Os Partidos Políticos têm que apresentar novas ideias para Montijo nas eleições autárquicas de 2013Por José Bastos

Por Jornal Rostos
Em 1998, escrevi um texto que abaixo transcrevo, na totalidade, com o título “O Futuro de Montijo”. Por essa altura tinha sido inaugurada a Ponte Vasco da Gama, ligando Montijo à capital e era eu Presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Montijo. O PS tinha ganho em 1997, as eleições autárquicas, com maioria absoluta e tínhamos uma equipa competente, honesta, coesa e com uma grande vontade política de executar um grande trabalho para a nossa Terra.
Tínhamos a convicção que aquilo que fizéssemos na área do urbanismo e do ambiente ia depender o futuro de Montijo. Escrevi este texto convicto de íamos cumprir tudo que prometemos às populações.
“Nos anos cinquenta, a maioria das pessoas vivia no meio rural. Nos últimos 30 anos, a situação inverteu-se e a maioria das pessoas vivem em zonas urbanas.
O êxodo dos campos para as cidades provocou o caos urbanístico na quase totalidade dos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa. A urbanidade e a cidadania ligadas à cidade desapareceram nestas zonas. O gosto pelas coisas da terra deixou de fazer qualquer sentido.
O concelho de Montijo, porém, dada a sua situação geográfica em relação a Lisboa, não sofreu aumento de habitantes, isto é, manteve um número de habitantes quase igual ao que tinha há 30 anos.
Agora, com a construção da Ponte, a cidade prepara-se para receber milhares de pessoas que para aqui vêm residir, atraídos pelas boas acessibilidades e pela qualidade de vida que desfrutamos na nossa terra.
A nossa cidade pode passar em poucos anos de 25.000 para 50.000 habitantes.
A responsabilidade dos nossos políticos é enorme e a população residente e aquela que chega todos os dias deve estar atenta e acompanhar tudo o que diga respeito à vida da cidade.
Todos temos uma responsabilidade acrescida, pois o futuro dos nossos filhos e netos dependerá muito daquilo que formos capazes de fazer no presente.
Só um poder político forte, actuando por convicções, independente do poder económico pode defender os interesses de todos.
A população deve ser exigente com os Partidos Políticos, para que estes recrutem autarcas honestos e competentes e que não capitulem perante o poder económico e outros grupos organizados. Nunca se esqueçam que quanto melhores forem os nossos políticos melhor será a nossa cidade.
É necessária uma grande mobilização das pessoas aqui residentes para os problemas do concelho e uma grande inovação das políticas para a cidade. A gestão da cidade do futuro não se faz com incompetência nem com amadorismos.
As coisas só estarão normalizadas quando nos orgulharmos dos nossos políticos. Disso não tenho dúvidas!
Temos que rever a rede de águas e de esgotos, electricidade, construção de espaços verdes, construção de avenidas e praças, passeios com calçada à portuguesa, placas arborizadas nas avenidas e instalar equipamentos urbanos de qualidade na via pública para criar na população o gosto pela cidade em construção. Em suma: uma cidade de qualidade para o século XXI.
A vida num concelho passa também por nos preocuparmos permanentemente com a educação, o desemprego, coesão social, ambiente, cultura, desporto, segurança, pobreza, solidão. Isto é tudo o que diz respeito ao nosso viver colectivo.
Para nós, as pessoas estão sempre primeiro, e o Montijo foi sempre um concelho inter-classista, em que as pessoas que viviam e vivem nos pátios tiveram sempre uma relação de amizade com aqueles que viviam na casa da frente da mesma rua. A cidade do Montijo tem que ser justa e solidária, a história do Montijo a isso obriga.
Não devemos instalar os mais carenciados na periferia e os que têm melhor recursos em condomínios privados. A discriminação não contribui para a existência de uma sociedade justa e harmoniosa.
Não existe o condomínio privado no nosso PDM (Plano Director Municipal). Mas existe na cabeça daqueles que querem valorizar as herdades e as grandes fazendas do nosso meio rural sem olharem para as consequências sociais da discriminação.”
Hoje, sou só militante de base do PS, não tenho qualquer cargo dirigente. No entanto, estou sempre disponível para servir a nossa terra e o meu Partido.
E da observação que faço sobre a política na nossa Terra leva-me a concluir o seguinte:
Os socialistas de Montijo que dirigiram a Câmara e a maioria das freguesias do concelho, nos últimos doze anos, fizeram muito mais do aquilo que prometeram;
Os autarcas exerceram o poder político por convicções e com total independência do poder económico, atingindo o estatuto “acima de toda a suspeita”. Não é coisa fácil. Para atingirmos os objectivos a que nos propusemos, tivemos que expurgar uma ou outra “erva daninha”;
O número de habitantes da cidade ainda não atingiu os 50.000 habitantes, mas cresceu muito. Nos últimos sensos em 2011, a cidade tinha 37.140 habitantes;
Temos todas as acessibilidade e infra-estruturas concluídas, incluindo o tratamento de esgotos de todo o concelho;
Projectámos a parte nova da cidade à semelhança da antiga. Isto é com praças, avenidas arborizadas, ruas largas com passeios de calçada à portuguesa, espaços verdes e prédios de muita qualidade;
Recuperámos todo o património edificado;
Temos parques de estacionamento grátis para todos no centro da cidade e um trânsito bem gerido que nos por permite circular à vontade;
Construímos escolas para o pré-escolar, ensino básico e 1º, 2.º ciclos e ensino profissional;
Construímos habitação social e fizemos obras de conservação das que já existiam;
Requalificámos a zona ribeirinha, a obra do século, e, com isso virámos a cidade para o Rio, acabámos com as cheias na zona baixa da cidade e criámos as condições para limpar o cais;
Construímos uma via rodoviária com grande futuro. A circular externa.
Por pensar que tudo o que se prometia há 20 anos, está executado, acho que os Partidos Políticos com representação no concelho, devem apresentar nos seus programas eleitorais para as autárquicas de 2013, novas ideias para o futuro.
O PS de Montijo, tem um grupo coeso de militantes e independentes que apoiam o Partido nas eleições autárquicas, pessoas bem conhecidas da sociedade montijense, competentes e dedicados à causa pública que têm obrigação de iniciarem já o estudo de novas ideias para o concelho, para fazerem parte do programa eleitoral para 2013.
Quando o PS ganhou as eleições em 1997, as propostas apresentadas ao eleitorado não estavam só no papel estavam também na cabeça das pessoas que se disponibilizaram para participar no projecto.
Os projectos a médio e longo prazo fazem-se com tempo e com a participação de todos. Só assim se consegue a mobilização das pessoas e prestar um bom serviço ao concelho.
José Bastos














