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As rotundas da cidade de MontijoPor José Bastos

Longe de mim dizer que não há acidentes nas rotundas, mas, digo que quando eles se dão não são graves e normalmente é só chapa.

Não conheço o que se passa nos outros concelhos, mas o que acabei de contar é o que acontece aqui no meu.

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As rotundas da cidade de Montijo Por José Bastos

Por Jornal Rostos

O conhecido comentador e analista político, Miguel Sousa Tavares, aqui há uns anos, fez uma acérrima critica à utilidade das rotunda existentes no país e chamava a atenção para o elevado custo destas. E apontava o custo das rotundas como um exemplo de esbanjamento de dinheiro pelos autarcas.

Miguel Sousa Tavares exagerou imenso para fazer valer a sua ideia, pois nem as rotundas são assim um tão grande investimento em obras novas e são absolutamente necessárias para a circulação do trânsito. Na nossa cidade que não tem um movimento exagerado de trânsito, evita-se o custo e manutenção de semáforos e poupa-se nos gastos da energia.

Mas, o que é certo é que a coisa pegou e a partir daí muitos comentadores criticaram os gastos em rotundas feitos pelos autarcas, a maior parte das vezes sem conhecimento do que se passa no terreno.

Quando foi inaugurada a Ponte Vasco da Gama o Montijo só tinha 3 rotundas na circular e uma pequena rotunda no cruzamento da Avenida João XXI, com a Rua Joaquim Serra.

A Junta Autónoma das Estradas, construiu a primeira fase da circular, no fim dos anos setenta do século passado e não construiu nenhuma rotunda, passados dois anos ou três a Câmara construiu a segunda fase da circular e ficou ali um cruzamento perfeito com a estrada 119, que liga Montijo a Alcochete. Tudo bem sinalizado com sinais de stop, sinais de aproximação de cruzamento. Enfim tudo preparado em termos legais para não acontecer nada.

Apesar de estar tudo muito bem sinalizado, aconteceram neste cruzamento vários acidentes graves com mortos num curto espaço de tempo o que obrigou a Câmara a entrar em contacto com a Junta Autónoma das Estradas para que ali fosse construída uma rotunda. Em princípio, os engenheiros da Junta que vieram a Montijo, disseram que estava tudo bem sinalizado e a culpa era dos condutores. Lembro-me de lhes ter dito que ninguém morria por querer morrer, a não ser por suicídio e não era disso que se tratava.

Depois de muita insistência da nossa parte os engenheiros da Junta Autónoma concordaram em construir ali uma rotunda.

O resultado foi um sucesso e em cerca de 30 anos não tem havido ali acidentes graves e nunca mais houve nenhum morto.

Depois de conhecer os resultados obtidos com a construção desta rotunda, a Junta Autónoma das Estradas retirou os semáforos que tinha colocados nos importantes cruzamentos do Porto Alto e de Pegões e construiu rotundas.

As rotundas especialmente à noite são muitos melhores que os semáforos, quando os condutores passam o vermelho com velocidade e encontram outro veículo é sempre acidente muito grave e muitas vezes com mortos.

Depois da inauguração da Ponte Vasco da Gama a cidade do Montijo começou a crescer para Nascente, com urbanizações modernas, construções de muito qualidade, praças e avenidas e também com cerca de 20 rotundas, para regularização do trânsito nos cruzamentos.

Todas estas rotundas foram pagas pelos promotores imobiliários, pelas Estradas de Portugal e pela Lusoponte. A Câmara não investiu nenhuma verba na construção das rotundas.

Passados dez anos concluímos que não estão registados acidentes muito graves , nem mortos nestas rotundas. Ainda no passado mês de Setembro à noite se deu um grave acidente no cruzamento da Rua José Joaquim Marques, Avenida Corregedor Dias e Rua José Mundet, que tem semáforos. Um motociclista ficou gravemente ferido e ainda há pouco tempo estava em coma no Hospital do Barreiro.

Longe de mim dizer que não há acidentes nas rotundas, mas, digo que quando eles se dão não são graves e normalmente é só chapa.

Não conheço o que se passa nos outros concelhos, mas o que acabei de contar é o que acontece aqui no meu.

Cumprimentos,
José Bastos

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