Saltar para o conteúdo
Quotidianos

“É urgente mudar!”Por João Saramago Tavares
Moita

Desde o ponto de vista histórico, político, social e cultural Portugal é uma realidade indiscutível, por isso a ideia, demasiadas vezes repetida, de não termos remédio é resultante de muito dogmatismo, de muita ignorância e de interesses particulares internos e externos.

4 min de leitura
“É urgente mudar!” Por João Saramago Tavares Moita

Por Jornal Rostos

O nosso país vive um momento de extraordinária dificuldade.
Todos sabemos, mas a maioria de nós não quer ver, nem sequer olhar porque, nestes últimos anos, nos deram de bandeja uma série de “rebuçados” de recheio delicioso ao paladar no momento inicial mas com consequências terríveis passado algum tempo.
Presentearam-nos com um conjunto de facilidades que envenenaram o nosso futuro e o dos nossos filhos.
Presentearam-nos com um ovo de páscoa de bom e saboroso chocolate que comemos avidamente e que depois nos trouxe e vai trazer dores de barriga cada vez maiores no futuro próximo.
Muitos de nós temos a facilidade de culpar isto ou aquilo, mas o que é certo é que todos nos deixamos embalar nesta onda de facilitismo, o estado, as famílias e cada um por si. Qual veneno inebriante fêz-nos assumir aquilo que não somos, a gastar aquilo que não temos, a deixar que nos pagassem para não cuidar do que é nosso, ou seja, a tornarmo-nos dependentes.
Tudo isto fez de nós uma sociedade pouco comprometida e débil e ao primeiro contratempo lançamo-nos a protestar, a denegrir, a difundir o que é mau, em vez de procurar soluções.
Há tanta coisa boa neste País que teimamos em não ver, ouvir ou divulgar esquecendo que são as “coisas boas”, as potencialidades que fazem sonhar mais alto. E como dizia o poeta, o sonho comanda a vida.
Onde está o espírito português dos nossos nove séculos de História como país independente?
Onde está a consciência nacional que enfrentou de peito aberto, muitas e variadas crises e fez de nós “senhores do mundo”?
Hoje, diante este novo desafio é imperioso assumir o compromisso de procurar e encontrar o melhor de nós mesmos e darmo-nos todos em comunhão na construção de uma sociedade mais forte, mais irmã e muito mais solidária. Lembremo-nos que juntos seremos mais e melhores do que cada um para seu lado e valorizar o que temos em comum é tão importante como potenciar as idiossincrasias de cada um. A unidade está para a prosperidade como o sectarismo está para o aumento da pobreza.
Deixar cair de vez o negativismo é também algo importante e urgente.
Qual teria sido o efeito se os nossos navegadores dos séc. XIV, XV ou XVI tivessem ouvido os “velhos do Restelo”?
Não teríamos passado da cepa torta, ou seja, teríamos ficado restringidos a este cantinho na parte mais ocidental da Europa.
Mas eles sonharam mais alto e legaram-nos um País Maior que modelou o mundo, de oriente a ocidente e de norte a sul.
É este País que não podemos deixar cair, que temos a obrigação de passar aos nossos filhos e aos nossos netos, pleno de vitalidade e de bem estar.
É necessário, imperioso e urgente que a criatividade e o trabalho de cada um de nós torne este país sustentável.
Desde o ponto de vista histórico, político, social e cultural Portugal é uma realidade indiscutível, por isso a ideia, demasiadas vezes repetida, de não termos remédio é resultante de muito dogmatismo, de muita ignorância e de interesses particulares internos e externos.
Esta canção de sereia que nos têm consolado e até adormecido tem de chegar rapidamente ao fim, para que as nossas dores de alma terminem.
As nossas raízes são construídas de outra coisa, sabemos que ser “Português” é construir, é trabalhar, é capacitar a função de cada um como a mais importante. O trabalho de todos é preciso!
Em conjunto, valorizando tudo e todos e cantando como Camões os nossos feitos e as nossas potencialidades/capacidades vamos construir um “Portugal sustentável” e “um Portugal Maior”.

João Saramago Tavares

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção