardia foi criada pela Lei n.º 82/85, de 4 de Outubro (Diário da República, I Série, n.º 229, de 4 de Outubro de 1985), tendo sido aprovada na sessão plenária da Assembleia da República de 9 de Julho de 1985, após parecer favorável da Câmara Municipal de Montijo de 1 de Agosto de 1984.
O seu território, com uma área de 10,82 quilómetros quadrados, foi desanexado da Freguesia do Montijo, e confronta, a norte, com as Freguesias de Afonsoeiro e de Atalaia, a nascente, com os concelhos de Alcochete e de Palmela, a sul, com o concelho de Palmela e a poente, com a Freguesia de Sarilhos Grandes.
Nascida da junção de dois lugares, Alto Estanqueiro e Jardia, pouco se conhece da sua história mais antiga, apenas que pertenceram à jurisdição dos cavaleiros da Ordem de Santiago, sediados em Palmela e, no reinado de D. Afonso V
(1438-1481), faziam parte da chamada “coutada velha”.
Quanto à origem dos topónimos Alto Estanqueiro e Jardia, apenas podemos adiantar algumas suposições: o termo “estanqueiro” estaria, certamente, relacionado com o comércio ou distribuição de algum produto em regime de monopólio (por exemplo, tabaco, pólvora, palha, etc.), sendo inúmeras as referências aos estanqueiros de tabaco para o antigo concelho de Aldeia Galega; o topónimo Jardia pode-se associar à flora, referida em documentos antigos, denominada de járdia (isto é, charneca de rosmaninho, alecrim, jóina, etc.).
Jardia já existia no ano de 1866, sendo referenciada, juntamente com Brejos de Lobo, como um dos lugares da Freguesia do Divino Espirito Santo do Montijo, numa lista de recenseamento de cabos de polícia enviada pelo Governo Civil de Setúbal para o Administrador do Concelho de Aldeia Galega (Arquivo Municipal do Montijo - Administração do Concelho, Correspondência recebida, ano de 1866).
Até meados do século passado, o território hoje pertencente à Freguesia de Alto Estanqueiro-Jardia era constituído, unicamente, por fazendas e terrenos agrícolas, abastecendo o concelho do Montijo com toda a espécie de produtos hortícolas.
O seu progressivo desenvolvimento urbano iniciou-se na segunda metade do século XX, aproveitando a proximidade com importantes eixos rodo e ferroviários de comunicação, como eram os casos da linha de caminho de ferro entre Montijo e Pinhal Novo (inaugurado em 1908) e as estradas nacionais que ligam a sede do concelho com o Barreiro, Setúbal e Águas de Moura.
Datam deste período algumas das obras mais importantes, ao nível das suas infra-estruturas: construção e pavimentação da antiga estrada de terra batida de ligação entre a Atalaia e o Alto Estanqueiro (decidida em reunião do executivo camarário de 25 de Fevereiro de 1954); os primeiros projectos de urbanização dos bairros do Alto Estanqueiro e da Boa Esperança datam de 1961 (ver actas da Câmara Municipal de 21 de Julho e 21 de Setembro de 1961); a electrificação da Jardia e do Alto Estanqueiro (reunião do executivo da Câmara Municipal de 1 de Setembro de 1967); a construção das escolas do ensino primário do Alto Estanqueiro, em 1955, depois remodelada em 1966, e da Jardia, em 1963.

3. Freguesia de AFONSOEIRO

A primeira referência conhecida à Quinta do Afonso Soeiro deAlbergaria, cuja localização se desconhece, remonta ao século XVI(1569), presumindo-se que a origem topónimo Afonsoeiro, seja acorruptela do nome do proprietário da referida Quinta.
A zona constituída por terrenos férteis cedo facilitou o aparecimento de diversas propriedades agrícolas, das quais se destacam a Quinta das Assentas ou Quinta Velha, propriedade de D. Luís Salazar, a Quinta do Casado, a Quinta da Lançada e a Quinta de Santo Amaro actualmente conhecida pelo nome de Robinson.
Destas destacam-se, pela sua antiguidade, a da Lançada, cujos primeiras referências remontam ao século XIII, e a da Santo Amaro que data do século XV.
Entre os proprietários da Quinta da Lançada contam-se Jorge Gomes Alemo, cujo
brasão se encontra ainda hoje no edifício principal da referida propriedade, que também pertenceu ao Comandante António dos Santos Fernandes, distinto Oficial da Armada, nascido em Aldeia Galega.
A Quinta de Santo Amaro destaca-se, porque um dos seus edifícios ostenta uma lápide epigrafada que faz referências a umas obras feitas nesse local por D. João, camareiro-mor do Duque, no ano de 1494, deduzindo, portanto, que aquele senhor seria o seu proprietário.
Presume-se que o Duque citado na lápide seja D. Manuel, futuro Rei de Portugal, uma vez que, de acordo com a data (1494), seria o único nobre com condições para possuir na sua casa funcionários com tal atributo, isto de acordo com os seus títulos e honras.
Como testemunho do seu passado rural pode observar-se na área da freguesia um moinho de vento e um moinho de maré. Com a instalação, em Aldeia Galega, nos finais do século passado, das primeiras indústrias corticeiras e, posteriormente, em 1908, com o aparecimento do caminho-de-ferro que ligava a então vila de Aldeia Galega ao Pinhal Novo, começou o lugar de Afonsoeiro a desenvolver-se, instalando-se ali diversas fábricas, das quais se destacava, pelas suas dimensões, a Mundet que ali se fixou nos anos vinte.
Este surto de crescimento foi acompanhado pela construção das primeiras casas nesta zona, destinadas a habitação dos operários, usualmente clandestinas. Com o passar dos anos aquilo que começou por ser um simples bairro periférico, tornou-se num dos pólos de desenvolvimento industrial do município.
Esta freguesia é constituída por cinco bairros: Afonsoeiro, Bela Vista, Alto das Vinhas Grandes, 1º de Maio e Charqueirão, com uma área total de 4,15 Km2.
A Freguesia do Afonsoeiro foi criada em 24 de Agosto de 1989 pelo decreto-lei n.º 39/89 de 24 de Agosto.

(*)O Concelho de Montijo tem actualmente oito Freguesias.

José Caria

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