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Quotidianos

ALGUMAS IDEIAS DA OCASIÃOPor José Manuel de Oliveira Soares
Barreiro

Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Os cavalos de Tróia estão onde menos se espera. As últimas notícias acerca do Sr. Ministro da Economia têm-me preocupado. Já há quem peça a sua demissão. O Sr. que diz chefiar o PS parece não ser deste país, tão pouco deste mundo. É a economia estúpido. Não é feita pelo ministro nem pelo governo. É feita por nós.

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ALGUMAS IDEIAS DA OCASIÃO Por José Manuel de Oliveira Soares Barreiro

Por Jornal Rostos

Quando do meu último escrito fiquei “traumatizado”, como agora se vem dizendo. O comentário discordante que li deixou-me traumatizado, não pelo seu conteúdo que era pobre mas...por haver quem se preste a pombo correio fraquinho ou por haver tanta ignorância. É assim que vão enganando os portugueses. Mantendo-os na ignorância. Em 1956 Salazar criou a antiga 4ª. classe obrigatória para os rapazes. Em 1960 alargou-a às raparigas. Agora parece que vai ser obrigatório o 12º. Ano. Deve ser por isso que se chama à actual geração a mais qualificada. Ou será por Bolonha? Ou ainda pela certificação de competências à Socrates? Não sei. O que sei é que a generalidade das pessoas não pensa, não tem uma análise crítica ao que lê e ouve.
Bento de Jesus Caraça dizia não temer o erro, por estar sempre pronto a corrigi-lo. Foi a maior verdade e lição que aprendi quando entrei como aluno no ISE ( agora ISEG). Pena, que a maior parte dos nossos políticos actuais e anteriores não terem estudado neste grande Instituto de Economia.
Nesse artigo de opinião escrevia que grandes culpados, para além dos políticos, da situação que agora vivemos eram os bancos. Alguns não concordaram, outros não concordaram nem concordam e ainda outros nunca concordarão. É a vida.
Parece claro hoje, que as chamadas dívidas soberanas, pelo menos na dimensão agora verificada, surgiram por os Estados se terem visto “obrigados” a intervir para ajudar alguns bancos a não falirem. Veja-se o nosso BPN.Há vários Prémios Nobel de Economia a afirmarem-no.
Mais, o Sr. Presidente da Comissão Europeia, José Barroso afirmou na análise do que foi o ano de 2011, “que era altura de os bancos ajudarem a sociedade”. Sintomático. O Sr., pelo menos naquele momento, resolveu afrontar o poderoso sistema financeiro.
Coisa que o afro-americano, ou será americano-afro? Eu prefiro, como Luther King chamá-lo negro. Mas o que importa é que este senhor não afronta nem o sistema financeiro nem o lobby industrial-belicista. E se o tivesse feito já teria sido deposto ou morto. É a regra por aqueles lados.
Mas voltando ao afro-americano. Penso que não é só por questões racistas ou do politicamente correcto, que assim se diz.(?) Não, a verdadeira razão é que eles mais cedo ou mais tarde vão reeinvindicar a África como sua. Já se comportam como tal.
Veja-se a chamada Primavera Árabe. Eles manobraram tudo. Tal como com a AL-Qaeda. Primeiro alimentam-nos com comer e armas. Depois utilizam-nos como pretexto para intervirem.
Há três ou quatro semanas o Sr. Henry Kissinger, numa entrevista – coisa que há anos não dava – quando os jornalistas lhe perguntaram, se pensava que viria aí outra guerra, respondeu mais ou menos isto: “mas vocês andam distraídos, ainda não ouviram rufar os tambores?”. Esclarecedor.
O querido Obama da nossa chamada esquerda ainda não fechou Guantamano. Ainda não deixou de bombardear muçulmanos. Algumas cidades foram arrasadas com fósforo branco. Queima tudo.
Este é o país dos direitos humanos. Onde há algumas semanas foi aprovada uma lei que permite prender qualquer cidadão em solo americano ou estrangeiro. Basta que eles digam que é suspeito de acolher algumas destas ideias. Chamemos-lhe subversíveis.

Mas vamos ao nosso País.
PORTUGAL e não República Portuguesa como diz a Constituição, de alguns que não de todos.
PRIVATIZAÇÕES
Desde sempre que fui e sou defensor de que em sectores estratégicos para o País, o Estado, através do Governo, deveria manter uma posição que lhe permitisse salvaguardar o interesse nacional.
No meu entender, outros poderão ter outra ideia, estes sectores são o ENERGÉTICO (produção e distribuição), COMBUSTÍVEIS ( transporte, refinação e distribuição ), TELECOMUNICAÇÕES (gestão e distribuição ),ÁGUA (pelo menos a captação, uma vez que é um recurso natural e de todos),ALIMENTAR (pelo menos no que toca à produção de alimentação básica e ao transporte e aprovisionamento da que não podemos ou conseguimos produzir) e para terminar os TRANSPORTES ( aéreo, marítimo e ferroviàrio).
Vem isto a propósito da recente privatização final da EDP e da REN. Discordando, aceito-as. Penso que a situação a que nos transportaram nos últimos dez, onze anos não nos deixaram alternativa. O mais grave da situação, quanto a mim, é que a mesma é tão má, tão má, que não pode ser só derivada da incompetência dos executores e legisladores políticos – foram avisados por várias vozes e vezes dos perigos do caminho trilhado. Mais me parece ter sido orquestrada. Por outras palavras, parece ter sido planeada, ou seja, foi intencional.
Não penso que os chineses e os muçulmanos nos queiram vir a prejudicar no futuro. O que eles querem é ganhar dinheiro e adquirir de uma forma mais rápida e barata alguma da nossa tecnologia em termos de energias renováveis, em especial a tecnologia de integração dessa energia na rede eléctrica nacional. Para além, claro, de arranjarem um portão para entrar nos países onde se fala português. Penso que também irão arranjar financiamento às duas empresas.
Aceito estas privatizações e quaisquer outras, que possam vir a ocorrer, no pressuposto de que as entidades reguladoras – que é uma das funções básicas de uma democracia focada nos interesses da população – terão acautelado os interesses nacionais.
Mas, isto só, não chega. Há que aproveitar este interesse dos chineses e muçulmanos para melhorar a nossa economia no todo. Há que procurar que eles ajudem a abrir portas à exportação de alguns dos nossos produtos. Em especial aqueles em que somos praticamente autosuficientes, como o Vinho, Azeite e Cortiça.

DIVIDA EXTERNA COMERCIAL (exportações e importações)

As exportações é bom que crescam. Mas não nos podemos esquecer que por cada 100 € que pruduzimos em média 33 € são importados (combustíveis, matérias-primas e às vezes direitos de produção). Há casos em que este valor chega aos 80 %. Logo, há que procurar aumentar o valor acrescentado nacional e escolher bem os clientes. Estes têm de pagar – caso contrário sai produto, sai dinheiro para pagar as importações necessárias à produção e depois não entra dinheiro das exportações. Isto tem sucedido multiplas vezes, com efeitos negativos para o País. Perguntem à COSEC (seguros de crédito). Distorce as contas externas, pois contabilizam-se exportações que na prática é como se não tivessem existido. E as empresas exportadoras só contabilizam prejuizo. As importações que realizaram, a aquisição de serviços e produtos de terceiros, a mão-de-obra, os seguros de crédito e depois têm de devolver o dinheiro resultante destes seguros.
No que à exportação de serviços se refere, há que dar atenção ao turismo (criando nichos de mercado específicos – culturais, históricos – uma espécie de Guimarães 2012, abrangendo todos os distritos – de início os com maior pendor turístico - e com duração anual e perpétua), aos seguros de transporte e aos próprios transportes ( em especial ferroviários e marítimos) sai muito dinheiro do país por causa de seguros e transportes.
No outro lado da balança temos as importações. Estas têm diminuido e ajudado a baixar o défice comercial. Infelizmente, não por produzirmos mais (substituindo importações), mas porque não se investe e não se consome. E isto não é sustentável a prazo. A não ser que tenhamos desistido de crescer, o que não acredito, e de desenvolver a nossa sociedade. Há que aumentar produção que substitua importações.
A produção de bens primários e secundários são o sustentáculo de qualquer economia que defenda o interesse nacional

SEGURANÇA

Alimentar e não só. Há que olhar para as nossas reservas alimentares básicas (cereais e batatas) e energéticas. É que vêm aí dias muito dificeis para abastecimento.
A outra segurança é a externa. Espero que os nossos políticos não embarquem, nas teorias pacifistas que vigoraram a seguir à queda da República de Weimar (Chamberlain e quejandos) que desembocaram na II G.G.. Também esta preparada pelos ianques ( outra coisa não seria de esperar dos descendentes dos piores ingleses e irlandeses que navegaram no Mayflower) o que provaram ao enviar alguns cargueiros para a Europa, depois de publicitarem a sua saída de forma a serem interceptados e afundados pelos alemães ao atravessarem o Atlântico.
Apesar de hoje, na Europa, não serem necessárias armas destruidoras de bens materiais – estes interessam à alta finança que depois as adquirem a preço de saldo – estas são sempre necessárias como dissuasoras.
Acresce a isto o nosso pedido à ONU para aumentar o nosso território marítimo. Que passará a ser o 3º. maior no mundo. Em vez de 2 submarinos precisaríamos de 5. É a minha opinião.
E para a reforçar, começaram a aparecer algumas notícias de uma, para breve, Política Marítima Comum (PMC) da UE. A Política Agrícola Comum que criou e cria artificialmente benesses , por exemplo, à França e à Holanda, vacinou-me e ainda para mais com o receio que os nossos decisores políticos continuem a defender mal os nossos interesses.
PMC a que propósito? Há países da UE que nem mar têm. Há que ter atenção de futuro. È um assunto que todos deveremos seguir com atenção redobrada.

TRANSPORTES

Um país pequeno e frágil que importa 70 a 80 % do que come, tem que produzir mais e tem de salvaguardar o seu transporte, o mesmo se aplica ao petróleo e ao carvão. Há que olhar para a marinha mercante ( penso que neste momento, se existe, é residual). Não só para o transporte internacional, mas também para a navegação de cabotagem (entre portos do mesmo país) que permitiria substituir muito do transporte rodoviário e, porque não, reactivar estaleiros navais.
No que à ferrovia interessa, discordo do encerramento de linhas. Penso até que se deveria reactivar algumas das, entretanto desactivadas, e mesmo aumentar a nossa ferrovia, explorando a sua faceta turística.
Se descontarmos o investimento infraestrutural ( expropriações, carris e estações ), que os rodoviários não fazem ( talvez com a excepção das estações ), é o transporte que melhor garante a independênca nacional e o mais barato ( veja-se o exemplo da Suiça e dos EUA) e que nos pouparia muitos milhões de barris de petróleo.

ENSINO

Reformular do básico ao superior. Não podemos continuar a formar pessoas para o desemprego. O País precisa de um rumo, de uma estratégia, para que o ensino seja adaptado às necessidades do país. No ensino profissional tem-se perdido qualidade, ao contrário do que seria desejável. Quando apareceu o técnico-profissional, Salazar facilitou a acumulação de quem trabalhava ou dos reformados para o ensino técnico-profissional. Pensava que o saber-fazer era o ideal para este ensino. Socrates, para quem bastava ter um diploma, acabou com esta hipótese, ao impossibilitar os reformados da função pública de acumularem com recibo verde (parece que o IRS pago, entre 22 a 30 € por cada 100 € recebidos, por estes profissionais não fazem falta ao País).
Perde-se a passagem da experiência. A Lisnave, neste momento se lhe aparecer uma consulta para transformação de um navio ou qualquer outro meio marítimo (plataforma p.e.) tem de importar técnicos (pasme-se num país de marinheiros). Ainda há pouco tempo, a ATEC para substituir um professor Ten-Cor reformado da F.A. – especialista em electónica e automação- teve de contratar 3 professores mal acabados de sair da escola. Não, que não saibam, mas falta-lhes a experiência empresarial. Transmitem teoria e mandam fazer trabalhos em casa.
Pode ser bom (será?) para diminuir desemprego, um por três. Mas será que os alunos que saiem de lá arranjarâo trabalho de futuro.

BCE ( Banco Central Europeu)

Porque é privado ( os seus accionistas são o sistema financeiro privado e outras entidades privadas que não financeiras) não financia os Estados. Só os bancos. A 1% ao ano e a prazos que vão até 3 anos. Tem sido assim desde 2008. Há que alterar os seus estatutos ou então criar um banco da UE, em que os accionistas sejam os bancos centrais.

Para terminar, que já vai longo.
Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Os cavalos de Tróia estão onde menos se espera. As últimas notícias acerca do Sr. Ministro da Economia têm-me preocupado. Já há quem peça a sua demissão. O Sr. que diz chefiar o PS parece não ser deste país, tão pouco deste mundo. É a economia estúpido. Não é feita pelo ministro nem pelo governo. É feita por nós.
Vem isto a propósito do seguinte:
A desestabilização governamental tem de começar por algum lado. Este senhor, que já foi e é “ofendido” como emigrante, parece ser o elo fraco. Porquê? Teve o azar de querer ser tratado por Álvaro. Na “estranga” é assim. Só os médicos têm direito ao “Doc”. Mas a nossa ignorância neste caso deu para chincana política na AR, nos jornais e TVs.
Espero que esta não seja a estratégia para a alteração de Governo.
Não gostava, bem como milhões de verdadeiros Portugueses, de ver substituido o Primeiro-ministro com o argumento de uma qualquer menor coesão, por quem não votei, seja ele mesmo um qualquer Rei Mago.

José Manuel de Oliveira Soares
04Março2012

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