As marinhas de Aldeia Galega / Montijo estão abandonadas há dezenas de anosPor José Bastos

Por Jornal Rostos
O sal era um produto de grande importância na alimentação e na conservação dos alimentos, especialmente peixe e carne.
O salgado do Tejo era um dos maiores do país.
O sal produzido nos nossos salgados servia para consumo interno e muito para exportação.
O concelho de Aldeia Galega era um grande produtor de sal, pois existiam marinhas desde a quinta do batedouro (hoje, B.A. 6), até à Lançada e em toda a margem ribeirinha da freguesia de Sarilhos Grandes.
As marinhas de Aldeia Galega pertenciam à Ordem de Santiago a quem foram doadas por D. Sancho I em 1186.
Sabemos que no ano de 1249 já existiam 3 marinhas em Aldeia Galega.
Em 1512 na visitação da Ordem de Santiago a Aldeia Galega, foram contadas 21 marinhas: 3 na quinta do batedouro, 8 em Sarilhos Grandes e 14 no Afonsoeiro.
Nasci e vivi até aos 24 anos no Bairro dos Pescadores, embora a minha família fosse de origem rural. A minha juventude foi passada, mesmo junto às marinhas, por isso conhecia bem toda esta actividade. As casas dos meus avós paternos tinham um quintal que dava para o esteiro dos primos que faziam um “T” com o esteiro da quebrada. Este esteiro fornecia água aos viveiros das marinhas do José Leite e do Francisco Brás da Cruz. Este esteiro foi aterrado há mais de 50 anos.
A marinha de Francisco Brás da Cruz que estava mesmo junto à Vila foi a única que foi aterrada e urbanizada para construção de prédios de habitação colectiva, mas 3 que existiam na quinta do batedouro foram aterradas quando se construiu a Base Aérea. Foram também aterradas 2 marinhas no Seixalinho e uma no Arce para construir as E.T.A.R.`S.
O meu tio Artur (o Artur do sal), chegou a ter a exploração de duas marinhas, uma propriedade dele e outra arrendada e fornecia o sal para as fábricas de carnes de porco do Montijo que o utilizava para conservar as carnes e o toucinho, utilizando uma carroça puxada por um animal que era conhecida de toda a gente.
A exploração das marinhas foi durante muitos séculos um negócio rentável,
mas como não há nada que não acabe, nos anos sessenta e setenta do século passado as marinhas foram abandonadas por não serem rentáveis.
Há mais de trinta/quarenta anos que as marinhas estão abandonadas, porque o sal deixou de ser utilizado na conservação dos alimentos e o que se produzia nas nossas marinhas deixou de ser competitivo pelo preço e pela qualidade para a alimentação.
Actualmente as marinhas não têm nenhuma utilidade por isso estão abandonadas e degradadas. As águas entram e saem com as marés e os espaços por vezes de hectares estão a deixar de ser marinhas e a transformar-se em sapais. Penso que as entidades oficiais e os proprietários tem que estudar a forma como resolver este problema. Temos que decidir, não estamos em tempo de deixar as coisas andar.
Cumprimentos,
José Bastos














