A HISTÓRIA REVISITADAA PRIMAVERA MARCELISTA....
Por José Manuel de Oliveira Soares
Barreiro

Por Jornal Rostos
Depressa passou a Outono. Não chegámos a ver o Sol. Mas... o pior veio a seguir.1974 trouxe-nos um Inverno frio, escuro e longo de que dificilmente nos veremos livres.
É um Inverno, tão longo como a Idade Média (IM), onde os noventa dias de uma estação mais nos parecerão séculos. Escura como a IM. Habituámo-nos, na História que nos foi e é ensinada, a relacionar a IM como uma época de atropelo aos mais simples direitos humanos. Todos nós nos lembramos de os senhores feudais enviarem os seus cobradores de impostos, escoltados por pelotões fortemente armados, roubarem aos pobres camponeses o fruto do seu trabalho. Quando alguém reclamava ou não tinha que dar os guardas armados tudo destruiam e matavam. Frio, porque ninguém via uma leve esperança de dias melhores.Tal como hoje. Agora, 2012, os senhores fiscais das finanças querem armas. Provávelmente não para matarem mas intimidarem e coagirem. Os inspectores da ASAE também vão passas a andar armados e a ter poderes até agora atribuidos aos tribunais.É o Estado policial puro. Vejamos, o Sr. PM – Passos Coelho – na visita que efectuou à escola de polícia, na última semana de Julho, reconheceu que temos mais de 100 polícias por cem mil habitantes que a média europeia. De memória, nós temos cerca de 440 enquanto a média europeia se fica por cerca de 337. Em 2013 serão admitidos mais 2.000.Isto, enquanto a criminalidade vai aumentando dia após dia.Os homicidios subiram 56% no primeiro semestre. Os assaltos, roubos e violência não sei quanto subiram. Isto para não falar do roubo legitimo, aquele que se faz nas compras de ouro usado, não só porque o ouro que procuram é o português, de antes das regras da UE, mais rico como também pelo preço que pagam e pelo que recepcionam de assaltos.
O País, passou de um Estado musculado – alguns chamam-lhe ditadura - a uma “espécie de Estado”, desta vez permissivo. Mas, o pior foi vindo com os anos. Agora, vivemos num Estado compressivo. Os portugueses quase não podem respirar. Parece que não ficaremos por aqui.
Vejamos por partes:
1ª. parte – corresponderá aos 10 dias de Dezembro do Inverno
Logo a seguir ao 25 de Abril o País passou a ser totalmente permissivo, fruto de uma espécie de “leis” inventadas por alguns “militares” que estavam fartos de estar sentados “a fazer” a guerra no então Ultramar. Criticavam o anterior regime, onde os pides prendiam qualquer um. Mas os portugueses sabiam disso e tinham cuidado. Às vezes não chegava ter cuidado.Bastava a denúncia de um qualquer bufo e iam dentro. Hoje é mais grave, dizem que não há polícia política. Mas, nós portugueses desconfiamos. Gato escaldado de água fria tem medo. Os novos donos do País não fizeram melhor. Foi criado o célebre Copcon, chefiado por um grande “militar” que assinava, ou alguém por ele, ordens de prisão em branco. Era necessário acabar com os reaccionários. Se necessário matá-los no Campo Pequeno. Uma espécie de guardas da revolução. Como na China de Mao. Onde, durante a Revolução Cultural foram mortos cerca de 40 milhões de chineses. Como se não bastasse os saneamentos e prisões políticas foram às centenas. Nem o 25 de Novembro de 1975 alterou estas situações. Mas também no fisco procuraram extorquir valores aos portugueses. Não fora a queda de Vasco Gonçalves, e no preenchimento do imposto complemetar que então existia, teríamos de declarar todos os objectos de ouro que possuíamos (anéis, fios, pulseiras etc.). Talvez se destinassem à Mãe Russia.
2ª. parte – corresponderá à primeira quinzena de Janeiro
Veio 1976 e deixámos de ser um País – PORTUGAL. Através da Constituição mais avançada e progressista do mundo passámos a ser uma república. A República Portuguesa. Já não somos um País. Enviaram-nos para o nível de uma qualquer república – não digo das bananas, pois, que aos Portugueses só têm deixado as cascas das mesmas, onde escorregam de há décadas a esta parte. É uma Constituição tão avançada e laxiva, digo eu, que até permite que os políticos a viloem e violentem, qual virgem desprotegida. Permite que os contratos com os trabalhadores, os pensionistas e os reformados, sejam violados e quebrados – nós, o povo, costumamos dizer mandados às urtigas – confiscando-lhes rendimentos contratualizados em nome da emergência nacional. Essa mesma. A emergência nacional que não serve de alibi para acabar com as rendas exorbitantes - pensadas por alguns juristas que eram, são e serão políticos – que todos pagamos à EDP, PT e similares e que permite (?) que os senhores das PPP – bancos e construtoras – tenham taxas de rendibilidade asseguradas de cerca de 14 %. Durante décadas.Não sendo jurista, tenho a ideia de que num qualquer contrato, sempre que uma das partes tira um benefício exegerado (neste caso,os privados) esses contrato deve ser considerado nulo. Qualquer cidadão, qualquer pequena e média empresa teria emprestado dinheiro ao Estado a 7%. Os bancos pagam cerca de 3% pelos depósitos dos clientes. Penso que o Estado paga pelos certificados de aforro qualquer coisa próximo de 1%. Somos pessoa de bem, dizem os governantes, logo, temos de cumprir o que assinámos. Apesar de ser um roubo e de a dita TROIKA impôr a sua renegociação. E isto para não falar das célebres fundações - ou serão fundições que têm derretido muito dos nossos impostos(?) - que têm benefícios fiscais e subsídios estatais – vá lá saber-se porquê – enquanto aos cidadãos, estes, são cortados na saúde e na educação.
Em 1977/78 e 1983/84, a pedido de Mário Soares, veio o FMI. Também este sr. mandou a Constituição às urtigas e cobrou-nos uma taxa excepcional de 10% retroactiva no Imposto Profissional e pagou-nos o 13º. mês em certificados de aforro (pelo menos parece ser humano). É a vida. Diria, anos mais tarde, Gueterres. Fez escola. Agora legisla-se perdões fiscais a quem pôs dinheiro lá fora às escondidas. Não se sabe de onde veio esse dinheiro. Lucros empresariais que deveriam ser tributados como tal (IRC)? E os dividendos desses lucros que deveriam ser tributados como tal (IRS)? Lavagem e negócios ilegitimos, que deveriam ser confiscados? Ninguém sabe nem quer saber. O que sabemos é que foram tributados a 7,5%. Qualquer cidadão da classe média – espécie em vias extinção – que ganhe qualquer coisa como 1.500 €/ano paga normalmente 20 a 25%. É a igualdade ou equidade de que o Sr. PR se diz acérrimo defensor. E, não nos podemos esquecer da “bandeira branca” que o governo estendeu aos que nos depauperam diariamente.
Nesta época foi criado o “bloco central” e, mais uma vez, copiando a China de Mao, começou o culto da personalidade. Um é o “Pai da democracia”, outro “nunca se engana e raramente tem dúvidas”, um outro ainda foi o “melhor comissário da justiça da UE”, ainda um outro “é um fenómeno da Economia e emérito professor no INSEAD, Paris, até ser corrido pelo FMI em 2011”, há um outro, a crer nos jornais, “que tirou uma licenciatura ao domingo, ainda mais um “que tirou uma pós-licenciatura antes da mesma”, há o que “tirou um curso de 3 anos num só ano”. Isto para falar nos mais badalados pelos “media”. Depois há os da EDP, PT, Estradas de Portugal, Empresas Públicas,Banco de Portugal, BPN, BES, BCP, BPI, etc.etc... Este culto, foi obra dos mesmos alimentada e empolada pela comunicação social. Que os endeusava e endeusa. Comunicação social, que salvo raras e honrosas excepções, estão na mão de uma agência qualquer que nos vai controlando.
Só não se percebe como é que chegámos, enquanto País, a este ponto. Com tantos craques! Será que em vez do Bem Comum só trataram dos Bancos? Aconselho-vos a leitura do livro “A Troika e os quarenta ladrões”. Mas, comprem também comprimidos para dormir!
3ª. parte – corresponderá à segunda quinzena de Janeiro
Aderimos à então CEE. Foi a década das luzes. Rasgaram-se estradas –algumas eram mesmo necessárias e de há muito -Construiu-se o CCB. Aumentaram-se os funcionários públicos e deu-se-lhes uma nova carreira e forma de progressão na mesma. Desvalorizaram-se os Secretários de Estado, passaram a ajudantes de ministros! Desvalorizaram- se as Forças Armadas, bastião de defesa dos cidadãos! O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) foi um sucesso. As privatizações iam tapando buracos.A troco de uns “míseros tostões”, da então CEE, muito mal aproveitados e aplicados, deu-se continuidade à obra iniciada logo a seguir ao 25 de Abril, que os governos seguintes calaram, desmantelando a nossa estrutura produtiva. Agricultura, Pescas e Indústria quase foram destruidas. Talvez, por serem profissões menores. Interessava era doutoures, engenheiros etc.. Para fazer recorrer-se-ia a imigrantes. Agora pagamos esta formação dita superior e enviamos os nossos jovens enriquecer com o seu saber outros países. A partir de 1992,- ano Maastrich, lembram-se? – resolve-se empobrecer os Portugueses com desvalorizações, progressivas e programadas, e com juros altos para nos meter na alhada do Euro.A vaidade levou-nos a aceitar um cambio de 200$482, quando, quanto a mim, deveria ter-se situado entre 130 e 150 escudos.Depois veio o tabu. Inventaram-se as mais variadas justificações. Porventura, a mais realista, seja a de que perdeu o Norte. Passou a ter dúvidas e a enganar-se. Como quando substituiu alguns bons Ministros e respectivos ajudantes.
O Inverno ainda agora começou. Seguiu-se Guterres. O sr, que não sabia fazer contas. Que nos pôs no Euro. Que apanhou a estrutura produtiva de rastos. Que beneficiando da baixa de juros e da moeda única instigou os portugueses ao consumo. Com importações claro, pois deixámos de produzir. As exportações declinaram, pois se não produzíamos para nós quanto mais para exportar. Que aumentou o defice orçamental e a dívida pública. Que se meteu em projectos de sucesso mas ruinosos para o País. Expo e Euro 2004. A dívida externa galopou. Que iniciou as célebres PPP. Ponte Vasco da Gama. O IDE continuou. Cada vez mais especulativo. Não se construiam indústrias. Investia-se e continua a investir-se em bancos, telecomunicações, distribuição e comércio, imobiliário, construção de estradas e energia. Tudo o que não seja transaccionável. Os bancos agradeciam, agradecem e agradeçerão. Mas o mais grave é que muito, ou quase todo, deste IDE não trazia dinheiro. Era e é feito através de empréstimos obtidos junto da nossa banca. Que não tendo fundos suficientes ia e vai financiar-se no estrangeiro. Isto agrava a nossa dívida externa e faz com que uma boa parte daquilo que os portugueses produzem – depois de transformado em dinheiro no mercado -seja transferido para o exterior para pagar a quem emprestou aos bancos e os lucros a quem investiu, não sendo replicado no crescimento e desenvolvimento do País. Este Sr., certa vez quando lhe falaram em crise respondeu: Crise, qual crise? A auto-estrada para o Algarve estava, quando lá passei em serviço no último domindo, cheia tal como as cervejarias que vi!
Em paralelo, com estas desgraças, foram surgindo inúmeros sindicatos. Uns mais ou menos independentes dos partidos políticos. Outros, simples correias de transmissão dos objectivos partidários. Apregoam o seu progressismo, mas não descolam de Marx – este talvez com razão - de Lenine. Estaline e TrosKy. Os sindicatos têm um defeito terrível. Só pensam, quase sempre, no curto-prazo, ou seja, em aumentos salariais. Não é que não seja importante todos termos melhores salários. Mas não somos eternos. Os sindicatos deviam pensar em como salvaguardar os trabalhadores, que os sustentam, na doença e após a reforma.
Quando nos reformamos somos descartáveis. Tais como os actuais activos pelas entidades patronais. Sejam quais forem os motivos. Justos ou injustos. Só com uma diferença e enorme. A nós ninguém nos quer. Pela idade, penso eu.
Porventura, teremos de nos organizar. Num Movimento? Num Partido Político? Tal como os indignados do Movimento 5 Estrelas fizeram na Itália. Se o fizermos, talvez voltem a respeitar-nos. É que normalmente só leio nos jornais e ouço na TV referências aos cortes dos 13º e 14º mês dos funcionários públicos. Dos reformados e dos pensionistas? Nada! Não contamos, mas votamos.
É necessário criar um espirito de classe. A classe dos reformados e pensionistas.
No entanto, nesta tarefa de empobrecer os portugueses, nivelando por baixo, vão copiar o que de pior Salazar fez. Criar Portugueses de 1ª. e de 2ª. Como? Através das celebres excepções. Veja-se os que podem ganhar mais que o PM. Veja-se os que são isentos do confisco dos seus rendimentos. O Tribunal Constitucional (TC), que emanando dos políticos, nem devia existir, o Supremo Tribunal de Justiça poderia criar uma secção especializada. Este,tem bons activos, à altura das situações, penso eu. Saía-nos muito mais barato. Aliás, nem percebo como a Troika não se lembrou disto. É que o TC, com tantos craques,bem assessorados, bem pagos e bem motorizados, se esqueceu do do Artº. 282 da Constituição, ele que tem por missão defendê-la e por arrasto os portugueses das “tropelias” dos políticos. Diz esse artº. “ a declaração de inconstitucionalidade ou de ilegalidade com força obrigatória geral produz efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional ou ilegal e determina a repristinação das normas que ela, eventualmente, haja revogado”. Esclarecedor. O confisco dos subsídios em 2012 é “constitucional”, mas a partir daqui é incontitucional. Para que serve aos portugueses este TC ? Aliás, os deputados, que pediram a observação da constitucionalidade – PCP, BE e alguns do PS - ao TC, quanto a mim, só quizeram dar uma de preocupados com os portugueses. Se assim não fosse, face ao acordão produzido, teriam recorrido para o Tribunal Europeu.
Aliás o grande problema do País parece ser a justiça ou a falta dela. É demorada, é cara –face aos rendimentos médios dos portugueses – quer no que se paga ao Estado para aceder à mesma, quer no que paga aos advogados. Só quem tem recursos, pode aceder aos tribunais.
Posto isto, e tomando como exemplo a qualidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), proponho a criação de um Serviço Nacional de Justiça (SNJ). Todos os cidadãos poderiam recorrer ao mesmo, pagando uma taxa moderadora. Os advogados seriam funcionários do Estado e ganhariam o mesmo, de acordo com a sua experiência e evolução na carreira. Quem não gostasse e tivesse posses, tal como no SNS, poderia recorrer aos escritórios de advogados privados sem prevalência no acesso aos tribunais.
Voltando ao Inverno, do nosso e dos nossos descendentes, descontentamento, após estes anos, entrámos na época mais fria. Os nossos governantes só nos têm gelado. Guterres, pese embora os dramas pessoais porque passou, demitiu-se com receio do que o rodeava. O pântano alastrava e ele não queria afundar-se com o mesmo. Foi para a ONU, onde não receia os refugiados. Com ele a divída pública cresce 9 vezes.
4ª.parte - corresponderá à primeira quinzena de Fevereiro
Veio Durão Barroso, encontrou uma tanga e saiu mal lhe ofereceram um fato. Feito à medida, entenda-se, da sua imensa vaidade. Basta ver o homem quando fala. Sempre que vem cá. Pois que lá fora... Santana Lopes, pôs-se a jeito e seguiu-se-lhe. Jorge Sampaio que andava a dar tempo ao PS para governar, fez-lhe a cama pois ele estava sempre a jeito. Veio Socrates, não o filósofo mas o engenheiro. Provavelmente de obras feitas ou prometidas. Os custos pouco interessaram pois não fazia ideia de ser ele a pagar. Entenda-se o seu (des)governo, pois os altos custos das PPP e similares só começam a doer após 2015. Para pagar os portugueses servem. Demitiu-se tal como Guterres. Aqui, faça-se justiça a Soares. Nunca vira costas a uma boa luta. Se os dois primeiros nada fizeram a não ser operações de maquilhagem contabilísticas para baixar o défice, o terceiro só gastou, o que não tínhamos para fazer o que não precisávamos. Deu o resultado que se sabe.
5ª. e última parte (?) – o restante até acabarem os 90 dias de um inverno normal
Pedro Passos foi o “coelho” tirado da cartola. Prometeu verdade. As circunstâncias nem sempre lho permitem. Prometeu não aumentar os impostos. A desgraça deixada por Socrates não lho permitiu. Aqui tenho algumas dúvidas se conheceria ou não a dimensão da desgraça. Se, de facto, não conhecia, os Srs. Catroga, Frasquilho e Nogueira Leite trabalharam mal. Os seus conselheiros nacionais e estrangeiros não conhecem o País real. Ouvimos falar de produtividade e competitividade como a causa dos nossos males. Será parcialmente, muito pouco, verdade. Basta ouvir o representante permanente, austríaco, do FMI, afirmar não perceber como pagando 10 €/hora a um técnico, não se é competitivo. Está quase tudo dito. Serão os custos de contexto? Será justiça ? serão os custos de transporte rodoviário?ferroviário? maritimo?
Diz-se que a cura é a inovação. Discordo. Porquê? Inovação é a aplicação na prática da invenção ( I&D), que além de demorar tempo e necessitar de muito dinheiro – que parece não haver, pelo menos para o que é necessário – pouco se faz cá. Aquela que se faz,na maior parte das vezes, é só para curriculum dos investigadores. Depois, aquela que se faz com objectivos empresariais, demora tempo a estar em condições de ser posta em prática. É necessário investir na sua aplicação e esperar que resulte no nosso mercado – que é pequeno – para depois se exportar o know-how e ou os serviços ou produtos resultantes. Consegue-se, e temos felizmente bons resultados. Mas não o suficiente para o crescimento e subsequente desenvolvimento serem um facto nos próximos 10 anos. Os empregos que estes casos criam são residuais face à dimensão do desemprego actual. A ser assim a austeridade vai continuar (?) talvez tendo como resultado o que aconteceu ao burro do cigano. Quando estava a habituar-se a viver sem comer, morreu. É o que sucederá, a nós portugueses, a não mudarmos estas políticas e estes chavões da austeridade, baixar o rendimento dos portugueses – como parece querer o Banco de Portugal – e a inovação.
Teremos, quer queiram ou não reconhecer o fracasso das actuais políticas, de apostar em alguns “clusters” do nosso aparelho produtivo mais clássico. Será a única forma de criar emprego a curto-prazo e boa parte dele sustentável. Recuperação, manutenção do edificado público e privado, turismo cultural, gastronómico e arquitectónico, agricultura e pecuária ( cuidado com a nova PAC), pescas e economia marítima (cuidado com a nova política da UE de gestão integrada do espaço marítimo) aquacultura (como exemplo, nós produzimos 10.000 t de peixe enquanto a República Checa que não tem mar, produz cerca de 10 vexes mais que nós)
Estes governantes parece não serem humanos. Mais parecem clones de prussianos. Ou serão lunáticos ? Quererão empobrecer ainda mais os cidadãos. Além de venderem – não só estes –, ou deverei antes escrever darem, os poucos activos que ainda possuímos, quererão vender-nos como escravos? É que parece tudo servir para fazer dinheiro.
A avaliação do património imobiliário, feita não se sabe como, tem, quanto a mim dois objectivos: 1º fazer dinheiro com o IMI; 2º a posse administrativa pelo Estado de imobiliário para poder vender depois ao desbarato. A quem? Se os portugueses não têm dinheiro!
Li, que uma empresa Luxemburguesa se mostrou interessada em aquirir aos bancos portugueses todos os activos incobráveis. Será que o Estado também venderá? Com que objectivos se compram bens não transaccionáveis num país com o mercado imobiliário parado? Lavagens ou branqueamento de capitais?
E os ricos que recebem bens por herança, que nada tendo feito para os ter – ao contrário do comum cidadão que tem de trabalhar e pagar vários impostos e juros altíssimos – nada pagam pelos mesmos. Acabaram com o imposto sucessório. E logo que tomaram posses desse património trataram de o pôr em nome de sociedades off-shore. Não pagam IMI. Mas o mais engraçado, sabem o que é? É que tem sido o BE que mais tem pugnado por aumento do imposto sobre o património imobiliário. Não percebia esta fúria. Agora, que o seu coordenador, finalmente, se assumiu como um monarca ao decidir quem sãos os seus sucessores, percebi. O BE, ou os seus dirigentes, estão no grupo dos portugueses de primeira. Só eles podem ter património por terem estatuto para tal! São da realeza.
As privatizações têm corrido mal. Eu discordo que se venda 100% de tudo o que seja estratégico. A Rede Eléctrica Espanhola não quiz como accionista a empresa que ficou com cerca de 22% da nossa REN. Quais terão sido as razões? Será que na privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, que o Estado pôs a concurso com um mínimo de 22,8 M€, os adquirentes ficarão com o navio Atlântida – aquele que o Governo Regional dos Açores rejeitou por demorar mais 10 minutos a ligar as ilhas mais afastadas – que custou 50 M€ a construir e mais 9 M€ de conservação nos últimos três anos que está acostado. Para não lembrar o outro navio gémeo do Atlântida que está construido em partes nos ENVC! E a RTP, a ANA e a TAP como vai ser? Igual ao BPN?
Apesar de este governo ter vindo a fazer muitas e várias asneiras, não está sózinho. Quem ouve o PS, seja quem for que fale, só ouve palavras ponderadas de quem nunca esteve no governo. São uns santos, estiveram a trabalhar tão bem. Nem sei porque se demitiram. Os portugueses estavam encantados. Mas os portugueses são assim, fácilmente perdoam. Um inquérito recente na NET, dava Socrates como o melhor 1º. Ministro de sempre! Nem foram eles que nos meteram na alhada das PPP rodoviárias. Nem foram eles que acertaram as rendas excessivas da EDP. Nem foram ele que autorizaram a PT a distribuir dividendos, do negócio de comunicações no Brasil, antes de tempo. Autorização que defraudou o Estado em milhões de euros, pois estes dividendos foram taxados por valor inferior ao que seriam de fossem distribuídos no ano seguinte, após aprovação de contas. Só o BES, segundo os jornais de então, poupou 112 M€. Espero que a distribuição intercalar de dividendos, anunciada hoje, 29 de Agosto, no valor de 0,12€/acção para Setembro por parte da GALP não seja uma antecipação a uma subida de impostos para 2013, tal como quando da PT. Américo Amorim agradecerá.
O actual governo tem feito publicidade com as poupanças obtidas na renegociação de algumas, as mais fáceis com obras por concluir, PPP rodoviárias. Serão, até ao momento cerca de 850 M€. Só não diz que algumas destas poupanças virão a transformar-se em nada pois resultam de transferências de custos a prazo para o Estado. Por exemplo a transferência de conservação de vários lanços. Nalguns casos, receio até, que as poupanças se transformarão em custos acrescidos. Todos sabemos como são as derrapagens nas contas do Estado, então em obras públicas nem se fala.
A oposição, e não só, muito tem dito sobre a derrapagem das contas públicas. Esta derrapagem levará a que o defice de 4,5%, previsto para este ano, não se cumpra. Os media têm feito coro com o governo na defesa da política do medo. Se nos derem mais tempo será pior. Se nos emprestarem mais dinheiro será pior. Mas haverá pior que condenar os portugueses à pobreza, à miséria e fome que as actuais políticas fazem? Duvido! A taxa de miséria ( taxa de desemprego+taxa de inflação) em Portugal é de cerca de 19%. Quererão mais?
Mas haverá algo pior de que virem a enganar-nos desde o princípio do Séc.? Primeiro foi a fantochada do 11 de Setembro, depois as armas de destruição massiva no Iraque. Quase em simultâneo apareceu a Casa Pia que nunca mais tem fim, enquanto outros casos de pedofilia são rapidamente investigados e os autores castigados com penas duras. Depois há o desaparecimento de crianças. Este ano já se distribuiram fitas a crianças para mais fácil identificação nas praias ou outros sitios. A CIA já se permite insinuar que um cidadão português é terrorista, levando um banco a fechar-lhe uma conta. Na Síria parece existiram armas quimicas. As camaras de vigilância são mato; nas ruas, lojas e locais de aglomeração de cidadãos. Os telemóveis permitem que os nossos passos sejam controlados ao metro. Os computadores dizem-lhes onde estamos a funcionar. Na Alemanha o Tribunal Constitucional autorizou que as forças armadas possam intervir internamente. Por outras palavras, estão autorizadas a combater a população. Nos EUA podem ser presos quaisquer cidadãos, sem recurso a tribunal, que lhe apontem subversão (lembram-se dos bufos da PIDE?). O medo que instilam nas pessoas é tanto que, a seguir, aliás, à semelhança do já sucede nos EUA , aos bébés serão inseridos chips. Sim como agora se faz aos cães. Não vão ser eles a obrigar. O medo que instilam, vai-nos levar a pedir isso. Rockefeller, no início do séc. XX afirmava, “chegará o dia em que eles nos pedirão para os protegermos”. Já chegou esse tempo.
É este o nosso Inverno. Parece estar a esgotar-se a 1ª. quinzena de Fevereiro. O Sr. Coelho, o que penso conhecer, ou foi armadilhado ou está mal aconselhado. Ainda virão dias pequenos e frios. Talvez escuros como os que passaram desde o início. Será que voltaremos a ter Primavera. Será igual à Marcelista, que depressa acabou, não passou pelo Verão e levou-nos logo ao Outono? Espero que não.
José Manuel de Oliveira Soares
30 de Agosto de 2012














