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O Montijo tem necessidade de uma estratégia económica para as próximas décadasPor José Bastos

Temos que definir uma estratégia, para aquilo que pretendemos produzir, tanto na agricultura como na indústria, para vender no país e no estrangeiro. Temos tido sempre mais facilidade em produzir do que vender e é nas vendas que precisamos de nos unir e organizar para termos escala para exportar e termos capacidade de nos defender das grandes superfícies que esmagam os preços.

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O Montijo tem necessidade de uma estratégia económica para as próximas décadas Por José Bastos

Por Jornal Rostos

O nosso concelho tem uma história secular, já passou por muitas crises e saiu quase sempre fortalecido.

Desde meados do século XIX que o nosso concelho que na altura se chamava Aldeia Galega, tem vindo a crescer, graças à iniciativa e dinâmica na nossa comunidade, sempre disposta a assumir riscos

Em 1900 o concelho tinha cerca de 10.000 habitantes.

Na primeira metade do século XX, o nosso concelho desenvolveu-se imenso nas mais diversas actividades económicas e em 1950 já tinha mais de 25.000 habitantes.

Existiam milhares de micro, pequenas e médias empresas dedicadas à agricultura, indústria, comércio e serviços e muitas profissões independentes que apoiavam toda esta imensa actividade económica.

Em 1930, mudámos de nome de Aldeia Galega para Montijo, o que não era fácil e que só foi possível pelo grande envolvimento das forças vivas da nossa Terra. Conhecem alguma sede de concelho que tivesse mudado de nome no século XX? O primeiro abaixo assinado subscrito por centenas de cidadãos montijenses, foi enviado ao presidente da Câmara para mudar o nome da Terra, em 1881, quarenta e nove antes.

Nos sensos de 2001 a população já atingia as 39.000 pessoas.

Com a construção da Ponte Vasco da Gama, ligando o Montijo à capital, em 1998, o nosso concelho teve outra vez um aumento forte da população e tem hoje 51.000 habitantes.

Com a crise financeira e económica no país e na Europa iniciada em 2008, o Montijo não fugiu à regra e precisa de pensar uma estratégia para as próximas décadas. O mundo mudou e nada vai ser como era antes.

Sou daqueles que penso que o futuro dos nossos descendentes, pode ser próspero, se as elites políticas da nossa Terra forem capazes de aproveitar a história da nossa comunidade e inovar naquilo que nos legaram e no que nós conseguimos.

Temos um território com uma área de 348,4 Km2, a maior parte destinada à agricultura, floresta e pecuária. O nosso PDM tem grandes áreas para indústrias e serviços e muitas áreas urbanizáveis para habitação que não são necessárias nas próximas décadas.

Nos últimos 14 anos construímos todas as infra-estruturas que nos faltavam.

Temos excelentes acessibilidades rodoviárias e fluviais e estamos muito perto de Lisboa que precisa de tudo.

A cidade de Montijo tem uma excelente qualidade de vida para se viver e trabalhar. É uma Terra onde se vive com segurança e sem medos. E a vantagem de estarmos a 20 minutos da capital do país, onde existe de tudo.

A nossa comunidade tem uma cultura de empreendedorismo, razão da existência de milhares de micro, pequenas e médias empresas no Montijo, que a pouco e pouco têm vindo a desaparecer.

O momento actual é de facto muito difícil, confesso, mas se os nossos antepassados, a partir do nada, conseguiram desenvolver a nossa Terra e muitos deles eram semi-analfabetos ou tinham a 4ª classe, estou certo que as nossas elites que hoje são compostas por licenciados, continuarão com dinamismo a gerir o viver colectivo da nossa comunidade.

É preciso que as novas gerações compreendam o que se está a passar e que se preocupem e participem na nossa vida em comunidade. Não se queixem dos políticos participem activamente para corrigir o que está mal.

Na economia global temos que pensar mais nas exportações do que no mercado nacional. No Montijo nos anos vinte e trinta do século passado já se exportava muitos produtos para a Europa e para o mundo. Por esta altura havia ostras do Montijo à venda em Paris.

Temos que definir uma estratégia, para aquilo que pretendemos produzir, tanto na agricultura como na indústria, para vender no país e no estrangeiro. Temos tido sempre mais facilidade em produzir do que vender e é nas vendas que precisamos de nos unir e organizar para termos escala para exportar e termos capacidade de nos defender das grandes superfícies que esmagam os preços.

Temos também que ter terrenos a preços competitivos para as empresas que vindas de fora aqui queiram instalar as suas fábricas.

As pessoas têm que deixar de ser muito individualistas e conviverem mais umas com as outras o que além do mais é uma necessidade humana.

José Bastos

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