Igualdade de géneroPor Fátima Prior
Seixal

Por Jornal Rostos
Com um papel tradicionalmente de retaguarda, em que fica em casa, é responsável pelo cuidado e educação os filhos, gere as tarefas domésticas e a vida social do marido, muitas vezes promovendo as relações que lhe permite a conquista de objectivos na esfera dos “assuntos masculinos”, a mulher conquistou o reconhecimento da sabedoria popular que a elogia dizendo que “por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher”.
A história foi-se pautando por inúmeros momentos em que as mulheres viram os seus direitos e deveres limitados pelo seu género, e pelo papel que a sociedade espera que desempenhe. Foi-lhes limitado o acesso à educação e ao emprego, a mobilidade, foi negando o poder em matérias políticas e o acesso a cargos públicos. No decorrer do século passado, na maioria dos países ocidentais, foram reconhecidos legalmente iguais direitos e valores, terão mudado os comportamentos?
Um fenómeno que me faz colocar esta interrogação é verificar que no dia Internacional da Mulher algumas organizações, tradicionalmente governadas por homens, convidam uma mulher para assumir o mais alto cargo de chefia por um dia. Numa campanha de marketing que alguns devem crer genial, eu vejo um insulto ao meu género. Está esse cargo disponível para ser assumido por uma mulher apenas em dias comemorativos?
Cresci a acreditar que não vivo num mundo de homens ou de mulheres, mas de mulheres e homens, sendo que a ordem pela qual escrevo o substantivo deve ser considerada indiferente. O que havia de contar mesmo nos diferentes cenários em que se desenrola a vida é o percurso que cada um faz, as oportunidades que cria e aproveita, as características e competências que cada um desenvolve. Em suma, aquilo que fez do que é, e não o que está inscrito no seu ADN desde os primórdios da sua existência.
Os direitos e deveres que assistem a um cidadão não devem ser condicionados pelo seu género, mas pelo seu mérito, trabalho e empenho. Ser mulher não deve ser uma fragilidade, na mesma proporção que ser homem não deve ser uma força. São características intrínsecas ao ser humano, que o condicionam de diversas formas, que o caracterizam, mas não o diminuem ou acrescentam em valor.
Fátima Prior














