O Fim das Novas OportunidadesPor Pedro Pinto
Barreiro
Se compararmos as duas modalidades não são assim tão diferentes. Ambos valorizam a autonomia e o acompanhamento individualizado de cada um dos formandos, ambos valorizam os conhecimentos ao longo da vida ativa das pessoas.

Por Jornal Rostos
O governo anunciou na última sexta-feira o enterro definitivo do programa Novas Oportunidades e o ressuscitar do ensino recorrente, no que respeita à formação de adultos.
Confesso o meu interesse nesta matéria pois fui formador do ensino recorrente, ensino básico e secundário, fui e ainda sou formador do rvcc do ensino básico.
O governo só quis empolar a extinção das Novas Oportunidades por ter sido uma bandeira do PS, não que o ensino recorrente seja melhor. É uma questão de combate ideológico.
Se compararmos as duas modalidades não são assim tão diferentes. Ambos valorizam a autonomia e o acompanhamento individualizado de cada um dos formandos, ambos valorizam os conhecimentos ao longo da vida ativa das pessoas.
A grande diferença é que o rvcc assenta na elaboração de um portfólio por individuo, englobando quatro áreas temáticas, no caso do ensino básico, e o ensino recorrente assentava na resolução de exames por cada unidade capitalizável, sendo cada disciplina composta por uma quantidade de unidades capitalizáveis.
Um processo rvcc de nível básico bem conduzido permite ao formando ir a uma sessão de júri ao fim de três meses. Pela capitalização de unidades, os formandos andavam no mínimo dois anos para obter a certificação.
Além do mais o acesso ao ensino superior fica sempre condicionado à certificação no ensino secundário via um curso EFA (Educação e Formação de Adultos) com a duração de dois anos letivos e mais uns meses, pelo menos, pois o rvcc de nível secundário não permite a candidatura ao ensino superior.
Se para obter uma certificação de nível B2 (ciclo preparatório) forem necessários pelo menos dois anos e para uma de nível B3 (terceiro ciclo) forem necessários pelo menos três anos, a maioria dos adultos não chega ao fim do processo.
A avaliação foi um dos motivos que levantaram algumas interrogações às Novas Oportunidades. Pois então façam-se essas correções, melhore-se, não se mate o programa.
Uma parte significativa da população que frequenta as Novas Oportunidades já não pensa no que isto lhe pode influenciar a carreira profissional mas tão só na realização de um sonho, obter um nível escolar mais elevado e isso faz-lhes bem, a eles e a todos os que os rodeiam.
Para estas pessoas obter uma qualificação escolar mais elevada levanta-lhes o ego, torna-as mais confiantes, aumenta-lhes a autoestima, torna-as mais positivas e estes sentimentos e exemplos são contagiantes.
Frequentemente após o rvcc básico, estas pessoas enveredam pelo rvcc secundário ou por um curso EFA. O ter vencido a barreira do «regresso à escola», após tantos anos de abandono, permite-lhes continuar a estudar.
Somos considerados sistematicamente um povo pouco confiante, com baixa autoestima. Ora este positivismo só nos faz bem, especialmente numa época de grandes dificuldades económicas para todos nós. As Novas Oportunidades são boas e fazem bem.
Só o sectarismo ou a orientação ideológica levam o governo a impedir que mais uma vez uma camada da população mais frágil, que pelas mais variadas razões não pode estudar enquanto jovem, se veja agora impossibilitada de o fazer com o enterro do Programa Novas Oportunidades.
21.Mai.2012
Pedro Pinto
Barreiro














