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Quotidianos

APRENDER O CAMINHO DAS PEDRASPor José Caria
Montijo

Reduções nos níveis de Poupança , aumento do Consumo, endividamento de Famílias e Empresas, descapitalização do tecido empresarial, entre outros fatores, conduziram o País a crescente dependência da Poupança externa (mais de
13 anos com défices externos anuais consecutivos...) com as consequências que já todos conhecemos e sentimos no dia a dia.

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APRENDER O CAMINHO DAS PEDRAS Por José Caria Montijo

Por Jornal Rostos

Jean Gabin, lírico francês,costumava cantar um poema que dava,ainda dá, pelo título de “Je sais!” - para quem não conhece ,há sempre o “Youtube “(ou outro do género) ;“Je sais q’on ne sait jamais...” - cantava,falando... .
Vem isto à mente por via da “Crise”, de certos “opinion makers” (encartados ou não,com encomendas ou sem elas...), e do chorrilho de meias verdades, inverdades, enganos e outros desmandos com que , todos os dias , nos
brindam,fazendo-nos cócegas no cérebro... ;
Portugal vive,pelo menos, duas crises sobrepostas : - uma conjuntural (resultante da crise profunda financeira internacional), outra estrutural (específica do nosso País) .
Pouco competitivo, muito endividado, com “gorduras” em certas zonas (às vezes cinzentas...) do Estado, com fraquíssimo potencial de crescimento, Portugal fica, estruturalmente, cada vez mais, uma sociedade bloqueada ...
Daí que corramos cada vez mais o risco, na maior incerteza, de, a virmos a sair da crise, o façamos com problemas estruturais agravados, sem que tenhamos hipóteses de, tirando algum partido da esperançada Retoma, termos já preparado alguns caminhos de Futuro .
Quem quiser dar-se ao trabalho de consultar o “World Economic Forum” poderá verificar o estado da nossa “competitividade” comparada com mais de 100 Países e terá , então, oportunidade para se decepcionar (mais uma vez...) ; Se não entrar em “depressão” poderá consultar “ Doing Business “ do Banco de Portugal onde ficará
com melhor percepção das condições relativas (más...) em que as empresas desenvolvem a sua atividade - apesar, diga-se, de alteração estrutural profunda na repartição do peso relativo dos diversos setores económicos (vidé agricultura,
indústria etc...).
Temos problemas de afetação de Recursos e de Qualificação (população com o ensino secundário, licenciaturas, abandono escolar, conhecimentos matemáticos,literacia ...) mesmo gastando Portugal em Educação uma maior
percentagem do Produto Interno Bruto do que a generalidade dos Países europeus(o que pode ser verificado em Relatórios da O.C.D.E. ) ;
Qualidade da mão de obra, formação de número significativo de Empresários (aqui na Inovação e Internacionalização), empreendedorismo, ressentem-se desses problemas ( inclusive na eficiência,na eficácia) afetando a necessária renovação do tecido económico e empresarial .
“Gorduras” em zonas cinzentas do Estado, carga fiscal pesada (e, em alguns casos, excessiva...), decisões e fundamentações de Investimentos avultados pouco sólidas ( vidé,v.g., eficiência marginal do capital...), desperdício de recursos em certos setores, não ajudam a aumentar o potencial de crescimento de que necessitamos .
E , assim, aí temos ( tb. decorrente de outros factores...) o aumento em flecha do Desemprego..., das insolvências familiares, empresariais e singulares ..., do crédito mal parado, das injunções e execuções de diversas tipologias e classes...
Reduções nos níveis de Poupança , aumento do Consumo, endividamento de Famílias e Empresas,descapitalização do tecido empresarial, entre outros fatores,conduziram o País a crescente dependência da Poupança externa( mais de
13 anos com défices externos anuais consecutivos...) com as consequências que já todos conhecemos e sentimos no dia a dia.
Mas nada disto justifica esbulhos, extorsões, enfim,”roubos”...tirando mais a uns muitos, dando mais a uns poucos !!!...
Recusámo-nos a aprender (sobretudo com erros próprios, d´outrém, e alheios...), alturas houve em que substituimos o Saber pela Ordem ; Torna-se , de novo, necessário responsabilisar os responsáveis (existem diversos níveis de
responsabilidades) , Saber Aprender..., e , como afirmava alguém (cujo nome me escapa),Pensar o Impossível !...
A “Krisis” (crise em grego significa decisão) componencia-se de perturbação, desordens, incertezas, bloqueios ; Mas integra ,também, a transformação dos desvios em tendências que se opõem, de “double blinds”, de “ubris”,
“runaways”, da transformação de complementaridades em concorrências e antagonismos ... . Podem ocorrer, com a “Krisis”, retorno ao “statuo quo ante “ e/ou micro(ou macro)cosmos da evolução - decisão , desbloqueio, e mudança, condições novas para a ação,excluindo o “alea jacta est”..., estão , com certeza incerta, em gestação !...
Como falava,cantando, o lírico francês : “Je sais q´on ne sait jamais !...” .
Aprendamos pois , “de novo” , com resistência, esperança e Luta , O CAMINHO DAS PEDRAS !!!...
José Caria
(*)ex-vereador,ex-Presidente de Câmara eleito,Deputado Municipal .
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