MONTIJO ANOS 50Por José Caria

Por Jornal Rostos
Com o fim da Segunda Guerra Mundial (1949) vem as tentativas de unidade europeia numa Europa cuja estrutura se tinha alterado ; Seis Países : Bélgica,Juxemburgo,Holanda,França,Itália e Alemanha Federal dão o primeiro passo
para a chamada unidade europeia, em 1951 , fundando a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço) que criava o Mercado Comum para o carvão e o aço e constituía parte percursora daquilo que nos habituaríamos a chamar Mercado
Comum/CEE .
Por detrás estava também o famoso “ Plano Marshal” (1948/1951), Programa para “ajudar” à reconstrução da Europa com o qual os E.U.A. concedem empréstimos de 12,4 biliões de Dólares aos Países que então formam a Organização Europeia de Cooperação Económica.
Entretanto, em 1949 , tinha sido fundada a N.A.T.O. ; Depois da chamada Crise do Suez, Guerra Israelo-Egípcia em torno do Canal do Suez (nacionalizado em Junho de 1956) que envolvera franceses e britânicos, depois dos acontecimentos na Hungria (em 1956),formar-se-ía a Comunidade Económica Europeia (C.E.E.) e a Comunidade Europeia de Energia Atómica (euratom) faces do poliedro do esboço de unidade que começava a emergir.
A Europa da guerra começava a reconstruir-se ; a economia dos EUA desenvolvia-se usando o velho Continente.
Na África dava-se início à vaga de Independências de Países que começavam,de algum modo,a libertar-se do Sistema colonial : a partir de 1956 e até 1965 quarenta Países- 33 dos quais africanos - onde viviam 173 milhões de Pessoas.
Portugal continuava mergulhado no Regime ditatorial de Salazar com pulso de ferro em Moçambique,Angola,Guiné e Cabo Verde,S.Tomé e Príncipe que viriam,sobretudo a partir de 4 de Fevereiro de 1961 , a iniciar a Luta armada
nacionalista de Libertação.
O Governo ,depois de mais de 20 anos,modifica a Constituição (1951) para que se chamasse “Provincias Ultramarinas” ao que sempre se designara por “Colónias Portuguesas”.
Com 13/14 Ministérios o Governo de Salazar cimentava a centralização administrativa com presidentes de câmara e nas Freguesias em nomeações pelo Poder Central e suprimindo as Províncias no ano de 1959.
Na Economia são os sucessivos “ Planos de Fomento “, na esteira da Lei de Fomento e Reorganização Industrial (Lei n.º2.005/1945) instrumento de Condicionamento Industrial, “Planos de Fomento” que seriam para 1953/1958 ,
1959/64, com continuidades nas duas décadas seguintes 1965/1967 e 1968/1973.
Em setores como Eletricidade, Energia, Refinação de Petróleo, Adubos Azotados, Celulose e Papel satisfizeram os interesses de alguns Grupos Económicos que se agigantaram com protecção estadual das suas atividades .
Concentração e centralização da Indústria , liquidação de Pequenas Unidades Fabris, com deterioração da situação económica e social das Pessoas que trabalhavam originam Lutas contestatárias de Opositores :- em 1951 pela Proibição
da Arma Atómica e pelo Desarmamento,em 1952 lutas de operários,Pescadores, Trabalhadores Rurais,Conserveiros ;em 1955 Pescadores e operários da C.U.F.; no Primeiro de Maio de 1956 estalam Greves em Grândola, Lisboa, Covilhã, Tortosendo e Aljustrel ; em 1957 entram em Greve os Salineiros de Alcochete .
A Oposição apresenta,nas Eleições de 1957,Candidatos à Assembleia Nacional e prepara as Eleições de 1958 (isto depois de, em 1951,se terem já apresentado Rui Luis Gomes e Quintão Meireles contra Craveiro Lopes).Em 1958 dois Candidatos da Oposição (um deles o Dr.Arlindo Vicente) reunem-se numa só Candidatura , a do General Humberto Delgado. À volta desta Eleições Presidenciais há grandes Manifestações Nacionais,de Norte a Sul, pela Democracia , respondendo o Governo fascista com ondas de Prisões e de Terror ; Greves,abaixo-assinados,manifestações
de luto,boicote de Transportes exigem a Demissão de Salazar e Santos Costa ;em junho/Julho 60.000 operários fabris e rurais protestam contra a “Burla eleitoral” e exigem anulação das “Eleições” ; 25 mil Manifestantes no BARREIRO ficam na história da resistência e luta (1958) , tal como em Castelo Branco,Aveiro,Beja,Viseu.
Trigo Negreiros, Ministro do Interior , e o coronel Santo Costa (Ministro da Defesa)serão afastados do Governo .
Neste contexto o Distrito de Setúbal e o Concelho de Montijo evoluíam .O Distrito com 82.273 Famílias no início da década (1950) passava para 107.705 Famílias no final da década (1960) ;a População do Distrito subia de 325.646 Pessoas para 377.186 pessoas no final da década ; o número de estabelecimentos industriais atingia,no distrito, em 1957/1959, 2.358 com 50.258 Activos ; as Explorações Agrícolas eram, em 1952/1954, 13.781 - das quais 5.999 não registavam meios de trabalho (animal ou mecânico);
O Concelho de Montijo passa, na década de cinquenta,de 25.887 Residentes para 30.217 Residentes ; o número de Fogos aumenta de 7.559 no início da década para 9.689 em 1960 ; com 7.987 “Prédios” em 1950 terá, no final da década 11.416 ;
A Freguesia de Montijo regista, em 1957/59, 71 Estabelecimentos no ramo das Indústrias de alimentação, 79 estabelecimentos nas Indústrias de Madeiras, Cortiças e Mobiliário (com 2.813 activos neste ramo e 1.478 no presedente) ; a População desta Freguesia passa de 19.403 pessoas no início da década para 21.947 em 1960;
Em 1957 é fundada a Freguesia de Santo Isidro de Pegões (DL n.º41.320 de 14 Out.º) com Lugares da Freguesia de Canha, e Marateca (esta do Concelho de Palmela) , em 1960 tem 1.177 Residentes ;a densidade populacional do Concelho de Montijo que é , em 1950, de 68,8 , passa para 80,3 no final da década (1960) ; existem,em 1957/1959, no Concelho,registados, 236 Estabelecimentos Industriais com 5.081 ativos ( 10,01 % do Total do Distrito) ; Agricultura e Pecuária contam no início da década com 4.386 pessoas registadas a trabalharem com uma profissão ; 4.602 pessoas trabalham em Indústrias ; cerca de mil trabalham nos Serviços ; Montijo,Concelho,ultrapassava a média concelhia de Trabalhadores Homens nas Indústrias Transformadoras ( mais 10,56 %) bem como a média concelhia de Mulheres nessas Indústrias (mais 16,37 %) destacando-se as Indústrias da Cortiça e da Alimentação com ,respetivamente, mais 49,97 %de Homens e 16,33 % de Mulheres .
Em meados da década de cinquenta manifestavam-se 4.617 possuidores de efetivos pecuários ; no Distrito havia então,manifestados, 24.516 possuidores de efetivos pecuários ; o Concelho de Montijo tinha então posição relevante no quadro dos manifestantes de efetivos pecuários e cabeças de gado nos concelhos do Distrito.
Em 1957 a Vila de Montijo apresentava uma estrutura influenciada pelos Meios de Transporte : o meio fluvial, o Caminho de Ferro e a Estrada tendo a Vila crescido ao longo destes dois últimos ; apresentava uma estrutura de tipo estrelar com a ponta mais virada para o Norte na Estrada de Alcochete (EN 119),duas das pontas para Nascente na Estrada da Atalaia (EN 4) e na de Lisboa (EN 5) e uma ponta para Poente na estrada principal do Samouco .A Zona Industrial situava-se a Sul e a Nascente , começando a registar-se tendência em ocupar as zonas de Poente e
Noroeste .
A produção de vinho era das mais importantes do Distrito; Batata, ervilha, fava, cebola e alho eram transportados pelo meio fluvial ;Indústria de conservas de carnes,Indústria corticeira,a das Salinas, os vinhos eram quatro Indústrias de
importância capital para o concelho. Montijo era já o maior Centro Industrial de Salsicharia do País (principalmente em duas Grandes Unidades) ; a Indústria Corticeira ocupava cerca de 38 Hectares e dava trabalho a cerca de 1.520 Pessoas (registadas).~
José Caria
(*)Ex-Vereador,ex-Presidente de Câmara














