ENVELHECIMENTO ATIVO -TENDÊNCIAS, INCERTEZAS, DESAFIOSPor José Caria
Montijo
Os idosos são vistos, por vezes, como un encargo e um custo para o erário público, para o contribuinte, para a sociedade local e nacional.

Por Jornal Rostos
Para alguns dos nossos concidadãos o problema do envelhecimento é um crescimento tal do número de reformados que os activos não conseguirão vir a financiar as pensões ; Para outros as reformas massivas são vistas como minorização do Desemprego ;
Na realidade as consequências do(s) envelhecimento(s) são extremamente diversas e tocam numerosos domínios .
Desde logo pode falar-se de “envelhecimentos” (no plural) para distinguir o envelhecimento “por cima” (multiplicação do número de pessoas idosas) do envelhecimento “por baixo” (fraca ou insuficiente renovação por decréscimo de
nascimentos) ;
Sendo certo que o alongamento da vida é uma boa notícia,o envelhecimento “porbaixo” pode tornar mais dificil a manutenção das “solidariedades intergeracionais”.
Verso e anverso de uma moeda (que nem só deles é composta ) colocam-nos questões incontornáveis : como pagar as reformas ? , como cuidar de cada vez mais pessoas Dependentes ?,como tratar os envelhecimentos do ponto de vista territorial? como enfrentar social e institucionalmente a cada vez maior Solidão ? , como minorar desigualdades flagrantes entre diversas reformas ?, como tratar as tensões entre Jovens e Idosos nas actividades de produção e de consumo ?, como evitar conflitos de interesses e de costumes ?, como encarar e resolver problemas dos alojamentos nos centros urbanos (Idosos versus Jovens) ? ,como tratar o envelhecimento em ruralidade ?.
Enfim, várias tendências e algumas incertezas se entrecruzam neste universo cmplexo, heterogéneo, territorializado, dos envelhecimentos .
Os envelhecimentos aqui focados trazem, pelo menos, cinco consequências para as actividades e territórios , a saber, o alongamento da duração da vida activa (trabalhar mais cedo e parar de trabalhar mais tarde), os Jovens cada vez melhor “formados” serão chamados ao mercado de trabalho mas muitos,talvez cada vez mais, (incluindo os proveniientes de insucesso escolar...) não conseguirão entrar no mercado de trabalho, as Empresas a um ponto chegarão em que valorizarão o recrutamento em todas as idades utilizando a mobilidade interprofissional e
valorizando a experiência ,renovar-se-á ,cada vez mais, o conjunto de dirigentes de Empresas (com criação de organismos internos onde terão lugar dirigentes seniores),e , quinta consequência,,assistiremos cada vez mais ao desenvolvimento massivo do Marketing focado nos Idosos .
Perante algumas das tendências,incertezas,consequências, que aqui pistamos, vários desafios e objectivos se nos colocam :
Os desafios podem ser agrupados em duas categorias ,sendo o primeiro permitir escolhas de vida independentemente da Idade,e o segundo manter e estimular actividades nos Territórios.
Os objectivos agrupamo-los,por ora, em quatro grandes itens, a saber, Prevenção de fracturas e oposições entre Idades ( Idosos/Jovens...), Adaptação dos SERVIÇOS aos envelhecimentos das populações, Desenvolvimento da atratividade dos territórios para produtores e consumidores através de uma coerência de estratégias de produção e de consumo e tentar fazer “envolver” cada vez mais a economia pelas caracteristicas básicas/standard das qualidades de vidas das regiões e territórios .
Dito isto (tendencias,incertezas,desafios,objectivos) os Poderes,as Empresas, as Instituições, as Famílias,os Cidadãos podem e devem reforçar o caminho em pistas de acção prioritárias como sejam o favorecimento da Inclusão ( social,física..)das Pessoas Idosas , o Desenvolvimento duma Economia de Proximidade, um maior contributo para Mercados de Trabalho espacializados e territorializados (região, concelho, Freguesia) , a par de necessária regulação e organização dos Mercados e da articulação das políticas fiscais nacionais,territorrializadas,e locais.
Enunciadas algumas tendências, incertezas,consequências e alguns desafios, objectivos e pistas para acção perante os envelhecimentos, em Ano de Envelhecimento Activo (2012) dizemos que o envelhecimento da população de todo
o concelho constitui uma realidade demográfica : - a proporção de Pessoas Idosas tem vindo a aumentar .
Uma das principais dificuldades para “gizar” a política gerontológica municipal ( COM DIFERENCIAÇÕES PARTICULARES por Freguesia) provem do facto de se tratar de um grupo social heterógeneo .
Quem são as Pessoas Idosas ? Sociólogos dizem que é impossível responder a esta questão principalmente porque a idade já não constitui uma variável explicativa pertinente . É pois melhor pôr esta questão : - Como e em Quê podem as
necessidades da população idosa da Cidade e das Freguesias ( com diferenciações de ruralidade ) ser melhor tidas em conta pelos actores e protagonistas de uma Política geriátrica municipal ?
Vulgarmente há tendência para excluir os idosos da vida social e económica sejam munícipes e/ou fregueses ( o que tem vindo a ser mitigado) , e , a contrário , ampliar a juventude e o seu dinamismo .
Os idosos são vistos , por vezes, como un encargo e um custo para o erário público , para o contribuinte, para a sociedade local e nacional .
Estas representações sociais contribuiram para modelar a Cidade que é vista , senso comum, como lugar concebido para população jovem e activa .
É inegável que , diferentemente dos Jovens , os idosos não têm a mesma visibilidade : - são grupo heterogeneo cujos modos de expressão não focalizam tanto a atenção dos orgãos de comunicação social e de boa parte da opinião pública ;
Tal visão da “velhice “ e do envelhecimento é redutora . Numa aproximação antropológica o velho transporta igualmente o novo , o futuro ; é necessário ao equilíbrio e à continuidade dos laços e da pertença sociais .
As pesoas idosas desenvolvem , por exemplo , um uso diferenciado do espaço público que pode assim ser susceptível de contribuir para mudanças intergeracionais mesmo quando as localidades , a sociedade local , não tem a precaução devida de não excluir as pessoas com menores “ perfomances “ e/ou com menor mobilidade .
Coloca-se então a evidência de que, sendo também matéria para diversas especialidades e especialistas , o envelhecimento das nossas populações deve concitar, convocar, cada vez mais e melhor, o conjunto de decisores e actores no município e nas freguesias para a integração das questões ( várias ) do relacionamento dos habitantes idosos com a Cidade e na freguesia (mais urbana , ou mais rural ).
Acima de tudo ,nestas matérias, ouçamos e façamos participar nas soluções ( no Concelho e em cada Freguesia) os Reformados,Pensionistas e Idosos e suas Associações !!!...
José Caria














