O acordo de concertação socialPor José Bastos
Montijo

Por Jornal Rostos
Temos dos salários mais baixos da Europa e a maior diferença entre ricos e pobres que cresceu nos últimos tempos. Os trabalhadores por conta de outrem pagam a totalidade dos impostos que são logo descontados no acto de recebimento.
Todos sabemos que no produto acabado o valor do trabalho anda à volta dos 15%/20%, por isso não vejo razão para este alarido em reduzir os custos do trabalho, pondo em causa conquistas conseguidas pelos trabalhadores nas últimas dezenas de anos.
Penso que as medidas agora aprovadas na concertação social pouco vão beneficiar a competitividade, porque os trabalhadores cada vez ganham menos e ficam desmotivados. E se os trabalhadores trabalham mais dias por ano vai aumentar o desemprego.
É preocupante o facto de centenas de médicos se estarem a inscrever para irem trabalhar para França, quando há centenas de milhar de utentes sem médico de família.
Há meses que só se houve falar na competitividade e na redução dos custos de trabalho para a aumentar, nunca se fala nos outros custos de produção: matérias primas, energia, custo do dinheiro, valor dos terrenos para instalar novas empresas, rendas de armazéns e de lojas, carros topo de gama dos empresários e das famílias, hotéis de cinco estrelas, viagens de avião em 1ª classe em serviço e em férias com a família, almoços e jantares em restaurantes de grande qualidade, tudo é posto nas contas das empresas.
E ainda ao facto das pequenas e médias empresas, cujos gerentes (empresários), não tem qualificações para a actividade que exercem, não admitem trabalhadores licenciados ao seu serviço e pouco se importam em ter capitais próprios. Vivem do crédito bancário e quando este se acaba abrem falência. E muitas vezes vão abrir novas empresas do mesmo ramo em nome de familiares ou amigos.
As empresas de construção civil estão na sua grande maioria falidas e com enormes dívidas aos bancos. Viviam só do crédito bancário e não tinham capitais próprios. O que fizeram ao dinheiro que ganharam nos anos que o imobiliário era um grande negócio?
É minha convicção que o acordo de concertação social agora assinado não resolve o nosso problema económico e causa até a revolta de muitos trabalhadores que não se revêem nas práticas da CGTP, porque o diagnóstico está errado, a nossa fraca competitividade depende muito mais de outros factores dos que os do trabalho. Se temos dos salários mais baixos de toda europa é fácil de perceber que os nossos preços não são competitivos com os outros países europeus por outros factores.
Sei de experiência vivida que os nossos pequenos e médios empresários são de facto é negociantes e muitos deles especialistas na fuga ao fisco.
José Bastos














