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Quotidianos

Memória de um trânsito caótico na cidade de MontijoPor José Bastos

Hoje, ninguém se queixa do trânsito e as pessoas que aqui residem e as que se deslocam de outros locais, sabem que o trânsito está bem organizado e essa organização contribui imenso para a nossa boa qualidade de vida.

Foi um trabalho bem planeado e executado com tempo e com uma grande vontade política por parte da nossa câmara.

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Memória de um trânsito caótico na cidade de Montijo Por José Bastos

Por Jornal Rostos

Houve tempos em que os jornais locais, todas as semanas falavam sobre o trânsito caótico na cidade de Montijo. E os cronistas tinham razão.

Nos anos setenta, do século passado, todo o trânsito a caminho de Alcochete passava pelo centro da então vila de Montijo. Entrava pela rua José Joaquim Marques, com dois sentidos, rua Miguel Pais, Praça da República, Praça 5 de Outubro, Avenida João de Deus, Praça 1º Maio, Rua Gago Coutinho, E.N.119.

Os camions grandes tinham muita dificuldade em dar as voltas e o trânsito estava constantemente a parar. A situação na rua José Joaquim Marques e no cruzamento desta rua com a Rua Miguel Pais e na Avenida João de Deus era um autêntico caos, pois, o trânsito ficava muitas vezes bloqueado.

Em 1978, a primeira grande medida foi a construção da primeira fase da circular, ligando a EN 4 à EN 119. Com a construção deste troço de estrada o trânsito para Alcochete deixou de se fazer pelo centro da vila de Montijo. Nesta época os veículos eram poucos e o trânsito no centro da vila melhorou muito. Este troço de estrada não foi construído pela câmara, o investimento foi feito pela Junta Autónoma das Estradas, a pedido da Câmara. Por esta altura a Câmara não tinha um tostão para investir.

Dez anos depois da construção da primeira fase da circular a circulação de automóveis começou a aumentar extraordinariamente e os jornais locais passaram novamente a falar todas as semanas no caos do trânsito.

A partir dos anos noventa passou a ser fácil comprar carro. A classe média baixa e os operários passaram a ter facilidade em adquirir carro em primeira ou segunda mão, com facilidades de crédito, a juros baixos.

Por esta altura não havia um único semáforo na cidade. O estacionamento na baixa da cidade era ocupado durante todo o dia, pelos comerciantes, empregados do comércio, funcionários públicos, bancários e empregados de seguros, A câmara liderada por Jacinta Ricardo não tinha nenhuma sensibilidade para resolver os problemas de trânsito.

Muitos lugares eram ocupados pelos passageiros dos barcos, mesmo as ruas mais escondidas e estreitas. Os passageiros que iam para Lisboa deixavam o carro de manhã cedo numa rua da cidade e só voltavam à noite. O parque de estacionamento junto ao barco só chegava para metade dos carros.

Os peões, especialmente os idosos, os deficientes e as crianças, tinham muita dificuldade em circular pelos passeios, porque estes estavam ocupados por veículos.

A Câmara que tomou posse em 1998, liderada por Maria Amélia Antunes, elaborou um plano de médio prazo para resolver este problema de circulação
na cidade, com graves prejuízos para peões e automobilistas e encarregou o vereador Nuno Canta que é sensível às questões do trânsito para o executar.

O plano foi seguido à risca e algumas vezes com forte contestação das forças da oposição.

Foram instalados semáforos em todos os cruzamentos em que o movimento de trânsito o justificava.

Quase todas as ruas passaram a ter um só sentido de trânsito o que melhorou muito a circulação de veículos.

Foi construída uma estrada junto ao rio, para retirar um sentido de trânsito da rua José Joaquim Marques, o principal problema de circulação de trânsito no centro da cidade.

Foi construído um parque de estacionamento, com 260 lugares, no local onde se encontrava o chamado mercado da reforma agrária, que foi transferido para um aterro, junto ao antigo cais dos vapores.

Este parque de estacionamento é de uma grande utilidade e comodidade para os automobilistas que se deslocam à zona antiga da cidade para irem aos serviços públicos: mercado municipal, câmara, SMAS, correios, repartição de finanças, EDP e também ao comércio local.

A deslocação dos barcos para o cais do Seixalinho, desocupou muitos lugares de estacionamento nas ruas da cidade e um parque de estacionamento junto ao rio com mais de 230 lugares.

Os munícipes que se deslocam ao mercado da reforma agrária, três vezes por semana, utilizam este parque , facilitando imenso a vida aos automobilistas que ali vão fazer compras.

Foi construído um parque de estacionamento na rua Egas Moniz, para apoio ao cemitério, à PSP, rua Joaquim de Almeida e ao cinema.

Hoje, ninguém se queixa do trânsito e as pessoas que aqui residem e as que se deslocam de outros locais, sabem que o trânsito está bem organizado e essa organização contribui imenso para a nossa boa qualidade de vida.

Foi um trabalho bem planeado e executado com tempo e com uma grande vontade política por parte da nossa câmara.

José Bastos

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