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Quotidianos

O Vitória a Pluripar/BPN e a Câmara de SetúbalPor José Bastos
Montijo

Os 200 milhões de euros são só para o estádio ou também para construir habitação e comércio? E quem financia o projecto? O momento é difícil para todos, é bom sonhar, mas actualmente é proibido sonhar tão alto.

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O Vitória a Pluripar/BPN e a Câmara de Setúbal Por José Bastos Montijo

Por Jornal Rostos

Em Março de 2009, escrevi um texto , sobre a importância do Vitória para a cidade de Setúbal e para a região , que entre outras coisas dizia o seguinte:
“A cidade de Setúbal tem uma paixão pelo seu Vitória e a população sempre teve um grande entusiasmo com os êxitos do clube. Em 2005 quando o Vitória, já estava há muito tempo em crise, venceu a taça de Portugal, a população saiu à rua em massa, para festejar o êxito com os jogadores, equipa técnica e dirigentes.
A inauguração do estádio do Bonfim em 1962, foi um dos momentos mais altos da história do Vitória e da cidade de Setúbal. O estádio está situado num local de excelência da cidade, junto ao parque municipal, num terreno cedido em direito de superfície pela Câmara para actividades desportivas.
O estádio do Bonfim faz parte da memória colectiva e da história da cidade de Setúbal e contribuiu decididamente para os êxitos e o prestígio que o Vitória atingiu nas décadas de sessenta e setenta do século passado.
Há anos que o Vitória vive com grandes dificuldades financeiras e com dívidas enormes, só possíveis quando se gasta mais do que aquilo que se recebe.
Perante o descalabro financeiro as direcções à época em vez de tentarem equilibrar as contas do clube, optaram por ir vendendo terrenos dos campos de treinos, junto ao estádio,para ir mantendo o clube a funcionar.
Venderam todos os terrenos junto ao estádio, mas nunca sanearam as contas e continuaram com receitas inferiores às despesas.
A situação deficitária continuou e o único património que existia era o estádio do Bonfim.
Há cerca de 12 anos uma empresa imobiliária a Pluripar, com a Câmara e a direcção do Vitória, acordaram salvar o clube, adquirindo a imobiliária o estádio do Bonfim por um longo prazo, para ali construir um hotel de luxo,habitação e comércio, pagando anualmente uma renda-“
Em mais de dois anos e meio, nunca apareceu nenhuma entidade a esclarecer este assunto e as forças representativas das populações da cidade e do concelho (Câmara, Assembleia Municipal, juntas de freguesia, partidos políticos, deputados eleitos pelo distrito de Setúbal e outros), tem estado todas caladas. Um silêncio profundo que só foi quebrado pelo actual presidente do Vitória, Fernando de Oliveira, numa entrevista ao jornal “Diário da Região” de 21 de Novembro de 2011.
O presidente Fernando de Oliveira, queixa-se das dificuldades financeiras do clube, das penhoras e de falta de apoio das empresas e apresenta como solução mais uma vez o estádio do Bonfim. Ao fim de tantos anos o Vitória, o maior e o melhor clube de Setúbal, o único da região que milita na primeira divisão do futebol profissional, continua a depender da aprovação de um projecto na Câmara para a sua salvação. Já foram os campos de treinos. Há anos era no Vale das Rosas, agora é no Bonfim. Um projecto megalómano de duzentos milhões de euros.
Os 200 milhões de euros são só para o estádio ou também para construir habitação e comércio? E quem financia o projecto? O momento é difícil para todos, é bom sonhar, mas actualmente é proibido sonhar tão alto.
E a permuta com a Pluripar, a concessão para um longo prazo do estádio do Bonfim pela construção de novo estádio no Vale das Rosas em que a Câmara prescindia das taxas de urbanização para ajudar na construção. Tudo isto já está resolvido juridicamente? E as verbas adiantadas ao Vitória pela Pluripar pelas rendas da concessão?
Não foi por acaso que a Presidente da Câmara de Setúbal não foi ao jantar de aniversário do Vitória, existe uma grande trapalhada em todo este processso e uma meada tão embaraçada que ninguém lhe consegue encontrar a ponta. É urgente que alguém nos esclareça o que se está a passar, porque o BPN causou prejuizos aos contribuintes portugueses de mais de 5.000 milhões de euros. E há por aqui na região muita gente, normalmente “peões” que contribuiu directa ou indirectamente para o descalabro financeiro do BPN e para a situação dramática em que o Vitória se encontra.

José Bastos

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