A FESTAPor Nuno Gonçalo Poças
Seixal

Por Jornal Rostos
Esta crónica podia ser sobre a Parque Escolar. Podia ser sobre o julgamento de responsáveis políticos por gestão danosa dos dinheiros públicos. Podia ser sobre qualquer coisa. Mas é, acima de tudo, um texto sobre o meu e o seu dinheiro.
Há dias, quando a ex-ministra da Educação foi ao Parlamento dizer que a Parque Escolar tinha sido uma “festa para o país, para os alunos, para a engenharia, para a arquitectura, para o emprego e para a economia”, o país ficou de boca aberta. É natural que tenha ficado. O Tribunal de Contas já se tinha pronunciado sobre os desastres financeiros da Parque Escolar e uma das suas responsáveis estava ali, firme e convictamente, a dizer-nos que candeeiros Siza Vieira eram uma festa. E ouviu-se muita gente dizer que estas pessoas deviam ser responsabilizadas por este género de actos. Não sei se deviam. As declarações de Maria de Lurdes Rodrigues não são próprias de um agente político irresponsável – são declarações de um político socialista. A expressão “festa” choca-nos, claro, mas o conteúdo da sua mensagem não se desvia um milímetro daquilo que tem sido o país nos últimos 30 anos. E nos últimos 30 anos o país tem sido socializante.
O investimento público levado a cabo através da Parque Escolar é igual a qualquer outro tipo de investimento público. Ao longo de 30 anos, o crescimento do país assentou numa lógica de endividamento e de investimento público. É tempo de percebermos que um país não cresce com base nisto. E é bom que percebamos que foi esta lógica, da festa e da festança, que nos conduziu até aqui. Ao meu e ao seu dinheiro confiscados. Ao presente incerto das pessoas e ao futuro ainda mais incerto dos nossos filhos. Para memória futura, que seja lembrado, sem preconceitos, o pensamento de Margaret Thatcher sobre tudo isto: «Nunca nos esqueçamos desta verdade fundamental: o Estado não tem nenhuma fonte de dinheiro para além do dinheiro que as pessoas ganham. Se o Estado deseja gastar mais, ele só o pode fazer pedindo emprestadas as vossas poupanças ou aumentando a vossa carga fiscal. E não adianta pensar que qualquer outra pessoa irá pagar, essa qualquer outra pessoa é você. Não existe essa coisa chamada “dinheiro público”. Só existe dinheiro dos contribuintes. A prosperidade não virá inventando projectos públicos de investimento cada vez mais atraentes. Ninguém fica mais rico quando pede um novo livro de cheques ao banco. E nunca nenhuma Nação se tornou mais próspera cobrando impostos para além da capacidade das pessoas para os pagar.»
Nuno Gonçalo Poças
Deputado Municipal do PSD Seixal
Membro da Comissão Política Distrital do PSD














