Culpa de quem? Do Hospital? Do Médico? Do Doente?Por Emanuel Gois
Barreiro

Por Jornal Rostos
9 horas da manhã dum domingo estival. O homem condoía-se com dores. O corpo torcia-se, rebolava e a jovem mulher sem saber o que fazer. Onde te dói? perguntava´ Aqui, nas costas, junto aos rins, respondia o marido quase soletrando, tantas as dores. Nervosa, a mulher pega nuns comprimidos, daqueles para aliviar as dores, que qualquer familia tem em casa de sobra de outras situações e dã-os a tomar. Já passou, perguntou decorridos alguns minutos. Não, respondia o marido cada vez mais contraído. Preocupada com a situação, a mulher toma uma decisão. Entrega o filho de 10 anos a um casal amigo e deixa o bebé de 14 meses em casa dos sogros e dirige-se ao hospital do Barreiro.
As horas passam-se, quando já com a tarde entrada, informa os familiares que no Hospital a informaram que o marido podia ir para casa que se tratava de uma lombalgia. Pois bem, se tal foi dito, há que acreditar no diagnóstico da Instituiãoi de saúde que ali está para servir os doentes e nos médicos que os atendem. Mas, eis que poucas horas decorridas, talvez depois de passado o efeito de mais um analgésico, agora medicado por quem sabe ( ou devia saber) o rapaz volta a ter dores insuportáveis, cada vez mais agudas.
Sem pestanejar, a mulher pega no marido, mete-o no carro e aí vão acaminho de Lisboa, para um hospital que tem convenção com uma companhia de seguros. Diagnóstico. Cólica renal devido a cálculo renal. Então, não era lombalgia? Não, minha senhora, o seu marido pela ecografia acusa cálculo renal, disse o médico que a tendeu. Não posso crer, acaba a mulher por sussurar numa voz quase de desespero. Obrigado doutor pela informação. Felizmente, a minha família ainda pode suportar um seguro de saúde.
O que dizer das milhares de pessoas que o não têm para recorrer a outro hospital e a profissionais que saibam do ofício. E, perguntando a si própria, interrogou-se. E se fosse um caso mortal? Pois é. A nossa saúde ou a falta de rigor profissional tem reflexos nos doentes, e coitados daqueles que não podem recorrer a outros meios.
E batendo com o punho serrado na saca a tiracolo que sustentava no regaço, perguntava: Mas de quem é a culpa? Do Hospital? Não, admitia; Do médico ? Não, reafirmava. Então é minha? E uma voz interior dizia-lhe ao ouvido. Claro que é tua, mulher. Por teres escolhido aquele hospital e teres o azar de apanhares algum aprendiz de medicina. E alegra-te. Porque se fosse uma questão de coração ou outra doença grave e de consequências nefstas, agora não estavas a ser assistida noutro hospital por gente competente. Estavas a tratar do funeral.
Emanuel Gois














