Adeus social-porreirismoPor Tânia Morais
Setúbal

Por Jornal Rostos
Portugal atravessa um período de reajustamento económico. Como em muitas situações anteriores, também este momento alberga situações de grande constrangimento social o qual deve ser acompanhado de perto pelas entidades governativas, procurando minimizar custos àqueles que se encontram em situações de vulnerabilidade.
Dentro do possível, e de acordo com as disponibilidades de um Estado que de tão grande e tentacular se tornou fraco nas questões essenciais do seu funcionamento, têm sido várias as iniciativas que visam proteger aqueles que por situação de desemprego ou incapacidade para o trabalho não dispõem de meios para a subsistência imediata ou para a criação de condições de ascensão social. Esta é a função de um estado social, ao contrário do que a extrema-esquerda portuguesa afirma.
Assistimos hoje a inúmeras tentativas de desestabilização e descrédito das instituições da República que num período excepcional detêm a missão de equilibrar a factura internacional de Portugal e manter a coesão social promovendo condições de reconstrução de uma economia que manteve laivos de socialismo e corporativismo ao longo das últimas décadas. Se o PSD teve a sua quota-parte de responsabilidade neste período? Não duvido que no início da década de 90, quando Cavaco Silva, Ferreira do Amaral e Silva Peneda assumiam a responsabilidade de criar estruturas capazes de manter a coesão territorial e lançar o país na estrada do crescimento, muitos investimentos foram pensados de uma forma pouco estruturada. Se Durão Barroso deveria ter permanecido no país aquando da indigitação para assumir um alto cargo internacional? Santana Lopes assumiu um Governo que, tendo tempo e reunidas as condições necessárias para a estabilização política nacional, seguiria com toda a certeza o caminho da criação de mais e melhores condições para o sustentado desenvolvimento da economia do país.
Não nos devemos esquecer, enquanto povo, que a Parque Escolar foi uma festa a 400% para as gerações futuras, que temos um novo aeroporto em Beja que transporta centenas de metros cúbicos de ar, que a juntar a duas comunicações rodoviárias entre Lisboa e Porto acrescentámos uma terceira, ou que a JP Sá Couto produziu computadores para milhares de crianças a custo zero para que um governante assumisse a posição de delegado comercial deste empresa na Venezuela. Não nos podemos esquecer que a factura deixada é incomportável, se acreditarmos que o pagamento das dívidas não é uma brincadeira de crianças, como se diz agora na Sorbonne.
Assistimos hoje a inúmeros exercícios que se assemelham a charadas da democracia, com indigentes a assumirem-se vítimas de repressão policial (no Chiado e na Fontinha), com um sindicato-braço-do-PCP a marcar greves e manifestações consecutivas sem que respeite este direito de um Estado que privilegia as relações laborais ou com partidos que querem ditar o comportamento dos cidadãos livres quando num 1º de Maio disseram que sabe bem pagar tão pouco. É claro o objectivo de relançar Portugal na economia de mercado internacional onde são as gentes comuns, os portugueses trabalhadores e com garra para inovar e criar novas soluções de riqueza aqueles que já assumiram o desafio de construir um país capaz.
E estes portugueses, que conhecem as vicissitudes de uma vida de empenho nas mais adversas situações, que constroem no quotidiano laços dentro das suas comunidades, dispensam as consecutivas brincadeiras geradas pelos inconformados com o Mundo não socialista / comunista. É fácil compreender porquê. Somos muitos e temos memória histórica. Se até Moscovo já deixou o Lada, é hora de se perceber que a Rússia já não é a URSS, que a China – expoente máximo duma doutrina tão apreciada nos concelhos do nosso distrito – mata trabalhadores à falta de condições laborais, mata filhas em detrimento da livre escolha das famílias, mata sonhos em consequência dum ideal que nunca existiu para além dos papéis de Marx, ou que até Pyongyang há uma longa distância civilizacional que permite ao camarada Otelo Saraiva de Carvalho “dizer as alarvidades que bem entender”. António Tavares Teles disse que um democrata leva tempo a fazer, e não poderia estar mais de acordo. Até lá, nós, democratas convictos, aguardamos com a paciência necessária pelo momento em que tantos dirigentes e militantes de uma causa que não cabe em Portugal resolvam atravessar a ponte até ao presente e deixem de boicotar aquilo que também é seu.
Tânia Morais
Vice Presidente da Comissão Política Regional JSD Setúbal














