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A Banca Portuguesa também tem muito lixo!Por José Bastos
Montijo

O Montijo é um concelho médio, com 51000 habitantes e por aqui e noutros concelhos limítrofes, existe muito crédito mal parado e o valor das hipotecas é muito superior ao valor real das hipotecas aos bancos.

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A Banca Portuguesa também tem muito lixo! Por José Bastos Montijo

Por Jornal Rostos

A banca portuguesa necessita de dinheiro público, para aumentar os capitais próprios. Só o faz porque não consegue essas verbas junto dos seus accionistas e dos mercados.
Os comentadores de serviço, dizem todos que os bancos portugueses foram competentes e não têm lixo imobiliário ou outro. Até o Dr. Medina Carreira que acusa toda a gente, defende a gestão da banca.
Então, se foram competentes e rigorosos porque precisam do dinheiro do Estado? E os actuais accionistas que tanto se interessavam pelos aumentos de capital e agora não estão interessados? Ou suspeitam que a coisa esteja complicada?
Eu não penso como os comentadores de serviço. Penso até que muitos deles de uma forma consciente ou inconsciente estão ao serviço da banca.
Faliram dois bancos um por motivos criminosos que custou aos contribuintes cerca de 5.000 milhões de euros e o outro por má gestão. O BCP cujas acções valem à volta dos 10 centimos, também teve uma fase complicada com a substituição dos gestores. E os milhões de euros que os bancos emprestaram ao grande capital para comprar acções que hoje valem um décimo daquilo que custaram?
Então, o BPN, BPP e BCP, para os comentadores de serviço não pertencem à banca portuguesa?
Todos os comentadores dizem que não existe lixo tóxico nos nossos bancos (deles). Penso que existem muitos milhões de euros nos activos dos bancos, garantidos com hipotecas, sobre bens imobiliários que hoje têm um valor reduzido.
O Montijo é um concelho médio, com 51000 habitantes e por aqui e noutros concelhos limítrofes, existe muito crédito mal parado e o valor das hipotecas é muito superior ao valor real das hipotecas aos bancos.
Estão à venda na região milhares de fogos novos e usados, hipotecados aos bancos que não têm procura e as famílias mesmo que necessitem não os podem adquirir sem crédito bancário. Quem é que tem cem mil euros para comprar um andar a pronto?
Os prédios inacabados e abandonados por falência das empresas também estão hipotecados aos bancos. Muito deles tiveram inicio já com as empresas em grandes dificuldades financeiras.
Existem muitos lotes de terrenos urbanizados para construção, sem preço no mercado, que estão hipotecados aos bancos. Há terrenos agrícolas abandonados por todos os lados que foram adquiridos na perspectiva de ser conseguida uma grande mais valia com a vinda do aeroporto para a região.
Pediu a insolvência uma empresa de construção civil da região com dívidas de cerca de 125 milhões de euros, a maior parte à banca, com um património de cerca de 10 milhões de euros.
Sei de duas propriedades agrícolas que estão hipotecadas à banca por 200 milhões de euros, quando o seu valor real não ultrapassa os 20 milhões.
Uma empresa a quem foram penhorados bens que não valem 2 milhões de euros, tem dívidas aos bancos de 15 milhões de euros.
Também sei de uma propriedade agrícola que vale cerca de 250.000 euros e tem hipotecas e penhoras de mais de 30 milhões de euros.
Existem registos públicos de todas estas propriedades nas conservatórias de registo predial, com as respectivas hipotecas e penhoras.

José Bastos

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