Se não tivesse sido construído o cais do Seixalinho hoje não tínhamos barcos para LisboaPor José Bastos
Montijo

Por Jornal Rostos
A transferência do cais fluvial de passageiros para o Seixalinho, causou a maior polémica que até hoje aconteceu no Montijo.
Aquilo que se passou na nossa Terra no período de 1998 a 2002, fica para sempre na memória dos Montijenses que viveram aquele período. Houve três abaixo assinados, ,dois de partidos políticos e um de uma denominada plataforma cívica que juntamente com o PSD de Montijo, pretendiam fazer um referendo ilegal à população-
Fazia parte do programa do PS, nas eleições autárquicas de 1997 a deslocação do terminal de passageiros do cais dos vapores para o Seixalinho, onde existe uma cala natural, com 3,5 de água em baixa-mar, com intenção de melhorarmos a qualidade de vida na cidade e por sabermos que os custos ambientais e financeiros para a dragagem da cala artificial iam ser enormes e mesmo que fossem realizados tornavam os custos dos transportes fluviais pouco competitivos em relação aos rodoviários.
A Ponte Vasco da Gama ainda não tinha sido inaugurada em 1997, mas estava praticamente construída e sabia-se que iam existir transportes rodoviários de Montijo para Lisboa, dentro de pouco tempo, para competir com os fluviais.
No local já existia um cais de mercadorias, construído pela Administração do Porto de Lisboa, em 1978.
Apesar da contestação, a Câmara de Montijo concordou que a Transtejo fizesse a obra e nas eleições de 2001, o PS de Montijo, ganhou com a maior maioria de sempre, em sete membros para a Câmara elegeu cinco.
Entretanto, por esta altura a Transtejo fez sair uma nota informativa que dizia o seguinte:
“como é do conhecimento de todos os clientes utilizadores dos serviços da Transtejo, as constantes dificuldades pelo estreitamento do canal de Montijo e a necessidade de urgentemente ter que se proceder a dragagens, que por motivos ambientais conhecidos, não poderão continuar realizar-se, o que poderia obrigar a muito curto prazo à suspensão desta ligação em navios rápidos, com as consequências daí resultantes para as pessoas que necessitam de utilizar o serviço público de transporte fluvial de passageiros”
Em 2005 e 2009, anos de eleições autárquicas, o PSD de Montijo trouxe sempre a debate a transferência do cais para o Seixalinho e este ano em que se aproximam as eleições autárquicas, em comunicado publicado no “Diário da Região” como publicidade paga, volta a usar o cais do Seixalinho para criticar a Câmara.
Toda esta gente que se envolveu na contestação à transferência do cais para o Seixalinho, nunca percebeu que a ir para a frente a sua ideia, voltávamos ao século XVIII, no que se refere ao transporte para Lisboa de barco. Isto é, acontecia a mesma coisa que aconteceu ao concelho de Alcochete.
A cala artificial não podia ser dragada por questões ambientais e também por questões financeiras. A Transtejo para reduzir custos já acabou com algumas carreiras e queria acabar com os barcos aos fins de semana, que só não acabaram por pressão da Câmara. Quanto a investimentos, a Transtejo não tem um tostão para investir.
Continuamos a usufruir do transporte fluvial para Lisboa e temos um cais moderno com todas as condições para passageiros e veículos, situado numa zona do Rio, com uma cala natural que tem 3,5 de água em baixa-mar, onde não é preciso fazer dragagens, porque o PS de Montijo tinha um grupo coeso com convicções e que sabia o que estava a fazer. E não foi nada fácil resistir à pressão que era exercida sobre quem tinha o poder de decidir.
Na altura eu era Presidente da Comissão Política do PS, hoje sou militante de base, sem qualquer cargo político, mas estou atento a tudo o que se passa na minha Terra e não me parece correcto o PSD de Montijo vir propor a construção de uma ciclovia de 3Km, promessa para não cumprir, quando sabe que a Câmara está a fazer um ajustamento financeiro e não tem dinheiro para investir. E sem terem um estudo para saberem quantas pessoas estão disponíveis para irem para o Seixalinho a pé ou de bicicleta
Na minha opinião o que se podia fazer nesta altura era pedir à Transtejo e ao Governo, para deixarem de cobrar no parque estacionamento para tornar o transporte fluvial mais competitivo em relação ao rodoviário e reduzir os custos da deslocação dos utentes que utilizam o automóvel para chegar ao cais e que têm visto os salários reduzidos e os transportes aumentados.
Já disse num dos artigos de opinião que publiquei anteriormente que os partidos políticos no Montijo só têm sucesso se se abrirem às populações para discutirem a gestão da Câmara e para isso têm que ter pessoas competentes, com vocação para a causa pública, com provas dadas e disponíveis para comunicar com a comunidade. Se já defendia esta maneira de estar na política, depois das grandes manifestações populares, de 15 de Setembro, é minha convicção profunda que tudo mudou de um momento para outro e se os políticos quiserem ser ouvidos têm que ser sérios, competentes e defensores da causa pública.
E se for possível, considerados acima de toda a suspeita, pela maior parte da população.
Não podem prometer aquilo que não podem cumprir. O povo cada vez entende melhor a política e não se deixa enganar.
Espero que todas as forças políticas do concelho estejam disponíveis para alterar o seu modo de fazer política.
Cumprimentos,
José Bastos














