ISTO ESTÁ DEMAIS.......Por José Manuel de Oliveira Soares
Barreiro

Por Jornal Rostos
Não quero fazer comparações. Só pretendo que os meus leitores, se os tiver, constatem factos e pensem um pouco sobre o que nos está a acontecer.
Em 2 de Maio de 1933, Hitler, segundo William Shirer ( Rise and Fall of the Third Reich) terá dito ou escrito o seguinte (“devemos encerrar as sedes dos sindicatos, confiscar os seus bens,mobiliários e imobiliários, e prender os seus dirigentes. Devemos reduzir os salários e eliminar o direito à greve”).
Isto na sequência de uma sua afirmação em 4 de Janeiro de 1933, em que terá prometido a banqueiros e industriais “quebrar o poder dos sindicatos”.
Há quem diga que não foi assim.
No entanto, Goebbels, na noite de 1 de Maio de 1933,( dia de uma grande concentração de sindicalistas em Berlim patrocinada e convocada por Hitler) terá escrito no seu diário “amanhã ocuparemos as sedes dos sindicatos. Haverá pouca resistência”.
Há quem discorde destas afirmações. Verdade, verdade é que, em 2 de Maio, as sedes sindicais, por todo o país foram tomadas, fundos confiscados, sindicatos dissolvidos e dirigentes presos (ibid).
Estas acções foram sendo implementadas até 1938.
Porquê estas constatações?
Logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, houve quem prometesse quebrar a espinha dorsal à reacção.
Agora, no país da liberdade e dos direitos humanos, em que em tempos de “paz” se aprovou uma lei marcial, um senhor de nome Scott Walker (senador ou governador do Estado de Wisconsin? – não sei) defende a mesma coisa, excepto pretender prender os dirigentes sindicais (pelo menos explicitamente).
Na Europa, muitas vozes defendem reduzir os salários dos portugueses em 20 % - provavelmente não conhecem nada sobre nós. Já temos dos salários mais baixos da Europa.Já temos dos preços mais altos da Europa. Já temos o maior confisco fiscal da história (nem no feudalismo). Não sei se defendem algo mais, pois não conhecemos todos os documentos que nos impigem, como necessários ao nosso engrandecimento ( ou será empobrecimento?).
Alguns dos meus leitores decerto recordar-se-ão do que escrevi, há cerca de três semanas, acerca da intencionalidade do que nos está a acontecer. É mau demais para ser só incompetência. Aliás, as festas que a anterior Ministra Maria de Lurdes Rodrigues,disse ( na AR) terem acontecido é a prova provada do que eu escrevi.
Foi acerca do exemplo do que está a suceder aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC). Depois da Atlânticoline (empresa pública do Governo Regional dos Açores) ter rejeitado os navios contratados (um aprodece no Alfeite e as partes do outro nos armazens dos ENVC) por uma diferença de +/- 1 nó de velocidade – cerca de 10 minutos de demora na viagem entre as ilhas mais distantes -, suportada na opinião de um, então, administrador da Empordef, proprietária dos ENVC.
Não é que este mesmo senhor, agora administrador da Atlânticoline, assinou com uns estaleiros espanhóis “Astilleros Armon” a construção de dois navios para as mesmas funções dos que então recusou!
Veremos o que o Governo da República dirá.
Para terminar uma catástrofe. Já temos poucas! O Banco de Portugal, no seu relatório da Primavera, afirma que a taxa de desemprego natural (alguns, como eu, chamam-lhe técnico), atingiu o “bonito” valor de 9,5% em final de 2010. Em 2000 andaria entre 4% e 5%. É o dobro.
Diz ainda o mesmo relatório que até 2020, a crescer a economia entre 1% e 2% este valor não baixará.
Para se perceber o que é esta taxa, dou o seguinte exemplo: Suponham que em Portugal só há nove máquinas e há dez portugueses. Um deles nunca terá trabalho. Técnicamente; mesmo que todos os recursos disponíveis na economia (herdades, fábricas, consultórios, hoteis, restaurantes, escolas, hospitais, autarquias, etc.) estejam a trabalhar em pleno, haverá sempre cerca de 10 % de portugueses, em idade activa, que não terão trabalho.
Concretizando, em finais de 2010, haveriam cerca de 5.200.000 portugueses em idade activa. Assim, 520.000 nunca encontrariam trabalho em Portugal. Isto até, pelo menos, 2020.
Percebe-se que todos, ou quase todos, os mandantes em Portugal digam que o desemprego é o maior problema que temos pela frente.
Como resolver?
A primeira solução é emigrar. Mas nem todos o conseguirão.
A segunda, é inovar e crescer mais que 2%. Mas, normalmente, estas empresas apesar do valor acrescentado que trazem à economia geram poucos postos de trabalho. E, por vezes no processo de destruição criativa, destroem mais postos de trabalho do que aqueles que criam.
Resta voltar à recuperação do pratimónio edificado – privado, público, histórico, militar, cultural – recuperar estradas, pontes etc. Não são só as empresas de construção as beneficiadas, ateliers de verdadeiros artistas (Fundação Ricardo Espirito Santo e outras – frescos, móveis, artefactos,pinturas, azulejos,etc.),historiadores,cerâmicas, electrodomésticos, vidros, carpintarias, louças (que ocupam muitos técnicos) sei lá o que mais teriam trabalho.
Só na recuperação do edificado habitacional, dizem os entendidos, ocuparíamos cerca de 600.000 trabalhadores durante cerca de duas décadas.
Há que começar a trabalhar. Já estamos a perder demasiado tempo.
José Manuel de Oliveira Soares ( 12 de Abril de 2011)














