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Quotidianos

Agregação das freguesias, Azeitão um pau de dois bicos.Por Carla Machado
Setúbal

O passado revela que com duas freguesias a eficiência do poder autárquico ficou àquem do expectável, por falta de meios, de orçamento ou mesmo de vontade, criando disparidades na actuação autárquica em determinadas áreas, canalizando os recursos apenas em algumas zonas das freguesias.

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Agregação das freguesias, Azeitão um pau de dois bicos. Por Carla Machado Setúbal

Por Jornal Rostos

Com a reforma administrativa autárquica na ordem do dia, o debate instala-se nas freguesias de São Lourenço e de São Simão, cujo poder autárquico se encontra dividido, espelhando opiniões divergentes longe de se tornarem consensuais.
Azeitão contempla uma vasta área territorial, constituída por zonas rurais, urbanas e áreas protegidas que dizem respeito ao Parque Natural da Serra da Arrábida, pertence ao concelho de Setúbal, mas localiza-se a mais de dez quilometros da sede de concelho.
Muito mais que o seu território Azeitão vive da sua história e das suas gentes, aparentemente uno, mas na realidade é a soma de vários lugares. Contrastando com a consolidação urbana da cidade de Setúbal, em que o limite físico das freguesias não se faz sentir pela população.
Chegou a hora de reflectir o destino da organização administrativa de Azeitão, e ponderar os prós e os contras da agregação das freguesias.
Se por um lado levanta-se a bandeira da união, por outro exalta-se o sentimento de pertença à freguesia onde se reside, argumentando-se com os factos e o relevo histórico que cada freguesia comporta, sentimento esse que se vive um pouco por todo o país, numa perspectiva emocional.
Para analisar a questão, é necessário perceber as realidades políticas, económicas, sociais e territoriais de Azeitão.
O passado revela que com duas freguesias a eficiência do poder autárquico ficou àquem do expectável, por falta de meios, de orçamento ou mesmo de vontade, criando disparidades na actuação autárquica em determinadas áreas, canalizando os recursos apenas em algumas zonas das freguesias.
Factos esses, que questionam sobre a legitimidade e a eficiência de uma única freguesia em Azeitão. Porque se com duas freguesias encontram-se disparidades na actuação autárquica, com uma e se o poder instalado permanecer com o seu modus operandi, corre-se claramente o risco da vontade política canalizar os meios unicamente para a zona histórica de Azeitão e a sua envolvente mais directa, “esquecendo” Vendas, Brejos de Azeitão e respectivas aldeias anexas.
A concentração de recursos longe da sua residência é uma preocupação que se faz sentir entre a população de Azeitão.
Assim sendo, caso o poder autárquico se concentre exclusivamente em Vila Nogueira de Azeitão, numa localidade em que os transportes são escassos e em que a população é predominantemente idosa, é difícil de aceitar que têm de se deslocar a mais de cinco quilometros para poderem usufruir dos serviços autárquicos a que têm direito enquanto cidadãos.
Nesta perspectiva, a bandeira da união não passa de uma falácia enquanto existir uma balança que tende para consolidação de um poder instalado que nunca entenderá Azeitão como um todo e sem bairrismos.

Carla Machado
Secretária-geral JSD Setúbal

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