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Quotidianos

Então bom dia Lisboa.Por José Assis
Seixal

Para já ficamos a saber que os chineses quando querem sabem ser democratas . Aliás a democracia é um sistema que só funciona quando se quer . Coligir as opiniões sobre os direitos humanos e a sua evolução e confrontar os seus autores com o agora seria exaustivo e despropositado.

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Então bom dia Lisboa. Por José Assis Seixal

Por Jornal Rostos

Sem a barba da sabedoria, de Confúcio, mas com o champanhe dos negócios modernos, a China entrou pelo sul da Europa. Numa pegada energética, num misto de pegada ecológica ( das energias renováveis) com uma maozinha financeira ( e quiçá económica que o silêncio do Álvaro tornou num mistério) para cá, e expansionista para lá, é legitimo questionar se quem entrou foi a China dos negócios ( da China) ou a China territorial e sem tempo que se possa medir com os tempos da actualidade, ou a China da espiritualidade histórica mas que ainda não reconhece o Tibet com as acções que se sabem de opressão contra o governo exilado, ou a China imperial num modo de pezinhos de lã.

Foi curioso ver o ministro Gaspar ( um dos três ministros- magos se associarmos a época actual com a tradição cristã - presentes na cerimónia da assinatura) a invocar a sino ancestralidade. Não ouvi a intervenção toda e não sei, por isso, se se referiu à experiência lusitana em Macau. Curioso, mais não seja para os estudiosos na matéria - porventura hoje desiludidos com as conclusões cientificas extraídas no encontro de Palenque, que rejeitou a profecia Maia que aponta o fim do mundo para 2012- o facto da aprovação da Three Gorges no concurso internacional de aquisição de acções da EDP ter ocorrido 12 anos e 1 dias após a devolução de Macau à China e no dia 21/12/2011,ou seja, um anos antes da materialização do destino profético.

Depois da revogação da doação territorial, que em nada mexeu com um dos fins do mundo já ultrapassados, veio a contratualização de compra de energia dias antes da conclusão cientifica de que o calendário Maia não tem sido bem interpretado. Uma agenda iluminada pela motivação .

A paciência chinesa coincidiu com uma numerologia interessante. A ancestralidade a que Vitor Gaspar se referiu é, com toda a certeza, bem mais longínqua que 1999. De todo o modo, tanto a entrega de Macau como a aquisição de acções na eléctrica portuguesa foram realizadas à beira de propagados fins do mundo. Em 2000 resistimos, em 2012 está mais difícil mas parece que os astros não nos irão trair. Mais um fim do mundo anunciado mas aliviado, no México, naturalmente com um encontro pouco badalado e em nada mediático como as cimeiras europeias, que nos vão dando pouca energia para continuar. Uma frase de bolso: "o que não nos mata torna-nos mais fortes". Poder-se-ia citar algumas de Confúcio mas ainda não é tempo ideal para o efeito.

Para já ficamos a saber que os chineses quando querem sabem ser democratas . Aliás a democracia é um sistema que só funciona quando se quer . Coligir as opiniões sobre os direitos humanos e a sua evolução e confrontar os seus autores com o agora seria exaustivo e despropositado. Diplomacia dos negócios é a politica na arte de fazer o que é possível fazer. Criticas foram bastantes quando só mesmo cá vieram comprar a nossa divida soberana ainda em tempos do anterior governo .

Mas a experiência luso-macaense pode merecer reflexão, quiçá mais aprofundada . Foi uma experiência em que o regime chinês assumiu a autonomia do território, em termos políticos, mesmo depois de este integrar o seu, sendo a prova de que o pragmatismo pode vencer a própria Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau. O pragmatismo do gigante do século XXI pode ir até a níveis insusceptiveis de projecção há duas décadas atrás. Os meios são essenciais para os fins numa versão orientalista de Maquiavel parece ser a nota maior do coro sino que não pára de alargar.
No primeiro dia do ano, assistir ao concerto costumeiro e também recordar os Rádio Macau . Então bom dia Lisboa.

José Assis

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