EXPORTAR MAIS, COMO ?Por José Caria
Montijo
Parte substancial da internacionalização da economia faz-se com exportações .

Por Jornal Rostos
Ultrapassar a crise actual e, em simultâneo, iniciar uma trajectória de crescimento económico, com o objectivo de em 2015 se atingir um aumento do PIB, igual ou superior a 3%, para conferir sustentabilidade à economia e promover a convergência com a média europeia é desígnio nacional .
O Governo estabeleceu que um aspecto decisivo para o crescimento económico reside na reestruturação dos distintos serviços e organismos do Estado implicados na promoção e captação de investimento estrangeiro, na internacionalização da economia portuguesa e na cooperação para o desenvolvimento.
Parte substancial da internacionalização da economia faz-se com exportações .
Actualmente o peso das exportações no PIB é de 30,9%, considerando-se que a sustentabilidade da economia exige que o crescimento suba para um patamar que se aproxime dos 50% do PIB no horizonte de 2020 .
Uma análise ao tecido empresarial demonstra a existência de uma grande concentração da capacidade exportadora num numero restrito de empresas.
As grandes empresas e cerca de três mil pequenas e médias empresas representam, aproximadamente, 94 % do total das exportações portuguesas - correspondendo ás grandes empresas cerca de 60 % .
Se incluirmos na análise oito mil pequenas e médias empresas ficam de fora apenas cerca de três por cento do total das exportaçôes portuguesas.
Na estrutura empresarial portuguesa as PME constituem a esmagadora maioria do tecido empresarial, pois representam 96% das sociedades, pelos critérios conjugados de emprego e volume de negócios; e 99,8% das sociedades, considerando apenas o critério do emprego. No entanto, este conjunto não é homogéneo: 87% (315 mil) das sociedades são micro empresas, com uma dimensão média de 2 trabalhadores; 1,6% (5.900) são médias empresas, com uma dimensão média de 95 trabalhadores; e, apenas 0,2% (909) são grandes empresas, com uma dimensão média de 812 trabalhadores .
Há dificuldades na obtenção do financiamento - quer para o Investimento,quer para a gestão corrente - , há o aumento significativo dos Juros ,há a redução do Investimento público e privado ( com diminuição e retardamento de novas Unidades e Equipamentos ) e há a continuação de apreciação do euro face ao dólar e à libra,
que podem influenciar negativamente as exportações .
Há desarticulação das micro e da maioria das PME a nível da organização do mercado, o que impede uma estratégia integrada baseada no reforço da qualidade e da inovação e, bem assim, em factores sofisticados de competitividade, que lhes permitam afirmarem-se competitivamente no mercado doméstico, contribuindo para a redução de importações . Há a Insuficiente diversificação nos mercados intra-europeus, na medida em que quatro mercados (Espanha, Alemanha, França e Inglaterra), em 2010, representaram cerca de 81% das nossas exportações de bens para a Europa, agravando o já elevado grau de concentração das nossas exportações na própria Europa (70% do total) .
O comportamento positivo das exportações em 2010 e 2011 não deve ser sobreestimado .
Os resultados de 2011 correspondem sensivelmente aos resultados obtidos antes da crise ( resultantes maioritariamente de capacidades instaladas) podendo verificar-se, v.g., na indústria automóvel ;
Os resultados de 2010 e 2011 foram influenciados pela industria do papel e da petroquimica que, nas contas , têm grande impacto, bem como pela retoma do funcionamento pleno das Refinarias de Sines e do Porto .
É necessário conseguir trazer para o campo da exportação e da internacionalização uma faixa das PME bastante superior à actual.
É essencial considerar que o financiamento das PME é um factor crítico para o desenvolvimento da actividade e internacionalização destas empresas, as quais têm normalmente maiores dificuldades no acesso ao financiamento e, geralmente, com custos mais elevados.
José Caria














