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Quotidianos

A Universidade Sénior do MontijoPor Nuno Canta

No futuro, a Universidade Sénior do Montijo tem de ter como objetivo a consolidação da sua posição no espaço do ensino informal para seniores. Para isso, precisamos de uma organização moderna e inspiradora. Precisamos de valorizar os ambientes intelectuais. Precisamos de melhores professores.

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A Universidade Sénior do Montijo Por Nuno Canta

Por Jornal Rostos

Devemos abordar o tema das políticas sociais autárquicas, em particular as dirigidas para as pessoas mais carenciadas da sociedade, como os idosos, dentro de uma estratégia de intervenção mais alargada e pioneira. Neste plano, a Universidade Sénior do Montijo constitui-se como um projeto de intervenção dinâmico, dentro do pacote de políticas dirigidas ao envelhecimento ativo que, no seu 7º Ano Letivo conta com uma centena de alunos e dezenas de professores, procura proporcionar experiências sociais, culturais, educacionais e de convívio junto dos montijenses com mais de 50 anos. Em 2012, dentro das iniciativas do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações, devemos assinalar o papel integrador e multifacetado do projeto municipal da Universidade Sénior, o seu contributo para enfrentar o envelhecimento demográfico e o fortalecimento da contribuição dos mais velhos para a nossa comunidade.

Todos aqueles que têm a felicidade de manter a sua saúde, virão a ser idosos, por isso é importante ter a consciência e desenvolver políticas públicas que tratem dos cidadãos mais idosos. O envelhecimento não é uma doença, é um percurso e assim deve ser interpretado, devemos educar a comunidade nos afetos e nos valores de respeito pela dignidade, solidariedade e responsabilidade para com os cidadãos idosos.

Com o aumento significativo da esperança média de vida, as pessoas duram cada vez mais, e portanto, no mundo ocidental, o século XXI será um século de pessoas envelhecidas. Daí que as políticas públicas de apoio ao envelhecimento ativo serão fundamentais na sociedade pós-moderna. O bem-estar físico e mental é fundamental para o envelhecimento ativo, como seja a leitura habitual, a conversa, o convívio, o voluntariado e, mesmo, as atividades físicas e artísticas.

Enquanto dinamizadora de políticas para o envelhecimento ativo, a Universidade Sénior do Montijo não é só para estudantes e professores. É uma instituição que se intromete na vida, que se envolve nas suas urgências e paixões, que responde com serenidade, com lucidez e com perspicácia ao papel social do idoso.
A Universidade Sénior do Montijo tem de ter a capacidade de se renovar renovando a comunidade, assente na força criativa, na inovação, na liberdade de pensamento. A Universidade é o lugar onde se cultivam todos os saberes.

Quando se afunila o seu alcance, reduzindo-a a visões estreitas da ciência e tecnologia, perde-se o seu sentido como espaço de cultura, como experiência do pensamento e da vida. Parece estranho, mas na verdade assistimos a uma
permanente desvalorização das disciplinas sociais, das humanidades, das artes ou mesmo de ciências fundamentais, como a Física e a Matemática, o que nos obriga a defender uma ideia de Universidade de todos os saberes e de todas as culturas, mesmo no caso do ensino informal da Universidade Sénior do Montijo.
No futuro, a Universidade Sénior do Montijo tem de ter como objetivo a consolidação da sua posição no espaço do ensino informal para seniores. Para isso, precisamos de uma organização moderna e inspiradora. Precisamos de valorizar os ambientes intelectuais. Precisamos de melhores professores.

Como dizia o Padre António Vieira, “cada um é filho do que faz não é outra coisa”. Devemos, por isso, explicar a todos as nossas forças, as nossas fraquezas, para onde queremos ir. Devemos expor-nos às críticas, e nelas saber encontrar uma Universidade Sénior do Montijo mais forte e mais aberta à comunidade montijense. Não há valor mais seguro do que a confiança que em nós deposita a comunidade montijense. Sabemos da nossa obrigação de estar à altura dessa confiança, projetando uma Universidade Sénior que sirva o Montijo.
Devemos abrir horizontes, abrirmo-nos ao mundo.

NUNO CANTA, 2012

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