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Quotidianos

JUVENTUDE - ALGUNS PONTOSPorJosé Caria
Montijo

Onde investir ? ; em cinco domínios, a saber, Tratar e educar a primeira infância , investir na Saúde desde a infância (o que se repercutirá no individual,nas Famílias, nos sistemas de protecção social), na Educação , no Emprego e no exercicio activo da Cidadania .

5 min de leitura
JUVENTUDE - ALGUNS PONTOS PorJosé Caria Montijo

Por Jornal Rostos

Três pontos a reflectir e actuar : o primeiro é a necessária reorganização do pacto que se aplica entre gerações ; o segundo é a necessidade de uma maior participação das organizações da juventude e de juventude nas decisões que dizem respeito aos jovens ; o terceiro diz respeito ás caracteristicas principais duma estratégia de investimento com e para os jovens , com e para a juventude .

O compromisso actual entre gerações tornou-se desfavorável para os jovens ; os jovens concentram uma série de desvantagens no momento de acesso a uma vida autónoma ; estas desvantagens resultam da globalização e da evolução demográfica ; a evolução demográfica tem uma incidência negativa sobre o lugar dos jovens - a proporção de jovens diminui e diminuirá ; como assegurar que a juventude transformada em minoria numérica não se tornará numa minoria com acesso a menos oportunidades que outros grupos da sociedade ?
Ser jovem é e será um risco social que merece a refundação dos nossos subsistemas de protecção social ? Cada vez mais jovens procuram emprego e cada vez mais jovens se encontram em risco de cair na pobreza.
É necessária a “releitura “ das condições da solidariedade intergeracional ; os nossos subsistemas de protecção social têm de ter em conta, cada vez mais , a evolução dos riscos sociais evidentes .

Pela primeira vez , desde há muitos muitos anos, a juventude actual está confrontada com condições de vida mais desfavoráveis que as gerações precedentes ; A questão do desenvolvimento de oportunidades para a juventude tornou-se numa questão de desenvolvimento sustentável e durável para nós ( e não só) ; as despesas per capita entre
pessoas idosas e pessoas jovens pode e deve ser revista face às vulnerabilidades actuais dos jovens .
Algumas escolhas políticas destes ultimos decénios privilegiaram políticas com algum voluntarismo para o aumento do número de estudantes : - tendo aumentado a participação dos jovens nos estudos somos , lamentavelmente, confrontados com o paradoxo dos jovens nunca terem sido tão bem formados e,simultaneamente,nunca ter sido tão dificil a sua inserção social .

A adequação das qualificações adquiridas no sistema escolar com as exigidas pelas empresas deve ser uma prioridade entre prioridades ; para isso é importante a orientação individualizada antes do términus da escola obrigatória e ao longo da vida ; também a revisão dos Programas escolares e universitários com acordo dos representantes dos
alunos, da sociedade civil, das empresas ; a valorização das fileiras profissionais e a definição de estatuto(s) para os jovens estagiários é necessária ;
Os jovens desfavorecidos devem ser alvos de inclusão mediante melhores políticas transversalizadas ; a exclusão dos jovens deve ser vista como uma anomalia da nossa sociedade que prova a nossa incapacidade passada e presente para oferecer as mesma possibilidades à partida a todos os membros da sociedade ; restabelecer a igualdade de
oportunidades é prioridade entre prioridades .

A Juventude , como o mostra a idade dos decisores políticos e económicos , está menos representada que outros grupos nas instâncias de decisões socioeconómicas e políticas ; Procuramos hoje soluções para facilitar a transição entre educação e emprego ; a aquisição de qualificações é prioridade ; recorrendo-se à educação não formal alimentamos um modo de educação participativa , organizada no quadro de diversas organizações , permitindo alargamento da aquisição de aptidões e competências ( interpessoais, de equipa, organizacionais,gestão de conflitos, de direcção, de planificação, de organização, de coordenação e de solução prática de problemas,de disciplina, de responsabilidade...) que ajudam a entrada no mercado de trabalho - daí a necessidade de mudanças nalguns
quadros legais !!!...

Organizações de juventude podem e devem ser mais chamadas intervir face à insuficiência de representatividade real dos jovens ( por culpa de outrém) em instâncias socioeconómicas e políticas ; a valorização das organizações de juventude e a construção de compromissos e parcerias com elas podem permitir á decisão pública nacional,regional
e local melhor reflectir interesses,anseios e aspirações justos dos jovens - melhor que ninguém conhecem as aspirações dos jovens e a capacidade de mobilização por forma a promover a cidadania activa no conjunto dos jovens .
Por último , um terceiro ponto, o investimento pela e para a juventude , no capital humano e social da juventude ;
Porquê investir ? ; Onde investir ? ; Como investir ? ;Quem deve investir ? ; Porquê investir ? ; Investir por quatro questões interdependentes ;para evitar desfuncionamentos que são o abandono escolar,o desemprego desproporcionado, as manifestações de descontentamento com efeitos negativos ; para reorientar os esforços do
Estado Social para novos riscos com os quais se confrontam as populações - subdesenvolvimento de crianças , de crianças pobres, rupturas familiares, mães solteiras ; para favorecer um equilibrio geracional ; para preparar um futuro socialmente sustentável, inclusivo, participativo .
Onde investir ? ; em cinco domínios , a saber, Tratar e educar a primeira infância , investir na Saúde desde a infância (o que se repercutirá no individual,nas Famílias, nos sistemas de protecção social), na Educação , no Emprego e no exercicio activo da Cidadania .

Como investir ? ; como princípios , diremos ,perante rarefacção de despesas públicas e da rentabilidade da acção política, investir o mais cedo possível , investir para eliminar a pobreza desde a primeira infância,combinar harmoniosamente objectivos económicos e sociais ( investir na juventude permite combinar equidade e eficácia) , coordenar os investimentos feitos em domínios diferentes com enfoques integrados,coordenados,tendo
em conta interacções noutros domínios .
Quem deve investir ? ; Os jovens, eles próprios, mediante esquemas de apoio do Estado Social (no sentido do “ empowerment “ dos individuos ) , as Famílias certamente , as autarquias locais e regionais ,as instituições nacionais e regionais , as I.P.S.S.(s), a economia social ,Empreendedores Privados .
Investir mais e melhor na Juventude .

José Caria ( Março 2012 )

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