Carta Aberta ao Ministro da SaúdeAS PORTAS ENCRAVADAS DA EXTENSÃO DE SAÙDE, OU A SAÚDE ENCRAVADA??
Por Jorge Amorim - Barreiro

Por Jornal Rostos
Eu sei que o Sr. Ministro da Saúde é uma pessoa atarefada pelas responsabilidades que assumiu ao tentar tratar da nossa saúde, apesar do seu historial demonstrar uma vocação mais para a área das finanças, dos impostos, da banca ou dos seguros.
Mas tudo bem, como não fui eu que o nomeei, apenas me cumpre o dever e simultâneamente o direito de cidadão/utente de exigir de V. Exª as responsabilidades que decidiu assumir.
Perdoe-me o Sr.Ministro incomoda-lo ao informa-lo de uma ocorrência que possivelmente V.Exª achará normal e mesquinha lhe colocar, mas que incomodou, criou aborrecimentos na vida de cerca de meia centena de utentes, que na manhã de terça-feira, dia 4 Setembro, ficaram das 7h ás 10h sem poder entrar na extensão de saúde na Avenida do Bocage, no Barreiro e criou sérios problemas ao funcionamento da extensão de saúde, porque simplesmente a porta encravou.
Perguntar-me-á o Sr. Ministro o que faziam as 7h da manhã utentes á porta da extensão de saúde se esta apenas abre as 8h.
Talvez o Sr. Ministro não conheça as dificuldades reais em obter uma consulta médica, o ter que madrugar para ter acesso ao direito á saúde; o tentar ser dos primeiros numa longa fila para obter uma senha de acesso ao atendimento médico, certamente por não estar habituado a passar por isso.
È por esse suplicio que passam milhares de utentes no nosso país todos os dias, mesmo pagando a taxa moderadora, alem dos descontos para a Segurança Social. Mas adiante..esse é um problema comum do dia a dia, que os serviços que V. Exª dirige transformaram a excepção na regra.
Eu sei que o Sr. Ministro e os seus colegas de Governo se esforçam arduamente para aumentar o número de desempregados, para que assim tenham o tempo necessário para enfrentar as longas filas de espera, que não vão parar de aumentar com a dispensa de mais trabalhadores dos serviços públicos… mas adiante.
O que me surpreendeu Sr. Ministro, foi quando os primeiros utentes chegados á extensão de saúde, souberam pela empregada da limpeza que esta não teria entrado porque a porta da entrada, estaria encravada, e que até então não teria conseguido contactar a responsavel pela extensão de saúde porque era cedo.
Permita-me o Sr. Ministro, a ousadia de lhe sugerir que entre as benesses, que são regra geral distribuidas ao pessoal de chefia/dirigente, lhe possa juntar um telemóvel, para estarem 24h por dia comunicaveis, como é exigido a muitos trabalhadores de outros sectores e empresas.
Mais surpresas esperariam os utentes nesta manhã, que depois de chegarem ao local, após mais de uma hora a porta estar encravada, a dita responsável da extensão de saúde viu-se confrontada com o fato de não ter competência própria para resolver o “grande” problema da porta encravada e que teria de telefonar para o Lavradio, sua chefia, pois lá é que decidiriam o que fazer.
Talvez porque a minha ignorância não consegue discernir o porquê, mais uma vez permita-me a ousadia de o questionar da necessidade imperiosa de tal telefonema, colocando a responsável da extensão de saúde numa posição de subalternização inconcebivel. Porquê esta subalternização e centralização exarcebada nos serviços?
Pacientemente os utentes tiveram de aguardar a resposta do mais responsável, para a menos responsável, que como toda a gente de antemão sabia, foi o de contactar a empresa que teria colocado a porta eléctrica na extensaõ de saúde. A menos responsavel da extensão de saúde da Avª do Bocage lá ficou de cócoras perante a porta eléctrica encravada procurando o número de telefone da empresa para assim cumprir a importante ordem vinda do Lavradio, sem a qual a empresa não poderia ser contactada… um absurdo!
Nova surpresa, como não era 9 horas a empresa ainda não estava aberta e por isso incontactável… mas pelas 9h, após contato, nova surpresa a empresa não era do Barreiro, e isso faria levar mais tempo a resolver a situação da porta encravada.
Um utente, certamente alguem que minimamente perceberia do assunto da porta encravada, perdispôs-se a ajudar, mas para surpresa dos presentes, foi admoestado pela menos responsavel da extensão de saúde de que não, porque poderia dar cabo de uma porta que era do Estado.
Permita-me Sr. Ministro o meu desabafo…será que a saúde de meia centena de utentes é menos valiosa de que uma porta eléctrica, mesmo sendo propriedade do Estado? Mas adiante…
Bom, para abreviar episódios tristes que envergonham qualquer português, parecendo estar num pais subdesenvolvido e não na “moderna” União Europeia, a extensaõ de saúde viu a porta eléctrica do Estado ser desencravada passava já das 10h… abençoada chave de fenda que em minutos solucionou um problema que durava há mais de 3h.
Mas Sr. Ministro da Saúde, permita-me ainda roubar-lhe mais uns minutos, imcomparavelmente menos tempo que as 3h que tive a aguardar a vinda de alguem, com uma chave de fenda para desencravar a porta de V.Exª, sem a estragar.
Vale a pena tirar a ilação das consequências da porta eléctrica encravada e dos prejuizos causados, desde as 3 horas perdidas pelos utentes, funcionários, enfermeiros, médicos, uns que não poderam ser atendidos convenientemente pelo caos de funcionamento que tal situação criou; outros, os trabalhadores da extensão de saúde não poderam trabalhar durante estas 3h, ficando com uma situação nas mãos complicada, dar resposta ás consultas marcadas e tratamentos para esta manhã agitada e caótica com 3 horas a menos.
Certamente que a vocação comprovadamente contabilistica de V. Exª me dará razão, teria sido menor o prejuizo com a porta arrombada, ou pura e simplesmente não terem entaipado a porta existente mesmo ali ao lado.
Mais uma vez a surpresa apossou-se de mim, por ver alguem, que não a menos responsável da extensão de saúde, talvez médica ou enfermeira, tomar o pulso ao caos, organizando os serviços de atendimento, falando com os utentes, encontrando soluções para os problemas criados…solicitando por diversas vezes o aval da menos responsável da extensão de saúde.
Sr. Ministro da Saúde, tem a certeza que os trabalhadores da Saúde e da Função Pública merecem o trato que tem tido pelo seu Governo, quando em situações como esta demonstram conhecer o serviço e o funcionamento melhor que ninguem e numa situação incomum minimizam as consequências criadas?
Não roubo mais tempo ao Sr. Ministro, termino apenas com duas perguntas…
Porque entaiparam a antiga porta da extensão de saúde, mesmo ao lado da citada porta eléctrica encravada???? …teria sido tão simples ter aberto essa porta e resolver a situação.
E por ùltimo Sr. Ministro, se foi impossivel entrar nesta situação, pergunto-lhe numa situação de emergência ao contrário desta, em que seja necessário sair, onde está a saida de emergência??
Felizmente uma pequena chave de fenda desencravou a incomoda porta eléctrica do Estado, mas o que será necessário fazer para “desencravar” esta política de Saúde.
Certamente que os utentes da Extensão de Saúde da Avenida do Bocage no Barreiro, gostariam de receber a visita de V. Exª para de viva voz nos explicar o sucedido…mas tenho consciência de que não terão essa sorte.
Obrigado pela sua atenção,
Com os melhores cumprimentos aguardamos a visita de V. Exª…em breve!
Jorge Amorim














