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Em defesa dos valores éticos e contra a corrupçãoPor Madalena Alves Pereira
Barreiro / Setúbal

Não se trata de exigir que a conduta ética seja praticada por santos ou heróis, trata-se sim de exigir dos responsáveis políticos uma actuação pública com regras de conduta capazes de defender o bem comum, os dinheiros públicos dos interesses ilegítimos privados ou de grupo.

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Em defesa dos valores éticos e contra a corrupção Por Madalena Alves Pereira Barreiro / Setúbal

Por Jornal Rostos

António José Seguro defendeu e fez aprovar na sua moção de estratégia com que se candidatou a secretário-geral do PS intitulada "Novo Ciclo para cumprir Portugal", que "a política não deve servir para ganhar dinheiro".

Na mesma moção, com que me identifico totalmente, o nosso secretário-geral assume a defesa da ética na política e o combate à corrupção, uma maior transparência na gestão dos dinheiros públicos e uma maior separação entre política e negócios.

Não podia estar mais de acordo com a defesa destes valores éticos.

Na verdade, o sistema democrático está hoje confrontado com a necessidade de recuperar os valores originais do pensamento democrático e lutar para instituir nos partidos e nas instituições sociais e económicas referências éticas. Transformar as instituições políticas e administrativas, incutindo-lhes os valores da equidade, da justiça social e da solidariedade é um dos desafios mais nobres e humanistas com que se confronta o sector público e privado.

Um político honrado não pode deixar de assumir a defesa dos valores éticos e do combate à corrupção, manifeste-se ela da forma que se manifestar.

Não se trata de exigir que a conduta ética seja praticada por santos ou heróis, trata-se sim de exigir dos responsáveis políticos uma actuação pública com regras de conduta capazes de defender o bem comum, os dinheiros públicos dos interesses ilegítimos privados ou de grupo.

Ao assentar as suas raízes na ética, a democracia exige dos políticos dedicação, seriedade, rigor e responsabilidade, de forma a defender, intrinsecamente, os interesses dos jovens, das mulheres, dos mais necessitados e da população em geral.

Não é possível defender os valores éticos e, em simultâneo, dormir descansado com as elevadas taxas de desemprego, a distribuição desigual dos sacrifícios ou a falta de esperança no futuro.

Para além da existência de códigos de conduta ética é indispensável um ambiente público e privado de transparência no relacionamento concreto entre a vida pública e privada, entre os interesses públicos e privados. É fundamental dotar o sistema educativo de condições necessárias para a formação de uma ética da cidadania, de forma a aprofundar os valores da liberdade, da democracia e da responsabilidade.

A própria participação dos militantes e dos cidadãos, que muito prezo, só é possível estimulando, promovendo e criando um ambiente propício à formação de cidadãos esclarecidos e capazes de contribuírem, com rigor e seriedade, para a promoção do bem comum.

Ganhar o futuro passa, precisamente, por ser capaz de dar voz à cidadania, a começar pelos próprios partidos, passa por aproveitar as competências pessoais de cada um (seja muito ou pouco conhecido), passa por estimular o sentido crítico e uma actuação política norteada por valores éticos.

Só desta forma poderemos dar um forte contributo no combate à corrupção, que não é mais nem menos do que uma das manifestações da falta de valores éticos.

Madalena Alves Pereira
Candidata à Presidência da Federação de Setúbal do Partido Socialista

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