FREGUESIA DE ATALAIA (*) - algumas NotasPor José Caria
Montijo

Por Jornal Rostos
Nos últimos três séculos , a literatura vem referindo este lugar de ATALAIA e o culto que lhe está arreigado.A Obra “ O Santuário Mariano” data de 1707 ; ainda no século XVIII Francisco Maria de Jesus Sarmento escreveu sobre os primeiros ROMEIROS que se dirigiam a ATALAIA ( ao monte de Atalaia) em Peregrinação ; Na obra “ A Relíquia” de Eça de Queiroz (1887) alude-se ao festivo dia de Agosto em que embarcam os Círios para a ATALAIA ; Em 1903 Fialho de Almeida deixou-nos descrição da Paisagem desfrutada do alto do Santuário da Senhora da Atalaia .
Localizados a cerca de quatro quilómetros da sede do município de Montijo e assente num monte sobranceiro ao estuário do Tejo, encontram-se a povoação e o Santuário de Atalaia.
A freguesia beneficiando da proximidade da Estrada Real, que ligava Lisboa a Badajoz, via Aldeia Galega, desde sempre viu passar monarcas e outras personagens ilustres que pretendiam alcançar a fronteira e o sul do país.
Ao intenso movimento de passageiros não se pode deixar de acrescentar o provocado pela fé e religiosidade das populações locais e dos arredores que, já no início do século XVI, se deslocavam àquele local, em peregrinação. O Santuário da Senhora da Atalaia é objecto de um culto em que os romeiros e festeiros são determinantes para o mesmo, e em alguns momentos da chamada “Festa Grande” a Igreja faz-se notar pela autoridade exercida.
A este Santuário e ao apelo da religiosidade, não se mostraram indiferentes alguns dos nossos monarcas e respectivas famílias, sendo alguns deles, particularmente, devotos da Senhora, como foi D. João V. No entanto, a última personagem régia a passar pela Igreja da Atalaia foi a rainha D. Maria II, em 5 de Outubro de 1843, acompanhada por D. Fernando e pelos filhos D. Pedro e D. Luís.
Curiosamente, esta data de 5 de Outubro que tinha sido de júbilo, registou 67 anos depois um movimento revolucionário ( República) que abalou temporáriamente parte da prática da religiosidade dos habitantes deste local e de vários peregrinos, que a ele afluíam: falamos de alguns Repúblicanos e do anticlericalismo que lhes esteve arreigado.
Veja-se o cruzeiro de gosto manuelino construído em 1551 com as suas imagens decapitadas, bem como o retábulo em talha do altar mor da igreja onde a coroa, que encima as armas reais se encontra partida. Atente-se também ao assalto realizado em 1912, após um comício efectuado em Aldeia Galega por Magalhães Lima, onde, a coberto da noite, alguns populares penetraram na igreja e rasgaram os paramentos, mutilaram as imagens e, entre outros excessos, acabaram por transportar as mesmas para as portas de duas tabernas da Vila.
Contudo, não se pense que foi só nos inícios da República a marca de traços nefastos na vida desta terra. As invasões francesas, no ano de 1808, originaram o saque da Igreja da Atalaia, pelos exércitos de Napoleão Bonaparte.
No entanto, os habitantes deste sítio e os peregrinos sempre souberam ultrapassar todas estas dificuldades, fazendo com que o espírito de religiosidade popular, que deu origem ao culto da Senhora da Atalaia, se mantivesse vivo, qual chama imorredoura, até aos nossos dias.
A Dr.ª Maria Amélia Antunes escreveu , na Nota de Abertura ao Livro da Professora Helena Barros “Monografia de Atalaia” (edição da Câmara Municipal de Montijo-Abril 2011) , “Atalaia é uma das Freguesias mais emblemáticas do concelho de MONTIJO” e a Professora Helena Barros , na Nota Final da Monografia, afirma “ O lugar da ATALAIA tem consigo uma história de 500 anos “ .
(*)Joaquim Baldrico “Resenha Histórica” ; Imprescindível (em nosso entender) consultar Helena Barros “Monografia de ATALAIA” edição da Câmara Municipal de Montijo-Abril de 2011 ; E , entre outros autores, Mário Balseiro Dias “O Culto a nossa Senhora da Atalaia” 1999 ,”Círios de Caramelos” 2000, “Círio dos Marítimos de Alcochete” 2002 ; Como
Também Maria Alfreda Cruz “ A Margem Sul do Estuário do Tejo,Factores e Formas de organização do Espaço (1973) e Maria Angela Beirante “Um Santuário de Romaria no tempo da Expansão”-F.L.Univ.Coimbra- 2003.
José Caria














