A GrevePor Gonçalo Cardoso
Sesimbra

Por Jornal Rostos
No momento em que estou a escrever estas linhas, um movimento aproxima-se. Um movimento que é de direito, luta, que é de reivindicação, combate, sacrifício. A este movimento chamaram de Greve Geral, movimento que uns apoiam e outros condenam, movimento que uns criticam e outros subsidiam. Antes de iniciar a minha opinião devo expressar concretamente e claramente que não sou contra a greve e não sou contra os movimentos populares e não sou contra qualquer manifestação, posto isto, penso que estão reunidas todas as condições para poder prosseguir.
O direito à manifestação e o direito à greve, são direitos que foram conquistados com muito suor, sangue e lágrimas por inúmeras indivíduos e grupos por todo o mundo, não só no nosso país. A greve é a cessação coletiva e voluntária de trabalhadores de uma ou mais classes/ funções e tem como objetivo a obtenção de melhorias salariais, condições de trabalho, direitos ou evitar a perda ou o corte dos mesmos. Até aqui, cultura geral e penso que o consenso é inevitável.
Existem no entanto questões a colocar sobre este movimento, o movimento de dia 24 de Novembro especificamente. Falando do meu particular caso como habitante da margem sul do Tejo e funcionário na capital portuguesa, tenho que me cingir aos meios de transporte coletivos existentes, mas se os meios de transporte vão parar como é que vou trabalhar? Não vou e terei de fazer greve involuntária, eu e os milhares que fazem a mesma deslocação sul-norte que eu. Existem inúmeras formas de fazer greve sem prejudicar quem não quer fazer greve e eu até podia fazer deste artigo de opinião um livro de recomendações, mas tal deambulação da minha parte nunca seria ouvida pela classe sindical, a vontade de ter números irrealistas faz com que não olhem para o claro, para o objetivo concreto, preferem virar a cabeça e seguir as recomendações apontadas por alguns partidos políticos de índole menos séria que me recuso a nomear, mas que têm certamente um ligeiro travo comunista. Acredito que esta greve vai ser recordista na adesão aos olhos sindicais, 80, 90% digo eu, mas desses, só 10% vão estar na rua, os restantes vão estar em casa ou no centro comercial e os que sobram ou não têm meios para se deslocarem, ou serão poucos para assegurar os serviços nesta ou naquela instituição. Em altura de crise, esta greve que nos vai custar 280 milhões não se justifica, não nestes moldes, não desta forma.
Temos de assumir de uma vez por todas os nossos compromissos e ser responsáveis, não estamos na altura de pedir aumentos nem bónus, estamos na altura de trabalhar e produzir, para que daqui a um ano se possa fazer uma greve responsável, organizada e aí sim, pedir mais e melhor, cobrar sacrifícios, aí sim haverá moralidade, bases e dados para o fazer de forma correta, não no momento em que mais precisamos do trabalho de todos.
Gonçalo Cardoso
presidente da JSD Sesimbra e vogal na Comissão Política Regional da JSD Setúbal.














