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Quotidianos

AVALIAR RISCOS PSICOSSOCIAIS PARA TRABALHAR MELHOR!Por Cristina Rodrigues e António Brandão Guedes

Os estudos que existem em Portugal confirmam as preocupações verificadas ao nível europeu, nomeadamente no que diz respeito ao stresse.«Os profissionais de saúde relatam níveis significativos de stress e burnout.

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Por Jornal Rostos

Pela primeira vez em Portugal um organismo do Estado, a Autoridade para as Condições do Trabalho, promove uma campanha de avaliação dos riscos psicossociais no trabalho. A decisão partiu do Comité dos Altos Responsáveis da Inspeção do Trabalho que concordou em realizar esta campanha inspetiva em 2012, tendo como principal objetivo desenvolver um conjunto de ferramentas para o controlo dos riscos psicossociais nos locais de trabalho.
Uma decisão que vem perfeitamente na linha do Acordo-Quadro sobre o stresse no trabalho, assinado em 2004 pelos Parceiros Sociais Europeus, e onde se afirma que se um problema de stresse do trabalho for identificado devem ser adotadas medidas de prevenção. O mesmo se refira para o outro Acordo sobre o Assédio e Violência no trabalho assinado em 2007.
Justifica-se esta preocupação? Sem dúvida! Basta ver que a Fundação Europeia para a Melhoria das condições de Vida e de Trabalho considera que o stresse no trabalho está entre as causas mais frequentemente relatadas de doença por parte dos trabalhadores, afetando mais de 40 milhões de pessoas em toda a União Europeia!
Com efeito, as mais recentes pesquisas desta Fundação mostravam que em 2005 cerca de 20% dos trabalhadores na EU-15 e 30% dos 10 novos Estados membros acreditava que a sua saúde está em risco por causa do stresse no trabalho.
Algumas profissões estão particularmente em risco não apenas nas doenças ligadas ao stresse mas também na exposição á violência no trabalho e ao assédio moral. A violência física real (de pessoas fora da empresa) foi experimentada por 8,4% dos trabalhadores da educação e saúde. O assédio foi relatado em particular na hotelaria e restauração com quase 9% dos trabalhadores e quase 8% na saúde.
A ACT escolheu precisamente o setor da saúde para realizar a Campanha em Portugal, focando a sua atuação na visita inspetiva para promover uma melhor qualidade na avaliação do risco psicossocial.
Os estudos que existem em Portugal confirmam as preocupações verificadas ao nível europeu, nomeadamente no que diz respeito ao stresse.«Os profissionais de saúde relatam níveis significativos de stress e burnout. O stresse ocupacional e o burnout nos profissionais de saúde apresentam-se como conceitos extremamente relevantes do ponto de vista social e individual, na medida em que, a sua ação negativa irá refletir-se em sentimentos de mal-estar por parte dos profissionais como também num mau desempenho da sua atividade, colocando em causa os seus pacientes.» (1)
Para aprofundar estas questões, nomeadamente do impacto do stresse, assédio e violência nas empresas e estabelecimentos do setor da saúde, a ACT realiza no próximo dia 6 de Março, em Lisboa, um seminário dirigido a inspetores do trabalho, técnicos da Administração Pública e profissionais de saúde de todo o país.

Cristina Rodrigues-Inspetora Superior da ACT
António Brandão Guedes, Técnico Superior da ACT

(1)Pereira J. e Outros ,Stress, Burnout e Desordens Emocionais em Profissionais de Saúde de Oncologia, Atas do VIIº Simpósio Nacional de Investigação em Psicologia, Universidade do Minho,Portugal,4 a 6 de Fevereiro de 2010.

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